Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
M. Lestrange
M. Lestrange é, antes de qualquer coisa, um pseudônimo.
Bióloga de formação, apaixonada por leitura e maníaca das livrarias, pertence à casa Corvinal e faz visitas ocasionais ao reino das fadas para reunir material (e cobaias) para suas histórias.
Dizem os rumores que as tais fadas colocaram sua cabeça a prêmio.
Suas primeiras publicações físicas estão contidas em antologias, escreve para o blog literário Noite do Bardo e vez ou outra dá o ar de sua graça no Wattpad.






O outro lado

A data era 31 de outubro, e as atividades na casa eram intensas desde o dia anterior.

– Já preparou as sacolas de doces, querido? – Questionou a esposa.

– Quase, meu amor. – Respondeu ele, amarrando cuidadosamente os laços de fita laranja ao redor dos embrulhos transparentes repletos de gostosuras.

– Vitória! – Chamou a mulher. – VITÓRIA!

Ela e o marido escutaram os passos apressados descerem as escadas. A garota de longos cabelos castanhos lisos apareceu à porta da cozinha, arfando.

– Sim?

– Como estão as fantasias? – Perguntou a mãe.

– Quase prontas. – Respondeu Vitória.

– Maquiagens?

– Separadas.

– Seus amigos?

– Preparando as travessuras.

– Excelente!

– O que seremos esse ano? – Indagou o pai.

– Você será o Conde Drácula. – Anunciou Vitória. – Mamãe será a noiva de Frankenstein, eu serei uma bruxa e o pessoal… Bom, provavelmente as mesmas coisas do ano passado. Zumbis, lobisomens, esse tipo de coisa.

– Nada brasileiro? – Questionou Vitor, o pai, desapontado. – Temos tantas opções, e a maioria delas bastante simples.

Poderíamos ter um saci, uma Iara… O mais difícil seria o Curupira, mas acho que conseguiríamos comprar pés falsos em algum lugar. Ou, em último caso, usar as pantufas de monstro do ano passado ao contrário.

– Podia ter sugerido isso antes de eu ter todo o trabalho com a peruca da mamãe. – Reclamou Vitória.

– Ela tem razão, querido. – Concordou Bianca, a mãe. – Agora é muito tarde para mudarmos os planos. Além do que, as lojas seguramente já venderam todos os melhores produtos e fantasias a essa altura do campeonato.

– Tudo bem, tudo bem. – Rendeu-se Vítor. – Só estou sugerindo.

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M. Lestrange
O outro lado

A data era 31 de outubro, e as atividades na casa eram intensas desde o dia anterior.

– Já preparou as sacolas de doces, querido? – Questionou a esposa.

– Quase, meu amor. – Respondeu ele, amarrando cuidadosamente os laços de fita laranja ao redor dos embrulhos transparentes repletos de gostosuras.

– Vitória! – Chamou a mulher. – VITÓRIA!

Ela e o marido escutaram os passos apressados descerem as escadas. A garota de longos cabelos castanhos lisos apareceu à porta da cozinha, arfando.

– Sim?

– Como estão as fantasias? – Perguntou a mãe.

– Quase prontas. – Respondeu Vitória.

– Maquiagens?

– Separadas.

– Seus amigos?

– Preparando as travessuras.

– Excelente!

– O que seremos esse ano? – Indagou o pai.

– Você será o Conde Drácula. – Anunciou Vitória. – Mamãe será a noiva de Frankenstein, eu serei uma bruxa e o pessoal… Bom, provavelmente as mesmas coisas do ano passado. Zumbis, lobisomens, esse tipo de coisa.

– Nada brasileiro? – Questionou Vitor, o pai, desapontado. – Temos tantas opções, e a maioria delas bastante simples.

Poderíamos ter um saci, uma Iara… O mais difícil seria o Curupira, mas acho que conseguiríamos comprar pés falsos em algum lugar. Ou, em último caso, usar as pantufas de monstro do ano passado ao contrário.

– Podia ter sugerido isso antes de eu ter todo o trabalho com a peruca da mamãe. – Reclamou Vitória.

– Ela tem razão, querido. – Concordou Bianca, a mãe. – Agora é muito tarde para mudarmos os planos. Além do que, as lojas seguramente já venderam todos os melhores produtos e fantasias a essa altura do campeonato.

– Tudo bem, tudo bem. – Rendeu-se Vítor. – Só estou sugerindo.

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