Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
M. Lestrange
M. Lestrange é, antes de qualquer coisa, um pseudônimo.
Bióloga de formação, apaixonada por leitura e maníaca das livrarias, pertence à casa Corvinal e faz visitas ocasionais ao reino das fadas para reunir material (e cobaias) para suas histórias.
Dizem os rumores que as tais fadas colocaram sua cabeça a prêmio.
Suas primeiras publicações físicas estão contidas em antologias, escreve para o blog literário Noite do Bardo e vez ou outra dá o ar de sua graça no Wattpad.






O Pesadelo

Agora ela encarava o relógio. Seus olhos, já sem forças para piscar, fitavam os grandes números brilhantes em verde neon. 2:37 – anunciavam os números do relógio digital.
Mais um aperto fez-se sentir em seu peito. Podia sentir seu coração ser comprimido, paralisando o sangue em suas veias. O ar já lhe faltava havia algum tempo, embora os pulmões não tivessem parado de queimar. Respirar não era uma opção já havia alguns minutos.
Quem quer que tenha dito que no momento da morte a vida passa diante dos seus olhos era, seguramente, um otimista. No momento de sua morte, a única coisa que passava diante de seus olhos eram os grandes números verdes fluorescentes, anunciando 2:38 da manhã.
A coisa que se encontrava em cima de seu corpo permanecia como estivera desde o começo: impassível. A materialização de todos os seus piores pesadelos, envolto em um manto de medo, agonia e sombras. Christina já não se lembrava como tudo havia começado. Lembrava-se do alvoroço do despertar de um pesadelo, do coração batendo forte no peito e o suor frio descendo por suas costas. Algo a ver com um armário, talvez, mas não tinha muita certeza. Àquela altura, as memórias embaralhavam-se em sua cabeça, e não podiam ser confiadas.
O que não daria por uma batida vigorosa de seu coração agora. Uma, que fosse.
O Pesadelo apertou novamente seu coração, lenta e dolorosamente, espremendo-o apenas o suficiente para ainda causar-lhe dor, sem matá-la. Como um lobo faminto, que arranca todos os pedaços de carne presas ao osso, antes de finalmente roê-lo. E era isso, afinal, que o Pesadelo queria. Devorá-la. Ela percebia isso agora.
A cada novo aperto, um pouco mais de força vital deixava seu corpo. E apesar de não ter expressão, podia sentir que o Pesadelo se deliciava com aquela situação. Os grandes buracos negros que simbolizavam os olhos do Pesadelo eram subitamente muito mais expressivos. Deveria ser o tipo de percepção que se tem quando se está mais morta do que viva.
Christina podia sentir as garras frias do Pesadelo ao redor de seu coração, podia sentir a vontade com a qual ele espremia cada gota de sangue para fora das cavidades musculosas. Seus órgãos lutavam furiosamente para mantê-la viva. Seu cérebro tentava encontrar sentido no que estava acontecendo, seus pulmões tentavam desesperadamente buscar o ar… Sem sucesso.

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M. Lestrange
O Pesadelo

Agora ela encarava o relógio. Seus olhos, já sem forças para piscar, fitavam os grandes números brilhantes em verde neon. 2:37 – anunciavam os números do relógio digital.
Mais um aperto fez-se sentir em seu peito. Podia sentir seu coração ser comprimido, paralisando o sangue em suas veias. O ar já lhe faltava havia algum tempo, embora os pulmões não tivessem parado de queimar. Respirar não era uma opção já havia alguns minutos.
Quem quer que tenha dito que no momento da morte a vida passa diante dos seus olhos era, seguramente, um otimista. No momento de sua morte, a única coisa que passava diante de seus olhos eram os grandes números verdes fluorescentes, anunciando 2:38 da manhã.
A coisa que se encontrava em cima de seu corpo permanecia como estivera desde o começo: impassível. A materialização de todos os seus piores pesadelos, envolto em um manto de medo, agonia e sombras. Christina já não se lembrava como tudo havia começado. Lembrava-se do alvoroço do despertar de um pesadelo, do coração batendo forte no peito e o suor frio descendo por suas costas. Algo a ver com um armário, talvez, mas não tinha muita certeza. Àquela altura, as memórias embaralhavam-se em sua cabeça, e não podiam ser confiadas.
O que não daria por uma batida vigorosa de seu coração agora. Uma, que fosse.
O Pesadelo apertou novamente seu coração, lenta e dolorosamente, espremendo-o apenas o suficiente para ainda causar-lhe dor, sem matá-la. Como um lobo faminto, que arranca todos os pedaços de carne presas ao osso, antes de finalmente roê-lo. E era isso, afinal, que o Pesadelo queria. Devorá-la. Ela percebia isso agora.
A cada novo aperto, um pouco mais de força vital deixava seu corpo. E apesar de não ter expressão, podia sentir que o Pesadelo se deliciava com aquela situação. Os grandes buracos negros que simbolizavam os olhos do Pesadelo eram subitamente muito mais expressivos. Deveria ser o tipo de percepção que se tem quando se está mais morta do que viva.
Christina podia sentir as garras frias do Pesadelo ao redor de seu coração, podia sentir a vontade com a qual ele espremia cada gota de sangue para fora das cavidades musculosas. Seus órgãos lutavam furiosamente para mantê-la viva. Seu cérebro tentava encontrar sentido no que estava acontecendo, seus pulmões tentavam desesperadamente buscar o ar… Sem sucesso.

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