Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
M. Lestrange
M. Lestrange é, antes de qualquer coisa, um pseudônimo.
Bióloga de formação, apaixonada por leitura e maníaca das livrarias, pertence à casa Corvinal e faz visitas ocasionais ao reino das fadas para reunir material (e cobaias) para suas histórias.
Dizem os rumores que as tais fadas colocaram sua cabeça a prêmio.
Suas primeiras publicações físicas estão contidas em antologias, escreve para o blog literário Noite do Bardo e vez ou outra dá o ar de sua graça no Wattpad.






Quando vem o frio…

A casa estava silenciosa naquela noite, como estivera na maioria das noites naquela semana. As meninas dormiam em seu quarto, no beliche, e mamãe e papai dormiam no quarto em frente.
A luz do corredor ficava acesa.
As meninas tinham medo do escuro.
O quarto dele era o menor, no final do corredor. Era um bom quarto. As paredes eram pintadas de azul, seus brinquedos estavam sempre organizados na pequena estante ao lado da cômoda branca, aonde mamãe guardava suas roupas.
Naquela noite, como em todas as noites nos últimos tempos, ele estava acordado, deitado em sua pequena cama, observando os pequenos adesivos de estrelas brilharem no teto de seu quarto. Estava sendo difícil dormir.
Não sabia muito bem por quê.
As coisas pareciam um pouco erradas nos últimos tempos.
Já havia algum tempo que as meninas não brincavam com ele. Tentava se aproximar, até levava alguns de seus brinquedos. Mas elas sempre o ignoravam. Mamãe também ficava brava quando os encontravam no quarto delas, dizia que não deveriam brincar com os brinquedos dele.
Era estranho.
Mamãe costumava brigar para que elas o incluíssem nas brincadeiras, não o contrário. As meninas sempre foram boazinhas. Talvez ele estivesse de castigo.
Talvez tivesse feito algo errado.
Sim, poderia ser isso.
Precisava lembrar-se de perguntar pra mamãe o que era. Precisava pedir desculpas. Daí, talvez, mamãe deixasse que as meninas voltassem a brincar com ele. Brincar sozinho era muito chato.
Precisava dormir, estava ficando tarde.
Da última vez que fora ao banheiro, vira o relógio da sala marcando onze horas. Mamãe e papai não gostavam que dormisse tarde. Diziam que precisava levantar cedo para ir à escola. A escola era legal, mas ele já não ia há alguns dias.
Talvez as férias tivessem chegado.

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M. Lestrange
Quando vem o frio…

A casa estava silenciosa naquela noite, como estivera na maioria das noites naquela semana. As meninas dormiam em seu quarto, no beliche, e mamãe e papai dormiam no quarto em frente.
A luz do corredor ficava acesa.
As meninas tinham medo do escuro.
O quarto dele era o menor, no final do corredor. Era um bom quarto. As paredes eram pintadas de azul, seus brinquedos estavam sempre organizados na pequena estante ao lado da cômoda branca, aonde mamãe guardava suas roupas.
Naquela noite, como em todas as noites nos últimos tempos, ele estava acordado, deitado em sua pequena cama, observando os pequenos adesivos de estrelas brilharem no teto de seu quarto. Estava sendo difícil dormir.
Não sabia muito bem por quê.
As coisas pareciam um pouco erradas nos últimos tempos.
Já havia algum tempo que as meninas não brincavam com ele. Tentava se aproximar, até levava alguns de seus brinquedos. Mas elas sempre o ignoravam. Mamãe também ficava brava quando os encontravam no quarto delas, dizia que não deveriam brincar com os brinquedos dele.
Era estranho.
Mamãe costumava brigar para que elas o incluíssem nas brincadeiras, não o contrário. As meninas sempre foram boazinhas. Talvez ele estivesse de castigo.
Talvez tivesse feito algo errado.
Sim, poderia ser isso.
Precisava lembrar-se de perguntar pra mamãe o que era. Precisava pedir desculpas. Daí, talvez, mamãe deixasse que as meninas voltassem a brincar com ele. Brincar sozinho era muito chato.
Precisava dormir, estava ficando tarde.
Da última vez que fora ao banheiro, vira o relógio da sala marcando onze horas. Mamãe e papai não gostavam que dormisse tarde. Diziam que precisava levantar cedo para ir à escola. A escola era legal, mas ele já não ia há alguns dias.
Talvez as férias tivessem chegado.

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