Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Maldohorror
Um coletivo existe para fazer experiência. E é isso que você verá aqui.
Eu sou Maldohorror.
Eu tenho muitas faces...
Eu tenho muitos estilos...




Não espere finais felizes.






Maldohorror: especial 2 anos

      O pênis do demônio se esticou, distanciando ainda mais as duas cabeças, os dois troncos começaram a se achatar, até atingir a espessura de uma lâmina. A figura medonha, ainda nas costas de Gertrudes, sorriu com desdém. Duas sombras projetadas na terra; cada uma, ao lado de cada ombro da devota descartável. As lâminas se abraçaram, com direito a um chafariz sanguinolento. A cabeça da velha caiu que nem um coco despencando entre as palhas de um coqueiro. O corpo ensanguentado bateu no chão imundo. O bebê continuou nos braços da vovó.

      — Mamãe! — As lágrimas jorraram, lavando a cara do punheteiro maluco.

      A mão dele ainda trabalhava quando o jato de porra cortou o ar. O desgraçado com pau de tesoura fodeu com a expectativa do Francis e cortou o laço sanguíneo com aquela família.

      — AGORA QUE SOU MATÉRIA, EU DISPENSO A FÉ DOS INFAMES.

(Bruno Costa)

_____________

 

      Shemhazau caminhou sob o luar, a pele vermelha refletia o ódio. Os olhos em brasa focavam a palidez de Francis, enquanto o corpo de Gertrudes ainda convulsionava. O demônio esticou um sorriso prateado; as presas curvas e serrilhadas gotejavam, os lábios rachados imprimiam a pestilência que o acompanhava. Shemhazau agarrou o feto e o abocanhou, nacos de carne foram arrancados, sangue borbulhou e a vida abominável da criatura foi ceifada. Francis gritava ensandecido enquanto Laura rastejava tentando se afastar daquela cena infernal.

      A mulher ficou de pé e após um esforço Hercúleo correu. A respiração entrecortada trazia o gosto amargo à boca, o suor gorgolejava e empapava a testa. As mãos úmidas atacaram o rosto e limparam as lágrimas que insistiam em atrapalhar a visão. Ela corria já sem esperanças quando ouviu um grunhido romper a noite. Olhou por sobre o ombro e viu Francis ser atacado por Shemhazau; o rosto do bastardo torcido numa expressão de agonia havia sido virado paras as costas, o maxilar pendia num grito silencioso, os olhos esbugalhados e incrédulos de uma morte prematura. Continuou a correr, mas a visão ficou turva e o mundo girou como num carrosel. O chão veio rápido e depois a escuridão se apossou de seus olhos.

(Wan Moura)

_____________

 

      O escuro era confortável. Não havia dor, não havia medo. Não havia nada no escuro.

      Laura poderia se acostumar com aquele sentimento.
      Por alguma razão, ela já não se lembrava tão bem do que tinha tanto medo. Conseguia se lembrar de uma vaca malhada, uma senhora suspeita e suas calças molhadas, mas não muito mais do que isso. Suas preocupações haviam sido apagadas, como todas as luzes à sua volta.

      “Está mais calma, criança?” – Sussurrou uma voz, calma como o escuro que a circundava.

      Sim, ela se sentia calma. Tão calma que mal podia fazer com que as palavras saíssem de sua boca. Suas palavras estavam tão preguiçosas como ela própria, usufruindo da calmaria.

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Maldohorror: especial 2 anos

      O pênis do demônio se esticou, distanciando ainda mais as duas cabeças, os dois troncos começaram a se achatar, até atingir a espessura de uma lâmina. A figura medonha, ainda nas costas de Gertrudes, sorriu com desdém. Duas sombras projetadas na terra; cada uma, ao lado de cada ombro da devota descartável. As lâminas se abraçaram, com direito a um chafariz sanguinolento. A cabeça da velha caiu que nem um coco despencando entre as palhas de um coqueiro. O corpo ensanguentado bateu no chão imundo. O bebê continuou nos braços da vovó.

      — Mamãe! — As lágrimas jorraram, lavando a cara do punheteiro maluco.

      A mão dele ainda trabalhava quando o jato de porra cortou o ar. O desgraçado com pau de tesoura fodeu com a expectativa do Francis e cortou o laço sanguíneo com aquela família.

      — AGORA QUE SOU MATÉRIA, EU DISPENSO A FÉ DOS INFAMES.

(Bruno Costa)

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      Shemhazau caminhou sob o luar, a pele vermelha refletia o ódio. Os olhos em brasa focavam a palidez de Francis, enquanto o corpo de Gertrudes ainda convulsionava. O demônio esticou um sorriso prateado; as presas curvas e serrilhadas gotejavam, os lábios rachados imprimiam a pestilência que o acompanhava. Shemhazau agarrou o feto e o abocanhou, nacos de carne foram arrancados, sangue borbulhou e a vida abominável da criatura foi ceifada. Francis gritava ensandecido enquanto Laura rastejava tentando se afastar daquela cena infernal.

      A mulher ficou de pé e após um esforço Hercúleo correu. A respiração entrecortada trazia o gosto amargo à boca, o suor gorgolejava e empapava a testa. As mãos úmidas atacaram o rosto e limparam as lágrimas que insistiam em atrapalhar a visão. Ela corria já sem esperanças quando ouviu um grunhido romper a noite. Olhou por sobre o ombro e viu Francis ser atacado por Shemhazau; o rosto do bastardo torcido numa expressão de agonia havia sido virado paras as costas, o maxilar pendia num grito silencioso, os olhos esbugalhados e incrédulos de uma morte prematura. Continuou a correr, mas a visão ficou turva e o mundo girou como num carrosel. O chão veio rápido e depois a escuridão se apossou de seus olhos.

(Wan Moura)

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      O escuro era confortável. Não havia dor, não havia medo. Não havia nada no escuro.

      Laura poderia se acostumar com aquele sentimento.
      Por alguma razão, ela já não se lembrava tão bem do que tinha tanto medo. Conseguia se lembrar de uma vaca malhada, uma senhora suspeita e suas calças molhadas, mas não muito mais do que isso. Suas preocupações haviam sido apagadas, como todas as luzes à sua volta.

      “Está mais calma, criança?” – Sussurrou uma voz, calma como o escuro que a circundava.

      Sim, ela se sentia calma. Tão calma que mal podia fazer com que as palavras saíssem de sua boca. Suas palavras estavam tão preguiçosas como ela própria, usufruindo da calmaria.

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