Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Marcão
Desde o colégio, sempre fui apaixonado pela leitura. Ganhei vários campeonatos de leitura, mas só foi a partir de 2010 que comecei a devorar livros de fantasia. Em 2014, comecei a escrever meu primeiro livro, que intitulei como O Príncipe, o qual relata uma trama sobre o filho da Bela Adormecida. Tenho alguns trabalhos no Wattpad e entrevistas para blogs. Possuo uma poesia numa coletânea da Editora Chiado. Em breve, sairá segunda edição do meu livro, que está em análise pela Editora Livros Prontos, além da seqüência, O Príncipe, o Deus Falso e o Espectro do Espelho.





Inferno Cósmico

Alguns não tinham olhos, mas iam em várias direções e, me aproximando rapidamente de uma dessas criaturas, novamente sem saber como, vi desenhar sobre uma pedra qualquer o mesmo símbolo que estava na testa dos pacientes do hospital. As criaturas começaram a olhar para o alto em seguida e, de maneira grotesca e primitiva, começaram a falar de cabeça erguida para o céu Mamoria, Mamoria, Mamoria. Logo após, o mesmo som ensurdecedor de trombeta ecoou e eu tapei os ouvidos com as mãos gritando. Novamente, ao ficar suspenso sobre a Terra, vi vulcões entrarem em erupção e maremotos acontecerem encobrindo tudo. Assim que uma sombra cobriu a Terra e olhei para trás…Acordei. Estava muito suado e respirava de modo ofegante. Senti um embrulho repentino no estômago e virei para o lado, vomitando. Jamais tinha sonhado com aquilo. Que criaturas tão pérfidas e grotescas vindas do espaço seriam aquelas? Aquilo era só um sonho ou um sinal de uma espécie de apocalipse próximo? A religião cristã poderia estar toda errada sobre nosso fim. Talvez não houvesse divindade criadora alguma, mas sim, algo ou alguma coisa tenha nos criado e encoberto nossa mente para que jamais nos lembrássemos de onde viemos. Poderíamos ser realmente frutos de uma evolução, mas trabalhados e manipulados por algo aterrador que nos manipula e nos induz a acreditar na fantasia. Contatei Helena e lhe contei o meu sonho. A ligação ficou muda e quando a chamei ela respondeu que sonhou a mesma coisa e que não éramos somente nós. Pediu que eu ligasse a televisão. A repórter estava falando exatamente sobre pessoas que estavam acordando em várias partes do mundo e contando sobre o mesmo sonho que eu e Helena tivéramos. Me deixei cair no sofá e, com a mão que estava desocupada, passei-a nos cabelos. Deixei o telefone cair no chão e nem sei se Helena estava falando alguma coisa. A reportagem passou a mostrar o símbolo que eu tinha visto a criatura desenhar com sua garra na pedra em vários lugares antigos: desde a testa da Esfinge e em tamanho maior nas pirâmides até nas pedras do Stonehenge. Peguei o telefone chamando pela minha colega e ela perguntou se tinha acontecido comigo. Me desculpei com ela apenas informando que eu estava em choque.

Na terça-feira, fui à Associação e notei o clima de tensão entre as pessoas. Todos faziam suas tarefas e mal se falavam. Helena veio me procurar e logo me fez sentar em sua mesa dizendo que não conseguiu dormir. Ficou sabendo que as pessoas do hospital acordaram, mas não se lembravam de nada da noite anterior. Também me contou que as igrejas estão pregando a vinda de Jesus cada vez mais próxima, mas aquele sonho, que com certeza assombrou a mente dos fanáticos, já demonstrou que não há Jesus algum vindo. Passei a ver sob a ótica daquele sonho terrível que eu e outros tenhamos sido um projeto fracassado. As convicções que eu tinha se dissolveram também. Sentia, às vezes, que estava num buraco quadrado e apertado com as paredes se fechando a minha volta. Peguei-me sussurrando aquela palavra Mamoria e visualizando o símbolo desconhecido que fotografei. Mostrei ao longo do dia para um amigo especialista em Antropologia e História, mas ele, apesar de fascinado, disse que não poderia me ajudar porque não havia registro de algo assim descoberto e a reportagem do sonho coletivo também o tinha deixado atônito. Eu poderia pensar nas pirâmides do Egito e do México apontando para cima e querendo dizer que tinham contato com algo, mas e o Stonehenge? E aquelas cabeças na Ilha de Páscoa?

