Malícia - M. Lestrange
M. Lestrange
M. Lestrange é, antes de qualquer coisa, um pseudônimo.
Bióloga de formação, apaixonada por leitura e maníaca das livrarias, pertence à casa Corvinal e faz visitas ocasionais ao reino das fadas para reunir material (e cobaias) para suas histórias.
Dizem os rumores que as tais fadas colocaram sua cabeça a prêmio.
Suas primeiras publicações físicas estão contidas em antologias, escreve para o blog literário Noite do Bardo e vez ou outra dá o ar de sua graça no Wattpad.






Malícia

Ela arrumou minuciosamente o material escolar em sua escrivaninha e guardou a mochila, já que não precisaria dela até segunda. Quando estava satisfeita com a ordem de seu quarto, abriu a porta e dirigiu-se ao banheiro. Tomou um banho demorado, deixando que a água lavasse suas aflições. Sua mãe sempre dizia que o banho era um excelente momento de reflexão.

Quando estava se sentindo mais aliviada, procurou por sua mãe e pediu desculpas. Não porque pensasse que estava errada, mas porque não gostava de se descontrolar em público. E por “público” ela subentendia qualquer pessoa. Dona Pâmela entendeu perfeitamente, e recompensou a filha com um sorriso e agradecimentos por seu bom comportamento.

Carla sempre fora, antes de qualquer coisa, uma filha exemplar.

– Fico feliz que tenha se acalmado. – Disse Pâmela. – Precisamos ter cuidado com a raiva, filha.

A garota acenou positivamente com a cabeça. Sua mãe sempre fora muito espiritualista, do tipo de pessoa que acredita em karma e nos males das energias negativas. Carla não concordava muito – para não dizer que completamente discordava -, mas não contrariava as crenças da mãe. Era um dos fatores que mantinha a relação equilibrada: não discordar.

A filha não discordava das opiniões da mãe, e a mãe mantinha-se fora dos assuntos pessoais da filha. Era um pacto silencioso que sempre estivera em vigor.

– A raiva é uma doença, querida, um pote de veneno que tomamos esperando que outro morra. – Prosseguiu Pâmela. – Mas o karma não falha, meu amor, tudo que lhe fizerem, voltará três vezes mais potente. Para o bem ou para o mal.

Carla novamente concordou, e encerrou a conversa dizendo que estaria em seu quarto.

Dona Pâmela se deu por feliz que a lição sobre o karma havia sido passada com sucesso, e retornou à sua leitura vespertina. Um livro de autoajuda, como de costume.

A garota retornou ao seu quarto e fechou a porta. Cobriu a distância até sua escrivaninha em quatro passos e abriu o laptop.

Era hora de tomar as providências.

Ela quase podia escutar aquela voz enquanto esperava a máquina iniciar o sistema.

“Ninguém quer te ouvir, Carla. “ – Dissera ela. – “Ninguém se importa! “

Bem, aquilo seguramente não era verdade.

Ela se importava. E se importava. E estava prestes a demonstrar o quanto.

Carla abriu o navegador de internet e selecionou a aba do Messenger diretamente nos favoritos. Digitou apressadamente as letras que compunham o nome dele, a razão de seu desespero.

“Preciso falar com você “ – Ela digitou na janela com o nome de Eric.

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M. Lestrange
Malícia

Ela arrumou minuciosamente o material escolar em sua escrivaninha e guardou a mochila, já que não precisaria dela até segunda. Quando estava satisfeita com a ordem de seu quarto, abriu a porta e dirigiu-se ao banheiro. Tomou um banho demorado, deixando que a água lavasse suas aflições. Sua mãe sempre dizia que o banho era um excelente momento de reflexão.

Quando estava se sentindo mais aliviada, procurou por sua mãe e pediu desculpas. Não porque pensasse que estava errada, mas porque não gostava de se descontrolar em público. E por “público” ela subentendia qualquer pessoa. Dona Pâmela entendeu perfeitamente, e recompensou a filha com um sorriso e agradecimentos por seu bom comportamento.

Carla sempre fora, antes de qualquer coisa, uma filha exemplar.

– Fico feliz que tenha se acalmado. – Disse Pâmela. – Precisamos ter cuidado com a raiva, filha.

A garota acenou positivamente com a cabeça. Sua mãe sempre fora muito espiritualista, do tipo de pessoa que acredita em karma e nos males das energias negativas. Carla não concordava muito – para não dizer que completamente discordava -, mas não contrariava as crenças da mãe. Era um dos fatores que mantinha a relação equilibrada: não discordar.

A filha não discordava das opiniões da mãe, e a mãe mantinha-se fora dos assuntos pessoais da filha. Era um pacto silencioso que sempre estivera em vigor.

– A raiva é uma doença, querida, um pote de veneno que tomamos esperando que outro morra. – Prosseguiu Pâmela. – Mas o karma não falha, meu amor, tudo que lhe fizerem, voltará três vezes mais potente. Para o bem ou para o mal.

Carla novamente concordou, e encerrou a conversa dizendo que estaria em seu quarto.

Dona Pâmela se deu por feliz que a lição sobre o karma havia sido passada com sucesso, e retornou à sua leitura vespertina. Um livro de autoajuda, como de costume.

A garota retornou ao seu quarto e fechou a porta. Cobriu a distância até sua escrivaninha em quatro passos e abriu o laptop.

Era hora de tomar as providências.

Ela quase podia escutar aquela voz enquanto esperava a máquina iniciar o sistema.

“Ninguém quer te ouvir, Carla. “ – Dissera ela. – “Ninguém se importa! “

Bem, aquilo seguramente não era verdade.

Ela se importava. E se importava. E estava prestes a demonstrar o quanto.

Carla abriu o navegador de internet e selecionou a aba do Messenger diretamente nos favoritos. Digitou apressadamente as letras que compunham o nome dele, a razão de seu desespero.

“Preciso falar com você “ – Ela digitou na janela com o nome de Eric.

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