Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
M. Lestrange
M. Lestrange é, antes de qualquer coisa, um pseudônimo.
Bióloga de formação, apaixonada por leitura e maníaca das livrarias, pertence à casa Corvinal e faz visitas ocasionais ao reino das fadas para reunir material (e cobaias) para suas histórias.
Dizem os rumores que as tais fadas colocaram sua cabeça a prêmio.
Suas primeiras publicações físicas estão contidas em antologias, escreve para o blog literário Noite do Bardo e vez ou outra dá o ar de sua graça no Wattpad.






O sotão

Dizem que o que os olhos não veem o coração não sente.

Pode ser que seja verdade. Mas isso depende de, ao menos, se manter os olhos fechados. Certo?

Meu nome é Lorena, e tenho uma história a contar.

Não faz muito tempo, fui passar as férias na casa de meus avós. Eles têm uma casa em uma cidadezinha do interior paulista pra onde sempre vou, desde que consigo me lembrar.

A casa de meus avós é bastante antiga, construída ainda na década de 60, e tem cômodos bastante grandes, o que sempre me agradou bastante. Os quartos são imensos, na sala de jantar cabem facilmente umas vinte pessoas e meu avô faz questão de estender sua biblioteca – que teve origem na sala de televisão – para todos os cantos da casa onde se é possível instalar uma estante.

Nada de muito emocionante acontece no interior, mas eu tenho tempo de sobra para usar o computador e ficar acordada até tarde, coisa que dificilmente acontece em tempos de aula.

De qualquer forma, existem alguns lugares da casa pouco explorados por mim, principalmente por possuírem um sinal de wifi terrível. Dentre eles estão: o quarto onde meus avós dormem; o jardim da parte de trás da casa e o sótão. Estranhamente, meus avós acharam que seria legal ter um desses na planta da casa.

Por alguma razão, aquele sótão sempre me causou arrepios. Eu culpo os filmes de terror, principalmente. Malditos americanos e as assombrações que tem atração por ambientes úmidos e precariamente iluminados.

No entanto, nem a falta de wifi me impede de ser o que sou de melhor: curiosa. Simplesmente não consigo evitar. Não é maldade, veja bem. Mas não consigo lidar com coisas como histórias pelos meios, fofocas inacabadas ou mensagens de texto não enviadas. Isso só pra começar a lista.

Nessas férias, decidi que iria me aventurar por lugares do interior que ainda não havia explorado. Pode parecer que eu estava de castigo e que minha mãe tinha me despachado de viagem sem o meu celular, deixando minha avó sob ordens expressas de vetar o meu acesso à internet. Mas eu prefiro dizer que meu senso aventureiro estava aguçado.

Levei uns dois ou três dias para finalmente tomar a coragem de entrar no sótão. Eu teria ido logo no dia em que cheguei, mas meu avô estava ocupado colocando veneno por todo o lugar, havia uma infestação de ratos ou algo assim. Minha avó me disse que estava tendo problemas para dormir na última semana devido aos arranhões dos bichos no forro do sótão.

Páginas: 1 2 3

M. Lestrange
O sotão

Dizem que o que os olhos não veem o coração não sente.

Pode ser que seja verdade. Mas isso depende de, ao menos, se manter os olhos fechados. Certo?

Meu nome é Lorena, e tenho uma história a contar.

Não faz muito tempo, fui passar as férias na casa de meus avós. Eles têm uma casa em uma cidadezinha do interior paulista pra onde sempre vou, desde que consigo me lembrar.

A casa de meus avós é bastante antiga, construída ainda na década de 60, e tem cômodos bastante grandes, o que sempre me agradou bastante. Os quartos são imensos, na sala de jantar cabem facilmente umas vinte pessoas e meu avô faz questão de estender sua biblioteca – que teve origem na sala de televisão – para todos os cantos da casa onde se é possível instalar uma estante.

Nada de muito emocionante acontece no interior, mas eu tenho tempo de sobra para usar o computador e ficar acordada até tarde, coisa que dificilmente acontece em tempos de aula.

De qualquer forma, existem alguns lugares da casa pouco explorados por mim, principalmente por possuírem um sinal de wifi terrível. Dentre eles estão: o quarto onde meus avós dormem; o jardim da parte de trás da casa e o sótão. Estranhamente, meus avós acharam que seria legal ter um desses na planta da casa.

Por alguma razão, aquele sótão sempre me causou arrepios. Eu culpo os filmes de terror, principalmente. Malditos americanos e as assombrações que tem atração por ambientes úmidos e precariamente iluminados.

No entanto, nem a falta de wifi me impede de ser o que sou de melhor: curiosa. Simplesmente não consigo evitar. Não é maldade, veja bem. Mas não consigo lidar com coisas como histórias pelos meios, fofocas inacabadas ou mensagens de texto não enviadas. Isso só pra começar a lista.

Nessas férias, decidi que iria me aventurar por lugares do interior que ainda não havia explorado. Pode parecer que eu estava de castigo e que minha mãe tinha me despachado de viagem sem o meu celular, deixando minha avó sob ordens expressas de vetar o meu acesso à internet. Mas eu prefiro dizer que meu senso aventureiro estava aguçado.

Levei uns dois ou três dias para finalmente tomar a coragem de entrar no sótão. Eu teria ido logo no dia em que cheguei, mas meu avô estava ocupado colocando veneno por todo o lugar, havia uma infestação de ratos ou algo assim. Minha avó me disse que estava tendo problemas para dormir na última semana devido aos arranhões dos bichos no forro do sótão.

Páginas: 1 2 3