Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
M. Lestrange
M. Lestrange é, antes de qualquer coisa, um pseudônimo.
Bióloga de formação, apaixonada por leitura e maníaca das livrarias, pertence à casa Corvinal e faz visitas ocasionais ao reino das fadas para reunir material (e cobaias) para suas histórias.
Dizem os rumores que as tais fadas colocaram sua cabeça a prêmio.
Suas primeiras publicações físicas estão contidas em antologias, escreve para o blog literário Noite do Bardo e vez ou outra dá o ar de sua graça no Wattpad.






Malícia

Ele continuava online. Ótimo.

“Ela me disse que pretendia tomar uma atitude, mas não me disse qual era.” – Enter. Recebido.

Aquilo era declaradamente uma mentira, mas Eric não precisava saber. O importante era que ela conseguisse convencê-lo da verdade, e se para isso tivesse que se utilizar de algumas pequenas mentiras, bem… era o preço.

Carla ainda conseguia escutar a voz de Melissa em seus ouvidos. Menosprezando-a. Dizendo que ninguém se importava. Tudo que ela queria era garantir suas chances com Eric, e Melissa era claramente um obstáculo a ser ultrapassado. Eles haviam terminado havia tempos, mas ela sabia que aquilo que havia entre eles estava longe de estar terminado.

Ela sabia que Melissa o mantinha na coleira, como um cachorro, e lhe doía que o próprio Eric não enxergasse isso. Ele saía com algumas garotas, na tentativa fútil de mostrar ao mundo que estava no controle, mas Carla sabia a verdade. Da mesma forma que conseguia ver perfeitamente através da fachada de “solteira e plena” de Melissa, conseguia sentir o cheiro da falsidade em cada atitude dela, bem como conseguia sentir o gosto amargo do ódio descendo por sua garganta.

Melissa fazia parecer que estava perfeitamente feliz sem querer chamar a atenção de nenhum garoto. E era óbvio que aquele tipo de atitude chamava a atenção aos montes, caminhões de atenção eram despejados aos seus pés todos os dias. Era um plano esperto, ela tinha que admitir. E Melissa tinha toda uma facilidade para interagir socialmente, para fazer amigos, o que tornava tudo ridiculamente mais fácil.

“Do que você está falando?” – A resposta de Eric a pegou de surpresa, mas era uma surpresa boa.

“Do fato de que aquela aproveitadora não te quer, mas não quer que ninguém mais tenha.” – Era o que ela queria responder, mas não podia. Ao menos não com aquelas palavras.

“Eu disse. Acho que a Mel não te superou.” – Enter. Ela não achava, ela tinha certeza. – “Não quero parecer intrometida, mas eu acho que ela está obcecada. Acho que você deveria tomar cuidado.” – Enter.

Seu coração parecia não querer diminuir o ritmo. Mas aquilo era completamente esperado em qualquer tipo de conversa envolvendo Eric, ainda mais uma de teor difícil como aquela. Ela coçou aleatoriamente o joelho e o antebraço, num movimento inconsciente.

“Não teria vindo falar com você se não estivesse preocupada.

Sabe, ela não te superar é completamente problema dela… embora eu pense que ela deveria se cuidar. Talvez até procurar ajuda. E quero dizer um profissional.

As pessoas costumam ter muitos problemas com psicólogos, mas eles ajudam muito mais do que parece, se você encontrar o profissional correto. Eu recomendei isso pra Mel educadamente, mas ela não gostou muito.

Me xingou e tudo mais.” – Enter.

Ela dedicou um momento para analisar o que havia escrito. Talvez tivesse sido muito direta.

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M. Lestrange
Malícia

Ele continuava online. Ótimo.

“Ela me disse que pretendia tomar uma atitude, mas não me disse qual era.” – Enter. Recebido.

Aquilo era declaradamente uma mentira, mas Eric não precisava saber. O importante era que ela conseguisse convencê-lo da verdade, e se para isso tivesse que se utilizar de algumas pequenas mentiras, bem… era o preço.

Carla ainda conseguia escutar a voz de Melissa em seus ouvidos. Menosprezando-a. Dizendo que ninguém se importava. Tudo que ela queria era garantir suas chances com Eric, e Melissa era claramente um obstáculo a ser ultrapassado. Eles haviam terminado havia tempos, mas ela sabia que aquilo que havia entre eles estava longe de estar terminado.

Ela sabia que Melissa o mantinha na coleira, como um cachorro, e lhe doía que o próprio Eric não enxergasse isso. Ele saía com algumas garotas, na tentativa fútil de mostrar ao mundo que estava no controle, mas Carla sabia a verdade. Da mesma forma que conseguia ver perfeitamente através da fachada de “solteira e plena” de Melissa, conseguia sentir o cheiro da falsidade em cada atitude dela, bem como conseguia sentir o gosto amargo do ódio descendo por sua garganta.

Melissa fazia parecer que estava perfeitamente feliz sem querer chamar a atenção de nenhum garoto. E era óbvio que aquele tipo de atitude chamava a atenção aos montes, caminhões de atenção eram despejados aos seus pés todos os dias. Era um plano esperto, ela tinha que admitir. E Melissa tinha toda uma facilidade para interagir socialmente, para fazer amigos, o que tornava tudo ridiculamente mais fácil.

“Do que você está falando?” – A resposta de Eric a pegou de surpresa, mas era uma surpresa boa.

“Do fato de que aquela aproveitadora não te quer, mas não quer que ninguém mais tenha.” – Era o que ela queria responder, mas não podia. Ao menos não com aquelas palavras.

“Eu disse. Acho que a Mel não te superou.” – Enter. Ela não achava, ela tinha certeza. – “Não quero parecer intrometida, mas eu acho que ela está obcecada. Acho que você deveria tomar cuidado.” – Enter.

Seu coração parecia não querer diminuir o ritmo. Mas aquilo era completamente esperado em qualquer tipo de conversa envolvendo Eric, ainda mais uma de teor difícil como aquela. Ela coçou aleatoriamente o joelho e o antebraço, num movimento inconsciente.

“Não teria vindo falar com você se não estivesse preocupada.

Sabe, ela não te superar é completamente problema dela… embora eu pense que ela deveria se cuidar. Talvez até procurar ajuda. E quero dizer um profissional.

As pessoas costumam ter muitos problemas com psicólogos, mas eles ajudam muito mais do que parece, se você encontrar o profissional correto. Eu recomendei isso pra Mel educadamente, mas ela não gostou muito.

Me xingou e tudo mais.” – Enter.

Ela dedicou um momento para analisar o que havia escrito. Talvez tivesse sido muito direta.

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