Malícia - M. Lestrange
M. Lestrange
M. Lestrange é, antes de qualquer coisa, um pseudônimo.
Bióloga de formação, apaixonada por leitura e maníaca das livrarias, pertence à casa Corvinal e faz visitas ocasionais ao reino das fadas para reunir material (e cobaias) para suas histórias.
Dizem os rumores que as tais fadas colocaram sua cabeça a prêmio.
Suas primeiras publicações físicas estão contidas em antologias, escreve para o blog literário Noite do Bardo e vez ou outra dá o ar de sua graça no Wattpad.






Malícia

Aguardou alguns segundos, encarando a pequena foto do rapaz de cabelos lisos desgrenhados. Esperaria alguns minutos para que o ponto verde indicasse que ele estava online, depois decidiria como prosseguir a conversa.

“Posso deixar tudo escrito e esperar que ele leia. “ – Pensou. Sim, aquela era a melhor maneira, com certeza. Ela não era boa com conflitos, e a internet fornecia aquela segurança incrível através de uma tela. Poderia dizer tudo o que realmente acontecera, o que pensava, e não sentiria vergonha disso.

Quando o pequeno ponto verde finalmente apareceu, ela sentiu o coração pular uma batida.

“Diga. “ – Foi a resposta de Eric.

Carla respirou fundo antes de prosseguir. Ela podia sentir suas mãos suando frio quando as posicionou sobre o teclado do laptop. Cada palavra precisava ser muito bem escolhida.

“Você precisa saber o que houve, e eu prefiro que seja por mim… E o mais rápido possível. “ – Digitou a garota. Parecia bom para um começo, com a dose certa de preocupação nas palavras.

“O que houve? “ – Perguntou Eric.

Ela tinha sua atenção. Ótimo. Eric era famoso por sua perda súbita de interesse, mas ela estava conseguindo mantê-lo conversando. Precisava ser rápida.

“Melissa veio falar comigo. “ – Aquilo não era inteiramente verdade, mas fato era que Melissa havia falado com ela. A ordem dos fatores não era importante. Ele não precisava saber.

Não houve resposta. Eric estava claramente aguardando o restante, então ela prosseguiu:

“Ela disse que queria conversar, e eu achei que estava tudo bem.

Achei que ela iria me perguntar algo sobre a escola. Provas, sei lá.

Mas depois dos cumprimentos de sempre, ela começou com uns assuntos estranhos…

Começou a falar sobre você e sobre como sentia sua falta… tudo bem, não me importei de escutar, afinal, era um desabafo. E eu prefiro que seja comigo do que com alguém que não é de confiança…

Mas ela parecia muito perturbada. Tipo, de verdade.

Como se ela não aceitasse que vocês terminaram ou sei lá…

E eu sei que você não gosta de falar desse tipo de coisa, mas eu sei e, na real, todo mundo sabe que a culpa foi dela. Ela foi a escrota da história… E o jeito como ela falava de você…

Não sei. Me incomodou.

Honestamente, não sei do que ela é capaz…

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M. Lestrange
Malícia

Aguardou alguns segundos, encarando a pequena foto do rapaz de cabelos lisos desgrenhados. Esperaria alguns minutos para que o ponto verde indicasse que ele estava online, depois decidiria como prosseguir a conversa.

“Posso deixar tudo escrito e esperar que ele leia. “ – Pensou. Sim, aquela era a melhor maneira, com certeza. Ela não era boa com conflitos, e a internet fornecia aquela segurança incrível através de uma tela. Poderia dizer tudo o que realmente acontecera, o que pensava, e não sentiria vergonha disso.

Quando o pequeno ponto verde finalmente apareceu, ela sentiu o coração pular uma batida.

“Diga. “ – Foi a resposta de Eric.

Carla respirou fundo antes de prosseguir. Ela podia sentir suas mãos suando frio quando as posicionou sobre o teclado do laptop. Cada palavra precisava ser muito bem escolhida.

“Você precisa saber o que houve, e eu prefiro que seja por mim… E o mais rápido possível. “ – Digitou a garota. Parecia bom para um começo, com a dose certa de preocupação nas palavras.

“O que houve? “ – Perguntou Eric.

Ela tinha sua atenção. Ótimo. Eric era famoso por sua perda súbita de interesse, mas ela estava conseguindo mantê-lo conversando. Precisava ser rápida.

“Melissa veio falar comigo. “ – Aquilo não era inteiramente verdade, mas fato era que Melissa havia falado com ela. A ordem dos fatores não era importante. Ele não precisava saber.

Não houve resposta. Eric estava claramente aguardando o restante, então ela prosseguiu:

“Ela disse que queria conversar, e eu achei que estava tudo bem.

Achei que ela iria me perguntar algo sobre a escola. Provas, sei lá.

Mas depois dos cumprimentos de sempre, ela começou com uns assuntos estranhos…

Começou a falar sobre você e sobre como sentia sua falta… tudo bem, não me importei de escutar, afinal, era um desabafo. E eu prefiro que seja comigo do que com alguém que não é de confiança…

Mas ela parecia muito perturbada. Tipo, de verdade.

Como se ela não aceitasse que vocês terminaram ou sei lá…

E eu sei que você não gosta de falar desse tipo de coisa, mas eu sei e, na real, todo mundo sabe que a culpa foi dela. Ela foi a escrota da história… E o jeito como ela falava de você…

Não sei. Me incomodou.

Honestamente, não sei do que ela é capaz…

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