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Marcão
Inferno Cósmico

Alguns não tinham olhos, mas iam em várias direções e, me aproximando rapidamente de uma dessas criaturas, novamente sem saber como, vi desenhar sobre uma pedra qualquer o mesmo símbolo que estava na testa dos pacientes do hospital. As criaturas começaram a olhar para o alto em seguida e, de maneira grotesca e primitiva, começaram a falar de cabeça erguida para o céu Mamoria, Mamoria, Mamoria. Logo após, o mesmo som ensurdecedor de trombeta ecoou e eu tapei os ouvidos com as mãos gritando. Novamente, ao ficar suspenso sobre a Terra, vi vulcões entrarem em erupção e maremotos acontecerem encobrindo tudo. Assim que uma sombra cobriu a Terra e olhei para trás…Acordei. Estava muito suado e respirava de modo ofegante. Senti um embrulho repentino no estômago e virei para o lado, vomitando. Jamais tinha sonhado com aquilo. Que criaturas tão pérfidas e grotescas vindas do espaço seriam aquelas? Aquilo era só um sonho ou um sinal de uma espécie de apocalipse próximo? A religião cristã poderia estar toda errada sobre nosso fim. Talvez não houvesse divindade criadora alguma, mas sim, algo ou alguma coisa tenha nos criado e encoberto nossa mente para que jamais nos lembrássemos de onde viemos. Poderíamos ser realmente frutos de uma evolução, mas trabalhados e manipulados por algo aterrador que nos manipula e nos induz a acreditar na fantasia. Contatei Helena e lhe contei o meu sonho. A ligação ficou muda e quando a chamei ela respondeu que sonhou a mesma coisa e que não éramos somente nós. Pediu que eu ligasse a televisão. A repórter estava falando exatamente sobre pessoas que estavam acordando em várias partes do mundo e contando sobre o mesmo sonho que eu e Helena tivéramos. Me deixei cair no sofá e, com a mão que estava desocupada, passei-a nos cabelos. Deixei o telefone cair no chão e nem sei se Helena estava falando alguma coisa. A reportagem passou a mostrar o símbolo que eu tinha visto a criatura desenhar com sua garra na pedra em vários lugares antigos: desde a testa da Esfinge e em tamanho maior nas pirâmides até nas pedras do Stonehenge. Peguei o telefone chamando pela minha colega e ela perguntou se tinha acontecido comigo. Me desculpei com ela apenas informando que eu estava em choque.

Na terça-feira, fui à Associação e notei o clima de tensão entre as pessoas. Todos faziam suas tarefas e mal se falavam. Helena veio me procurar e logo me fez sentar em sua mesa dizendo que não conseguiu dormir. Ficou sabendo que as pessoas do hospital acordaram, mas não se lembravam de nada da noite anterior. Também me contou que as igrejas estão pregando a vinda de Jesus cada vez mais próxima, mas aquele sonho, que com certeza assombrou a mente dos fanáticos, já demonstrou que não há Jesus algum vindo. Passei a ver sob a ótica daquele sonho terrível que eu e outros tenhamos sido um projeto fracassado. As convicções que eu tinha se dissolveram também. Sentia, às vezes, que estava num buraco quadrado e apertado com as paredes se fechando a minha volta. Peguei-me sussurrando aquela palavra Mamoria e visualizando o símbolo desconhecido que fotografei. Mostrei ao longo do dia para um amigo especialista em Antropologia e História, mas ele, apesar de fascinado, disse que não poderia me ajudar porque não havia registro de algo assim descoberto e a reportagem do sonho coletivo também o tinha deixado atônito. Eu poderia pensar nas pirâmides do Egito e do México apontando para cima e querendo dizer que tinham contato com algo, mas e o Stonehenge? E aquelas cabeças na Ilha de Páscoa?

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