Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Maria da Paz Guerreiro
Maria da Paz Guerreiro ou Paz Guerreiro. Nascida no Ceará, Estado que teve em Rachel de Queiroz a primeira mulher a ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras em 1977.
Com vida conturbada, vieram períodos de depressão mas também o incentivo de um psiquiatra, notável ser humano, a escrever um livro. Começou a escrever em maio de 2016.
Crer que o nome já fala por si. Vve na corda bamba, entre a razão e a emoção, pendendo sempre para o lado da segunda opção. Freud não explica.
O que pulsa no cérebro sai nas pontas dos dedos... A escrita é a cura... Enfim...

E-mail: mariadapazguerreiro@yahoo.com.br
Facebook: facebook.com/mariadapaz.guerreiro
Wattpad: @Pazguerreiro
Twitter: @mana-paz





Amor, mortal amor

A irmã Carolina acordou no meio de um violento tremor. Ainda agora, sentada na cama, banhada de suor, sentia violentos tremores íntimos, contrações involuntárias de um gozo desconhecido, que reprimia quando acordada… O relógio na parede marcava três horas da madrugada. A irmã jogou as cobertas para longe e se foi para o banheiro.

Abriu o chuveiro e deixou cair sobre o corpo ardente a água fria, esperando que aquilo pudesse apagar o fogo ardente que a consumia.

Em uma semana, aquela era a terceira vez que gozava dormindo! Aquilo devia ser conseqüência de sua prolongada abstinência sexual. Desde que entrara no convento, prometera a si mesma guardar para sempre os seus segredos e as vezes que fugira do colégio de freiras para se encontrar com os moleques que sempre rondavam o local, esperando por uma ou outra aluna mais afoita. Cansada de ser explorada e iludida, pegara nojo e horror de homens. De todos que haviam passado pela sua vida, nenhum prestava. Mentiam para ela. Então, decidira que iria viver no convento para sempre.

Enquanto acordada, não sentia falta, nem mesmo pensava em sexo. Mas, ao adormecer, seu corpo apetitoso de vinte anos assumia o comando e deixava aflorar o desejo reprimido…

O convento antigo e quase abandonado parecia fazer um par soturno com o vizinho cemitério São Lourenço. A lua clara permitia ver arabescos desenhados pelos ciprestes que se entrelaçavam nos portões enferrujados e pareciam brotar por cima dos dois muros enegrecidos pelo tempo.

Lá fora, uma sombra olhou fixamente para a janela fechada.

Lá dentro, em algum lugar, estava sua amada. Era quente e odiava ser possuída por ele. E a cada noite, sentia-se frustrada por ceder aos pecados carnais. E quando acordava, orava a Deus, sem se lembrar o verdadeiro motivo de tantos perdões que implorava a aquele que julgava ser o seu Senhor. Ela pensava que estava enlouquecendo e ele, o vampiro adorava isso.

A sombra então forçou a janela, que cedeu. E entrou novamente no convento. As portas talvez segurassem um ladrão comum, um humano normal. Mas não um vampiro.

Mal podia esperar para tocá-la, quente e macia, com cheiro de mulher. Saber que ela dormia sem roupa nenhuma lhe dava prazer.

Irmã Carolina era morena, profundos olhos cor de mel e longos cabelos castanhos. Estava se lavando, tentando sentir “a presença”, que era como ela chamava aquilo, um misto de desejo e medo em forma de homem, que misteriosamente sumia de seus pensamentos quando acordava ao amanhecer.

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Maria da Paz Guerreiro
Amor, mortal amor

A irmã Carolina acordou no meio de um violento tremor. Ainda agora, sentada na cama, banhada de suor, sentia violentos tremores íntimos, contrações involuntárias de um gozo desconhecido, que reprimia quando acordada… O relógio na parede marcava três horas da madrugada. A irmã jogou as cobertas para longe e se foi para o banheiro.

Abriu o chuveiro e deixou cair sobre o corpo ardente a água fria, esperando que aquilo pudesse apagar o fogo ardente que a consumia.

Em uma semana, aquela era a terceira vez que gozava dormindo! Aquilo devia ser conseqüência de sua prolongada abstinência sexual. Desde que entrara no convento, prometera a si mesma guardar para sempre os seus segredos e as vezes que fugira do colégio de freiras para se encontrar com os moleques que sempre rondavam o local, esperando por uma ou outra aluna mais afoita. Cansada de ser explorada e iludida, pegara nojo e horror de homens. De todos que haviam passado pela sua vida, nenhum prestava. Mentiam para ela. Então, decidira que iria viver no convento para sempre.

Enquanto acordada, não sentia falta, nem mesmo pensava em sexo. Mas, ao adormecer, seu corpo apetitoso de vinte anos assumia o comando e deixava aflorar o desejo reprimido…

O convento antigo e quase abandonado parecia fazer um par soturno com o vizinho cemitério São Lourenço. A lua clara permitia ver arabescos desenhados pelos ciprestes que se entrelaçavam nos portões enferrujados e pareciam brotar por cima dos dois muros enegrecidos pelo tempo.

Lá fora, uma sombra olhou fixamente para a janela fechada.

Lá dentro, em algum lugar, estava sua amada. Era quente e odiava ser possuída por ele. E a cada noite, sentia-se frustrada por ceder aos pecados carnais. E quando acordava, orava a Deus, sem se lembrar o verdadeiro motivo de tantos perdões que implorava a aquele que julgava ser o seu Senhor. Ela pensava que estava enlouquecendo e ele, o vampiro adorava isso.

A sombra então forçou a janela, que cedeu. E entrou novamente no convento. As portas talvez segurassem um ladrão comum, um humano normal. Mas não um vampiro.

Mal podia esperar para tocá-la, quente e macia, com cheiro de mulher. Saber que ela dormia sem roupa nenhuma lhe dava prazer.

Irmã Carolina era morena, profundos olhos cor de mel e longos cabelos castanhos. Estava se lavando, tentando sentir “a presença”, que era como ela chamava aquilo, um misto de desejo e medo em forma de homem, que misteriosamente sumia de seus pensamentos quando acordava ao amanhecer.

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