Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
M. Lestrange
M. Lestrange é, antes de qualquer coisa, um pseudônimo.
Bióloga de formação, apaixonada por leitura e maníaca das livrarias, pertence à casa Corvinal e faz visitas ocasionais ao reino das fadas para reunir material (e cobaias) para suas histórias.
Dizem os rumores que as tais fadas colocaram sua cabeça a prêmio.
Suas primeiras publicações físicas estão contidas em antologias, escreve para o blog literário Noite do Bardo e vez ou outra dá o ar de sua graça no Wattpad.






O Pesadelo

“Parem.” – ela gostaria de poder dizer a eles. – “Nós já estamos mortos.”
Seu corpo parecia afundar gradualmente no colchão, tornando-se cada vez mais pesado. Sua visão começou a ficar turva, gradualmente a princípio, depois tudo de uma vez, deixando-a com pequenas nuances de verde, preto e cinza dançando à sua frente.
Pensou em rezar, mas nenhuma prece lhe vinha à mente. E sentia frio, muito frio.
Era curioso como o tempo passava devagar enquanto se estava morrendo. Como podia sentir cada parte de seu corpo morrendo lentamente. Os olhos ressecando, lábios trincando, membros cada vez mais inertes, pesados… Seus pulmões em chamas, tentando desesperadamente trazê-la de volta à vida.
“Não lutem… Nós já estamos mortos.”
E então, fez-se silêncio.
Um longo e doce silêncio. Dentro do Silêncio, não precisava mais sentir seus pulmões agonizantes, nem seu coração destroçado. Seus olhos fecharam-se, apreciando a paz daquele momento, deixando toda a dor, sofrimento e pesadelos para trás. Jamais saberia dizer quanto tempo passou dentro do Silêncio. Segundos, minutos… Ou anos, talvez. O Silêncio era envolvente, calmo… Seguro.
Christina estava flutuando sem rumo na imensidão do Silêncio quando um som oco reverberou pelo ambiente. Era distante, a princípio, quase inexistente. Mas tornou-se mais forte, insistente. Repetitivo. Como o alarme do despertador que invade um sono profundo, trazendo-nos de volta à realidade. Ignorou o quanto pôde, até que foi vencida pela curiosidade.
E abriu os olhos.
As imagens foram confusas a princípio. Ela se viu em um pequeno aposento mergulhado nas sombras, com grandes formas inertes ao seu redor. Levou algum tempo até que se desse conta de que seu peito subia e descia levemente em intervalos regulares novamente. Estava respirando. Mais importante que isso: seus pulmões não ardiam ou queimavam com a dor da morte iminente.
Pouco a pouco, a compreensão veio: aquele era seu quarto. Pacífico e silencioso, como costumava ser durante a madrugada.

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M. Lestrange
O Pesadelo

“Parem.” – ela gostaria de poder dizer a eles. – “Nós já estamos mortos.”
Seu corpo parecia afundar gradualmente no colchão, tornando-se cada vez mais pesado. Sua visão começou a ficar turva, gradualmente a princípio, depois tudo de uma vez, deixando-a com pequenas nuances de verde, preto e cinza dançando à sua frente.
Pensou em rezar, mas nenhuma prece lhe vinha à mente. E sentia frio, muito frio.
Era curioso como o tempo passava devagar enquanto se estava morrendo. Como podia sentir cada parte de seu corpo morrendo lentamente. Os olhos ressecando, lábios trincando, membros cada vez mais inertes, pesados… Seus pulmões em chamas, tentando desesperadamente trazê-la de volta à vida.
“Não lutem… Nós já estamos mortos.”
E então, fez-se silêncio.
Um longo e doce silêncio. Dentro do Silêncio, não precisava mais sentir seus pulmões agonizantes, nem seu coração destroçado. Seus olhos fecharam-se, apreciando a paz daquele momento, deixando toda a dor, sofrimento e pesadelos para trás. Jamais saberia dizer quanto tempo passou dentro do Silêncio. Segundos, minutos… Ou anos, talvez. O Silêncio era envolvente, calmo… Seguro.
Christina estava flutuando sem rumo na imensidão do Silêncio quando um som oco reverberou pelo ambiente. Era distante, a princípio, quase inexistente. Mas tornou-se mais forte, insistente. Repetitivo. Como o alarme do despertador que invade um sono profundo, trazendo-nos de volta à realidade. Ignorou o quanto pôde, até que foi vencida pela curiosidade.
E abriu os olhos.
As imagens foram confusas a princípio. Ela se viu em um pequeno aposento mergulhado nas sombras, com grandes formas inertes ao seu redor. Levou algum tempo até que se desse conta de que seu peito subia e descia levemente em intervalos regulares novamente. Estava respirando. Mais importante que isso: seus pulmões não ardiam ou queimavam com a dor da morte iminente.
Pouco a pouco, a compreensão veio: aquele era seu quarto. Pacífico e silencioso, como costumava ser durante a madrugada.

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