Obra coletiva: as faces do amor e da morte - Maldohorror
Maldohorror
Um coletivo existe para fazer experiência. E é isso que você verá aqui.
Eu sou Maldohorror.
Eu tenho muitas faces...
Eu tenho muitos estilos...




Não espere finais felizes.






Obra coletiva: as faces do amor e da morte

       Ângela voa nas asas de sua imaginação; vai muito além dos foguetes que são lançados no ar em comemoração a uma data fictícia, mas que ensurdece seus cães de guarda, estourando em sangue seus tímpanos, fazendo-os rosnam ferozmente ao céu e certamente atacariam com todas suas garras e dentes cada estouro na noite densa e escura dessa virada de ano enclausurada de desgosto. Tamanho é o desânimo que nem as estrelas e a lua se atreveram a lançar seus brilhos nesse insano planeta que aos poucos adoece por conta de seus habitantes dominantes.

       Buscando refúgio nas poucas florestas que ainda teimam em se impor aos aglomerados de cimento que circundam e invadem cada vez mais, trazendo consigo suas crenças, suas datas festivas e seus fogos de artifícios que tanto mal faz para seus amigos de pelos e tantos outros refugiados que com ela sobrevivem.

(Carli Bortolanza)

——- 

       Refugiados armados com facões, arcos, flechas, magia e ódio. Refugiados prontos para seguirem Ângela até o fim do mundo. Refugiados que finalmente revidariam os fogos de artifício com o fogo da guerra.

       Ângela abre o seu segundo par de asas, fazendo o seu corpo voar tanto quanto a sua imaginação desanimada; afinal, os seus também morreriam. Ainda assim, o exército urra de expectativa, um coro inumano e primal. Ela sinaliza com o punho erguido para os demais e até os cães cessam o barulho.

       — Chega de se esconder! Numa guerra mortos não comemoram esse rito que chamam de Réveillon. Eles nos caçaram e quase nos dizimaram. Mas agora, os humanos serão enterrados nos escombros de suas torres de cimento. E lembrem-se: a cabeça do Capitão Barth é minha! Marchem!

       As feras tomam forma, o solo estremece; e cães, do tamanho de cavalos, seguem na frente do agrupamento.

(Bruno Costa)

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Obra coletiva: as faces do amor e da morte

       Ângela voa nas asas de sua imaginação; vai muito além dos foguetes que são lançados no ar em comemoração a uma data fictícia, mas que ensurdece seus cães de guarda, estourando em sangue seus tímpanos, fazendo-os rosnam ferozmente ao céu e certamente atacariam com todas suas garras e dentes cada estouro na noite densa e escura dessa virada de ano enclausurada de desgosto. Tamanho é o desânimo que nem as estrelas e a lua se atreveram a lançar seus brilhos nesse insano planeta que aos poucos adoece por conta de seus habitantes dominantes.

       Buscando refúgio nas poucas florestas que ainda teimam em se impor aos aglomerados de cimento que circundam e invadem cada vez mais, trazendo consigo suas crenças, suas datas festivas e seus fogos de artifícios que tanto mal faz para seus amigos de pelos e tantos outros refugiados que com ela sobrevivem.

(Carli Bortolanza)

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       Refugiados armados com facões, arcos, flechas, magia e ódio. Refugiados prontos para seguirem Ângela até o fim do mundo. Refugiados que finalmente revidariam os fogos de artifício com o fogo da guerra.

       Ângela abre o seu segundo par de asas, fazendo o seu corpo voar tanto quanto a sua imaginação desanimada; afinal, os seus também morreriam. Ainda assim, o exército urra de expectativa, um coro inumano e primal. Ela sinaliza com o punho erguido para os demais e até os cães cessam o barulho.

       — Chega de se esconder! Numa guerra mortos não comemoram esse rito que chamam de Réveillon. Eles nos caçaram e quase nos dizimaram. Mas agora, os humanos serão enterrados nos escombros de suas torres de cimento. E lembrem-se: a cabeça do Capitão Barth é minha! Marchem!

       As feras tomam forma, o solo estremece; e cães, do tamanho de cavalos, seguem na frente do agrupamento.

(Bruno Costa)

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