Obra coletiva: as faces do amor e da morte - Maldohorror
Maldohorror
Um coletivo existe para fazer experiência. E é isso que você verá aqui.
Eu sou Maldohorror.
Eu tenho muitas faces...
Eu tenho muitos estilos...




Não espere finais felizes.






Obra coletiva: as faces do amor e da morte

       Ângela foi a primeira a tombar dilacerada pelas machadadas desferidas por Alexandre, com sua jugular ainda cheia de curativos, na batalha que se estendeu por onze luas.

       Batalha determinante, onde o exército de Alexandre exterminou, escaldou e comeu, um a um, todos aqueles cães bastardos de Ângela, preparados pelos cozinheiros das mais variadas formas e com os mais saborosos temperos afrodisíacos, porque foder era preciso.

       A pele de Ângela foi totalmente removida de seu corpo para a confecção de tamborins que animaram as quentes noitadas de comemorações de Alexandre, que guardou as porras das asas de sua inimiga como um precioso troféu.
Alexandre, Lucius e Capitão Barth não conseguiam conter a alegria e se abraçaram como se fossem colegiais em festa. Graças ao amor secreto que nutriam um pelo outro, o ato de traição fora possível e agora era tudo alegria.
Lucius tinha se ajoelhado e metido gostoso as genitálias de Alexandre em sua boca gulosa, fazendo com que seu líder supremo fosse ao paraíso com as mordidinhas meladas nervosas que dava no magnânimo pau, enquanto o próprio Alexandre também se deliciava com os bagos do Capitão Barth que pulsavam sobre sua língua marota.

       A orgia da vitória tinha o sabor e consistência do esperma quente que Lucius engolia saído fresquinho do pau de Alexandre, o Boka Loka das batalhas mais sanguinárias daquelas poucas florestas que ainda teimam em se impor aos aglomerados de cimento.

(Petter Baiestorf)

——-

       A orgia continuou por 7 luas. Dias e noites de sexo temperado com pólvora e magia antiga como a primeira traição. E continuaria por mais tempo se não fosse um fato bizarro que ocorreu precisamente na noite em homenagem à mãe terra: Ângela renasceu em meio ao campo de batalha. Mas não era a mesma Ângela: era um amontado de todos os cadáveres que tombaram ao seu lado, mas com a forma de seu corpo. Ela tinha mais de 50 metros de altura e seus olhos eram vermelhos como uma mistura de sangue e fogo. Tomada pela loucura de viver, Ângela empunhou uma espada feita de aglomerado de ossos e saiu dizimando as tropas inimigas. Ela gritava alto e seu grito era de puro desespero, e se confundia com os gritos de Alexandre e Lucius que foram cortados e amassados como folhas na tempestade. Ângela não tinha mais consciência. Em seu âmago só existia a sede de destruição e, vendo ao longe o brilho cinza da cidade, partiu ao seu encontro com os olhos brilhando de ódio e deixando um rastro de podridão a cada passo.

(E. B. Toniolli)

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Obra coletiva: as faces do amor e da morte

       Ângela foi a primeira a tombar dilacerada pelas machadadas desferidas por Alexandre, com sua jugular ainda cheia de curativos, na batalha que se estendeu por onze luas.

       Batalha determinante, onde o exército de Alexandre exterminou, escaldou e comeu, um a um, todos aqueles cães bastardos de Ângela, preparados pelos cozinheiros das mais variadas formas e com os mais saborosos temperos afrodisíacos, porque foder era preciso.

       A pele de Ângela foi totalmente removida de seu corpo para a confecção de tamborins que animaram as quentes noitadas de comemorações de Alexandre, que guardou as porras das asas de sua inimiga como um precioso troféu.
Alexandre, Lucius e Capitão Barth não conseguiam conter a alegria e se abraçaram como se fossem colegiais em festa. Graças ao amor secreto que nutriam um pelo outro, o ato de traição fora possível e agora era tudo alegria.
Lucius tinha se ajoelhado e metido gostoso as genitálias de Alexandre em sua boca gulosa, fazendo com que seu líder supremo fosse ao paraíso com as mordidinhas meladas nervosas que dava no magnânimo pau, enquanto o próprio Alexandre também se deliciava com os bagos do Capitão Barth que pulsavam sobre sua língua marota.

       A orgia da vitória tinha o sabor e consistência do esperma quente que Lucius engolia saído fresquinho do pau de Alexandre, o Boka Loka das batalhas mais sanguinárias daquelas poucas florestas que ainda teimam em se impor aos aglomerados de cimento.

(Petter Baiestorf)

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       A orgia continuou por 7 luas. Dias e noites de sexo temperado com pólvora e magia antiga como a primeira traição. E continuaria por mais tempo se não fosse um fato bizarro que ocorreu precisamente na noite em homenagem à mãe terra: Ângela renasceu em meio ao campo de batalha. Mas não era a mesma Ângela: era um amontado de todos os cadáveres que tombaram ao seu lado, mas com a forma de seu corpo. Ela tinha mais de 50 metros de altura e seus olhos eram vermelhos como uma mistura de sangue e fogo. Tomada pela loucura de viver, Ângela empunhou uma espada feita de aglomerado de ossos e saiu dizimando as tropas inimigas. Ela gritava alto e seu grito era de puro desespero, e se confundia com os gritos de Alexandre e Lucius que foram cortados e amassados como folhas na tempestade. Ângela não tinha mais consciência. Em seu âmago só existia a sede de destruição e, vendo ao longe o brilho cinza da cidade, partiu ao seu encontro com os olhos brilhando de ódio e deixando um rastro de podridão a cada passo.

(E. B. Toniolli)

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