Maldohorror: especial 2 anos - Maldohorror
Maldohorror
Um coletivo existe para fazer experiência. E é isso que você verá aqui.
Eu sou Maldohorror.
Eu tenho muitas faces...
Eu tenho muitos estilos...




Não espere finais felizes.






Maldohorror: especial 2 anos

      Era um dia quente, quente como uma fornalha.

      Laura abriu os olhos com alguma dificuldade e se viu deitada no acostamento duma estrada de interior. Levantou-se lentamente ainda com a visão turva e uma sede descomunal. Olhou ao redor e se viu em uma região agrícola, com plantação de cana de açúcar, soja e alguns hiatos de capoeira; um remendo do que um dia fora uma grande floresta.

      Como ela parou aí?

      Conferiu seu corpo e não tinha nenhuma marca de sujeira, sangue, violência: nada.

      Olhou para os dois lados da estrada e não havia nenhum carro se aproximando. Forçando um pouco mais a visão, viu ao longe o que parecia ser uma casa. Uma esperança se acendeu em seu coração. Com passos largos se dirigiu para a casa e quanto mais se aproximava, mais podia ver seus detalhes: era grande, antiga, com um paiol de cereais ao lado.

      Do lado de fora, tinha um senhor idoso que estava “escalpelando” um porco que acabara de matar.

      — Bom dia, senhor.

      O velho virou-se para Laura e com um olhar fundo e vazio apenas balbuciou:

      — Fuja daqui, menina. Esse não é um lugar para você.

(E. B. Toniolli)

_____________

 

      Ela podia não saber onde estava, mas de uma coisa sabia: garotas podiam fazer o que quiserem. E não seria um velho sádico que diria a ela o que fazer. Após olhar com desdém para o idoso, caminhou em direção à casa. Entre o paiol e o casarão, ouviu gemidos atrás de um arbusto. Com medo de estar atrapalhando a diversão dos jovens locais, alentou seus passos para não fazer barulho.

      — Ah! Uh! Vai, malhadinha! Papai quer um netinho! Eu vou gozar dentro hoje! Hmmm… Vai, malhada! Vai! Vai! Ahhhhhhh…

      Por um instante, Laura parou, arregalou os olhos e virou a cabeça para o arbusto de onde vinham os gemidos obscenos e altos. Forçando a vista, pôde perceber que um homem parecia desgrudar-se de uma… vaca! O homem abriu caminho entre o arbusto com seus braços, e deu de cara com Laura, que estava assustada pensando na conversa dele fazer um filho em uma vaca e olhando para o corpulento homem que estava em sua frente, com a calça aberta e um pênis enorme pingando — provavelmente do resto de sêmen que fecundaria a Malhada.

      Sua vagina estava molhada ao ver a cena, mas não era prazer.

      Laura mijou-se de medo.

(Fabiano Soares)

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Maldohorror: especial 2 anos

      Era um dia quente, quente como uma fornalha.

      Laura abriu os olhos com alguma dificuldade e se viu deitada no acostamento duma estrada de interior. Levantou-se lentamente ainda com a visão turva e uma sede descomunal. Olhou ao redor e se viu em uma região agrícola, com plantação de cana de açúcar, soja e alguns hiatos de capoeira; um remendo do que um dia fora uma grande floresta.

      Como ela parou aí?

      Conferiu seu corpo e não tinha nenhuma marca de sujeira, sangue, violência: nada.

      Olhou para os dois lados da estrada e não havia nenhum carro se aproximando. Forçando um pouco mais a visão, viu ao longe o que parecia ser uma casa. Uma esperança se acendeu em seu coração. Com passos largos se dirigiu para a casa e quanto mais se aproximava, mais podia ver seus detalhes: era grande, antiga, com um paiol de cereais ao lado.

      Do lado de fora, tinha um senhor idoso que estava “escalpelando” um porco que acabara de matar.

      — Bom dia, senhor.

      O velho virou-se para Laura e com um olhar fundo e vazio apenas balbuciou:

      — Fuja daqui, menina. Esse não é um lugar para você.

(E. B. Toniolli)

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      Ela podia não saber onde estava, mas de uma coisa sabia: garotas podiam fazer o que quiserem. E não seria um velho sádico que diria a ela o que fazer. Após olhar com desdém para o idoso, caminhou em direção à casa. Entre o paiol e o casarão, ouviu gemidos atrás de um arbusto. Com medo de estar atrapalhando a diversão dos jovens locais, alentou seus passos para não fazer barulho.

      — Ah! Uh! Vai, malhadinha! Papai quer um netinho! Eu vou gozar dentro hoje! Hmmm… Vai, malhada! Vai! Vai! Ahhhhhhh…

      Por um instante, Laura parou, arregalou os olhos e virou a cabeça para o arbusto de onde vinham os gemidos obscenos e altos. Forçando a vista, pôde perceber que um homem parecia desgrudar-se de uma… vaca! O homem abriu caminho entre o arbusto com seus braços, e deu de cara com Laura, que estava assustada pensando na conversa dele fazer um filho em uma vaca e olhando para o corpulento homem que estava em sua frente, com a calça aberta e um pênis enorme pingando — provavelmente do resto de sêmen que fecundaria a Malhada.

      Sua vagina estava molhada ao ver a cena, mas não era prazer.

      Laura mijou-se de medo.

(Fabiano Soares)

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