Malícia - M. Lestrange
M. Lestrange
M. Lestrange é, antes de qualquer coisa, um pseudônimo.
Bióloga de formação, apaixonada por leitura e maníaca das livrarias, pertence à casa Corvinal e faz visitas ocasionais ao reino das fadas para reunir material (e cobaias) para suas histórias.
Dizem os rumores que as tais fadas colocaram sua cabeça a prêmio.
Suas primeiras publicações físicas estão contidas em antologias, escreve para o blog literário Noite do Bardo e vez ou outra dá o ar de sua graça no Wattpad.






Malícia

“Eu não me importei. Entendo que não é um assunto fácil pra ela.” – Enter. Mentira. Ela se importava demais. Seu primeiro ímpeto havia sido gritar com a outra garota, até de puxar seu cabelo ou agredi-la de qualquer outra forma. Mas ela não podia, tinha uma reputação a zelar. Se Eric a visse como qualquer coisa diferente de uma vítima, então suas chances estariam realmente arruinadas.

“Carla, numa boa… O que você quer?” – Eric perguntou.

– Você. – Ela murmurou consigo mesma, voltando a coçar o antebraço, que agora estava vermelho.

“Apenas ajudar.” – Foi o que ela digitou em retorno.

Recebido.

A coceira se intensificou, e dessa vez ela realmente tomou ciência do que estava fazendo. A pele de seu antebraço esquerdo e parte da coxa próxima ao joelho estava vermelha e com pequenos pontos “empipocados”, como se estivesse com alergia.

“Quando eu precisar de ajuda, eu peço.” – Respondeu ele.

“Mas, você vê… É ESSE o problema!

É muito comum não querermos pedir ajuda no momento em que mais precisamos. A Mel claramente precisa de algum tipo de acompanhamento, mas se recusa a enxergar isso… mesmo quando eu praticamente desenhei isso pra ela.” – Enter. Carla estava visivelmente alterada, a coceira havia se espalhado para outros lugares, como seu pescoço e o braço direito, e ela teve que fazer diversas pausas inconvenientes em sua digitação para conter a aflição da coceira.

“Eu já falei com a Mel.” – Disse Eric.

As palavras a atingiram como um soco no estômago. Todo o seu planejamento e cuidado com as palavras, tudo que havia planejado… em vão. A resposta de Eric dançava perante seus olhos, e ela engoliu mais uma dose do ódio líquido que impregnava sua garganta.

– Não, não, não… – Carla começou a murmurar. A fina parede que mantinha seus sentimentos contidos finalmente se rompendo.

“Você sabe que ela mente, não é?” – Digitou a garota. – “Sabe que faria qualquer coisa pra não parecer que ela disse o que disse.” – Enter. Nova mentira. Melissa nunca dissera nada. Nunca assumira nada do que Carla a confrontara para assumir. Que ela nunca deixaria Eric seguir em frente, que ela nunca permitiria que outra pessoa o tivesse. Que ela gostava de fingir que não se importava porque sabia o efeito que isso causava. A maldita. Ela nunca dissera nada para que não existissem provas. Puta.

Carla quase conseguia ver a expressão debochada de Melissa, jurando a Eric que nunca havia dito nada daquilo. E o pior, dizendo a verdade.

Mas Carla sabia a verdade. E a verdade, por vezes, não precisa ser dita. A negação de uma pessoa viciada é, como via de regra, um atestado da verdade. E Melissa era uma viciada, seguramente. Viciada em mentir. Em fingir.

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M. Lestrange
Malícia

“Eu não me importei. Entendo que não é um assunto fácil pra ela.” – Enter. Mentira. Ela se importava demais. Seu primeiro ímpeto havia sido gritar com a outra garota, até de puxar seu cabelo ou agredi-la de qualquer outra forma. Mas ela não podia, tinha uma reputação a zelar. Se Eric a visse como qualquer coisa diferente de uma vítima, então suas chances estariam realmente arruinadas.

“Carla, numa boa… O que você quer?” – Eric perguntou.

– Você. – Ela murmurou consigo mesma, voltando a coçar o antebraço, que agora estava vermelho.

“Apenas ajudar.” – Foi o que ela digitou em retorno.

Recebido.

A coceira se intensificou, e dessa vez ela realmente tomou ciência do que estava fazendo. A pele de seu antebraço esquerdo e parte da coxa próxima ao joelho estava vermelha e com pequenos pontos “empipocados”, como se estivesse com alergia.

“Quando eu precisar de ajuda, eu peço.” – Respondeu ele.

“Mas, você vê… É ESSE o problema!

É muito comum não querermos pedir ajuda no momento em que mais precisamos. A Mel claramente precisa de algum tipo de acompanhamento, mas se recusa a enxergar isso… mesmo quando eu praticamente desenhei isso pra ela.” – Enter. Carla estava visivelmente alterada, a coceira havia se espalhado para outros lugares, como seu pescoço e o braço direito, e ela teve que fazer diversas pausas inconvenientes em sua digitação para conter a aflição da coceira.

“Eu já falei com a Mel.” – Disse Eric.

As palavras a atingiram como um soco no estômago. Todo o seu planejamento e cuidado com as palavras, tudo que havia planejado… em vão. A resposta de Eric dançava perante seus olhos, e ela engoliu mais uma dose do ódio líquido que impregnava sua garganta.

– Não, não, não… – Carla começou a murmurar. A fina parede que mantinha seus sentimentos contidos finalmente se rompendo.

“Você sabe que ela mente, não é?” – Digitou a garota. – “Sabe que faria qualquer coisa pra não parecer que ela disse o que disse.” – Enter. Nova mentira. Melissa nunca dissera nada. Nunca assumira nada do que Carla a confrontara para assumir. Que ela nunca deixaria Eric seguir em frente, que ela nunca permitiria que outra pessoa o tivesse. Que ela gostava de fingir que não se importava porque sabia o efeito que isso causava. A maldita. Ela nunca dissera nada para que não existissem provas. Puta.

Carla quase conseguia ver a expressão debochada de Melissa, jurando a Eric que nunca havia dito nada daquilo. E o pior, dizendo a verdade.

Mas Carla sabia a verdade. E a verdade, por vezes, não precisa ser dita. A negação de uma pessoa viciada é, como via de regra, um atestado da verdade. E Melissa era uma viciada, seguramente. Viciada em mentir. Em fingir.

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