Obra Coletiva: Pandemônio - Maldohorror
Maldohorror
Um coletivo existe para fazer experiência. E é isso que você verá aqui.
Eu sou Maldohorror.
Eu tenho muitas faces...
Eu tenho muitos estilos...




Não espere finais felizes.






Obra Coletiva: Pandemônio

Ela abriu os olhos. Aos pouco o foco foi ficando melhor a ponto de conseguir enxergar. Não reconheceu onde estava. Tateou em volta em busca de respostas e percebeu que estava deitada em uma cama. Tentou se levantar, mas estava muito fraca, como se estivesse dormindo há séculos. Fez um grande esforço e conseguiu se sentar na cama. Finalmente pôde analisar melhor o local onde estava. Era um quarto comum, com um guarda-roupa do seu lado esquerdo, uma escrivaninha com alguns livros em cima, na frente da cama, e uma janela de tamanho normal, por onde podia ver a copa de algumas árvores do seu lado direito. Ao seu lado havia um criado-mudo com um copo de água em cima. Não reconhecia nada, mas percebeu que estava morrendo de sede, pegou o copo e bebeu tudo de uma vez. Enquanto se hidratava, percebeu algo que fez arrepiarem todos os pelos do seu corpo: não sabia o próprio nome, nem onde morava ou quem eram seus familiares. — Quem sou eu? — murmurou baixinho. Então levou um susto, quando a porta do quarto abriu e uma senhora que aparentava uns 50 anos entrou. — Bom dia Sophia, meu nome é Amelie, como você está?

 

Adam Matos

 

            Ela não respondeu. Sophia? Aquele era mesmo o seu nome? A velha se aproximou devagar. A garota tentou reconhecê-la, os olhos buscavam qualquer sinal, qualquer marca, um mísero estímulo que pudesse lhe ajudar a se lembrar. Nada. Só uma velha com uma maquiagem pesada, brincos gigantes e vestida de branco.

            — Sophia, preciso que fale comigo. Como você está?

            — Eu não… não… eu não sei.

            — Posso me sentar? — Amelie olhou para cama.

            Apesar da hesitação, Sophia fez que sim com a cabeça. Sentada, a estranha respirou fundo e encarou a garota. O olhar clínico tinha o peso de uma análise.

            — A sua cara não nega. Você não sabe de nada. E isso significa que eu tenho que te dar isso.

            Amelie meteu a mão no bolso e estendeu a palma da mão com uma pílula verde. O gesto e as palavras daquela senhora fizeram Sophia recuar alguns centímetros. Amelie completou:

            — Era pra você tomar com a água. Mas pode ficar calma, se quiser eu trago mais. Você foi bem até agora. Tome isso e você se lembrará de tudo.

 

Bruno Costa

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Obra Coletiva: Pandemônio

Ela abriu os olhos. Aos pouco o foco foi ficando melhor a ponto de conseguir enxergar. Não reconheceu onde estava. Tateou em volta em busca de respostas e percebeu que estava deitada em uma cama. Tentou se levantar, mas estava muito fraca, como se estivesse dormindo há séculos. Fez um grande esforço e conseguiu se sentar na cama. Finalmente pôde analisar melhor o local onde estava. Era um quarto comum, com um guarda-roupa do seu lado esquerdo, uma escrivaninha com alguns livros em cima, na frente da cama, e uma janela de tamanho normal, por onde podia ver a copa de algumas árvores do seu lado direito. Ao seu lado havia um criado-mudo com um copo de água em cima. Não reconhecia nada, mas percebeu que estava morrendo de sede, pegou o copo e bebeu tudo de uma vez. Enquanto se hidratava, percebeu algo que fez arrepiarem todos os pelos do seu corpo: não sabia o próprio nome, nem onde morava ou quem eram seus familiares. — Quem sou eu? — murmurou baixinho. Então levou um susto, quando a porta do quarto abriu e uma senhora que aparentava uns 50 anos entrou. — Bom dia Sophia, meu nome é Amelie, como você está?

 

Adam Matos

 

            Ela não respondeu. Sophia? Aquele era mesmo o seu nome? A velha se aproximou devagar. A garota tentou reconhecê-la, os olhos buscavam qualquer sinal, qualquer marca, um mísero estímulo que pudesse lhe ajudar a se lembrar. Nada. Só uma velha com uma maquiagem pesada, brincos gigantes e vestida de branco.

            — Sophia, preciso que fale comigo. Como você está?

            — Eu não… não… eu não sei.

            — Posso me sentar? — Amelie olhou para cama.

            Apesar da hesitação, Sophia fez que sim com a cabeça. Sentada, a estranha respirou fundo e encarou a garota. O olhar clínico tinha o peso de uma análise.

            — A sua cara não nega. Você não sabe de nada. E isso significa que eu tenho que te dar isso.

            Amelie meteu a mão no bolso e estendeu a palma da mão com uma pílula verde. O gesto e as palavras daquela senhora fizeram Sophia recuar alguns centímetros. Amelie completou:

            — Era pra você tomar com a água. Mas pode ficar calma, se quiser eu trago mais. Você foi bem até agora. Tome isso e você se lembrará de tudo.

 

Bruno Costa

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