Malícia - M. Lestrange
M. Lestrange
M. Lestrange é, antes de qualquer coisa, um pseudônimo.
Bióloga de formação, apaixonada por leitura e maníaca das livrarias, pertence à casa Corvinal e faz visitas ocasionais ao reino das fadas para reunir material (e cobaias) para suas histórias.
Dizem os rumores que as tais fadas colocaram sua cabeça a prêmio.
Suas primeiras publicações físicas estão contidas em antologias, escreve para o blog literário Noite do Bardo e vez ou outra dá o ar de sua graça no Wattpad.






Malícia

“Se nos encontrarmos, eu posso explicar melhor…

Não gosto da internet, as informações são sempre mal interpretadas…” – Enter. Era sua cartada final. Se ela pudesse ao menos ter um pouco de privacidade com ele, longe o burburinho dos corredores da escola e dos olhares vigilantes de Melissa, ela sabia que teria uma chance. Ele era capaz de passar por cima dela, Carla sabia disso.

Aquela puta não venceria.

“Carla.” – Disse ele.

A garota esperou ansiosamente uma resposta positiva. Ele não tinha nenhum motivo racional para recusar. Qualquer um que tivesse olhos seria capaz de ver que ela estava coberta de razão, que Melissa precisava ser controlada, urgentemente.

As primeiras gotas de sangue começavam a aparecer em seu braço esquerdo, ela já não estava mais prestando atenção à força que utilizava. A resposta, no entanto, removeu todo o chão sob seus pés.

“Eu não ligo pro que você pensa.”

Carla sentiu seu queixo cair tanto quanto sua anatomia permitia.

Não era possível.

A cegueira dele ia muito além do que ela imaginava.

Carla sempre fora uma garota racional, mas em momentos como aquele, ela estava bastante inclinada a acreditar em bruxaria. Em forças além da lógica e do controle psicológico. Em forças que podiam levar uma pessoa a fazer coisas que, normalmente, seriam impensáveis.

Ela deixou que um pequeno sorriso inconformado escapasse de seus lábios.

Eles até utilizavam as mesmas palavras. Chegava a ser ridículo.

Carla queria revidar, vomitar tudo que se passava em sua mente no teclado. Ela chegou a apanhar o celular para começar a enviar áudios através do aplicativos. Áudios eram muito mais agradáveis. Textos deixavam muitas margens para interpretação, que eram facilmente eliminadas com uma mensagem de voz, onde se podia saber exatamente o tom e a intensidade que a pessoa pretendera usar.

Ela chegou a abrir o aplicativo e pressionar violentamente o pequeno microfone no canto inferior da tela. Mas soltou o aparelho quando um rompante de coceira se desencadeou por seu braço.

Que hora maldita para se ter um ataque de alergias. Ela sentiu a dor dos pequenos ferimentos em seu pescoço e pernas começar a se manifestar mais intensamente. Quando foi que havia se coçado tanto? Poderia prestar mais atenção àquilo quanto tivesse terminado sua missão. Quando tivesse vencido.

Carla se concentrou em apanhar o celular e abrir o aplicativo novamente. Segurou o botão com o microfone e começou a falar. Ela havia gravado quase dois minutos inteiros quando viu a pequena bolinha verde ao lado do nome de Eric desaparecer.

Ele havia desconectado. Ela havia perdido sua atenção.

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M. Lestrange
Malícia

“Se nos encontrarmos, eu posso explicar melhor…

Não gosto da internet, as informações são sempre mal interpretadas…” – Enter. Era sua cartada final. Se ela pudesse ao menos ter um pouco de privacidade com ele, longe o burburinho dos corredores da escola e dos olhares vigilantes de Melissa, ela sabia que teria uma chance. Ele era capaz de passar por cima dela, Carla sabia disso.

Aquela puta não venceria.

“Carla.” – Disse ele.

A garota esperou ansiosamente uma resposta positiva. Ele não tinha nenhum motivo racional para recusar. Qualquer um que tivesse olhos seria capaz de ver que ela estava coberta de razão, que Melissa precisava ser controlada, urgentemente.

As primeiras gotas de sangue começavam a aparecer em seu braço esquerdo, ela já não estava mais prestando atenção à força que utilizava. A resposta, no entanto, removeu todo o chão sob seus pés.

“Eu não ligo pro que você pensa.”

Carla sentiu seu queixo cair tanto quanto sua anatomia permitia.

Não era possível.

A cegueira dele ia muito além do que ela imaginava.

Carla sempre fora uma garota racional, mas em momentos como aquele, ela estava bastante inclinada a acreditar em bruxaria. Em forças além da lógica e do controle psicológico. Em forças que podiam levar uma pessoa a fazer coisas que, normalmente, seriam impensáveis.

Ela deixou que um pequeno sorriso inconformado escapasse de seus lábios.

Eles até utilizavam as mesmas palavras. Chegava a ser ridículo.

Carla queria revidar, vomitar tudo que se passava em sua mente no teclado. Ela chegou a apanhar o celular para começar a enviar áudios através do aplicativos. Áudios eram muito mais agradáveis. Textos deixavam muitas margens para interpretação, que eram facilmente eliminadas com uma mensagem de voz, onde se podia saber exatamente o tom e a intensidade que a pessoa pretendera usar.

Ela chegou a abrir o aplicativo e pressionar violentamente o pequeno microfone no canto inferior da tela. Mas soltou o aparelho quando um rompante de coceira se desencadeou por seu braço.

Que hora maldita para se ter um ataque de alergias. Ela sentiu a dor dos pequenos ferimentos em seu pescoço e pernas começar a se manifestar mais intensamente. Quando foi que havia se coçado tanto? Poderia prestar mais atenção àquilo quanto tivesse terminado sua missão. Quando tivesse vencido.

Carla se concentrou em apanhar o celular e abrir o aplicativo novamente. Segurou o botão com o microfone e começou a falar. Ela havia gravado quase dois minutos inteiros quando viu a pequena bolinha verde ao lado do nome de Eric desaparecer.

Ele havia desconectado. Ela havia perdido sua atenção.

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