Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Maria da Paz Guerreiro
Maria da Paz Guerreiro ou Paz Guerreiro. Nascida no Ceará, Estado que teve em Rachel de Queiroz a primeira mulher a ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras em 1977.
Com vida conturbada, vieram períodos de depressão mas também o incentivo de um psiquiatra, notável ser humano, a escrever um livro. Começou a escrever em maio de 2016.
Crer que o nome já fala por si. Vve na corda bamba, entre a razão e a emoção, pendendo sempre para o lado da segunda opção. Freud não explica.
O que pulsa no cérebro sai nas pontas dos dedos... A escrita é a cura... Enfim...

E-mail: mariadapazguerreiro@yahoo.com.br
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Wattpad: @Pazguerreiro
Twitter: @mana-paz





Amor, mortal amor

Molhava as coxas com a água e esfregava vigorosamente, como se isso lavasse ou mesmo amenizasse as vezes que ela abriu as pernas para receber o cavalheiro das sombras. Sabia que era uma pecadora e que não teria redenção. Continuou a se lavar. Encheu a palma da mão de água e levou até a virilha. Molhou sua intimidade e percebeu-se de repente como estava excitada. Por um momento deixou-se imaginar se o fantasma viria esta noite ou não.

Foi quando o sentiu presente. Ela olhou para a porta de seu quarto. Sua pele arrepiou toda. Lá estava ele. Olhos invisíveis a faziam queimar com a luxúria infernal que a atraía tanto. Pensou que novamente estava sendo vítima de sua imaginação e se deitou. A presença pareceu sumir.

Estava quase cochilando, quando sentiu alguma coisa tocar seu seio. Um toque delicado, mas firme. Intrigada, abriu os olhos… Estava sozinha e o quarto inundado pela mórbida luz violeta do abajur. Mas, estaria mesmo sozinha? Carolina novamente teve a impressão de que olhos invisíveis a observavam… Fechou os olhos, tentando dormir novamente.

O toque se repetiu. Mais claro dessa vez, como se os dedos fortes de um homem acariciassem com firmeza seu mamilo. Dali a pouco, eram duas mãos invisíveis que massageavam seus bicos, fazendo-a se revolver de excitação. – Devo estar sonhando de novo! – pensou Carolina. Já não queria acordar.

De um pulo, ela se levantou apressada. Tentou em vão, sair do quarto.

-Boa noite, irmã.

A freira ficou sem ação, como sempre.

-Cria das trevas, me deixe em paz!

-Seu espírito diz isso. Seu corpo, no entanto, me deseja. Quero você. E a terei por toda a eternidade. – riu o vampiro.

A freira sabia que aquilo falava sério. E que se tentasse se matar durante o dia nunca alcançaria a graça para sua alma. Sempre ouvira de outras freiras que coisas horríveis ocorriam com as almas dos suicidas, e ela queria a redenção dos céus.

– Esta noite e em todas outras que o desejo me incendiar me servirás.

Irmã Carolina não sabia mais o que fazer, queimava de luxúria pela fria e invisível presença. Recuou um passo, mas o fantasma caminhou em sua direção. Ela sentiu-se acuada na parede, indefesa.

“Não me deixe cair em tentação…”

Ele se aproximou. Estava muito perto e ela virava o rosto para o lado, sem poder encarar aquela sombra.

-Olhe para o que sou.

Ela rezava em silêncio. O olhar de medo buscava forças em algum ponto invisível do céu.

O vampiro então a segurou nos braços. A mulher sentia o hálito fétido do morto vivo e seu estômago embrulhava. Uma lágrima de desespero escorreu de seus olhos. Suas mãos suavam…

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Maria da Paz Guerreiro
Amor, mortal amor

Molhava as coxas com a água e esfregava vigorosamente, como se isso lavasse ou mesmo amenizasse as vezes que ela abriu as pernas para receber o cavalheiro das sombras. Sabia que era uma pecadora e que não teria redenção. Continuou a se lavar. Encheu a palma da mão de água e levou até a virilha. Molhou sua intimidade e percebeu-se de repente como estava excitada. Por um momento deixou-se imaginar se o fantasma viria esta noite ou não.

Foi quando o sentiu presente. Ela olhou para a porta de seu quarto. Sua pele arrepiou toda. Lá estava ele. Olhos invisíveis a faziam queimar com a luxúria infernal que a atraía tanto. Pensou que novamente estava sendo vítima de sua imaginação e se deitou. A presença pareceu sumir.

Estava quase cochilando, quando sentiu alguma coisa tocar seu seio. Um toque delicado, mas firme. Intrigada, abriu os olhos… Estava sozinha e o quarto inundado pela mórbida luz violeta do abajur. Mas, estaria mesmo sozinha? Carolina novamente teve a impressão de que olhos invisíveis a observavam… Fechou os olhos, tentando dormir novamente.

O toque se repetiu. Mais claro dessa vez, como se os dedos fortes de um homem acariciassem com firmeza seu mamilo. Dali a pouco, eram duas mãos invisíveis que massageavam seus bicos, fazendo-a se revolver de excitação. – Devo estar sonhando de novo! – pensou Carolina. Já não queria acordar.

De um pulo, ela se levantou apressada. Tentou em vão, sair do quarto.

-Boa noite, irmã.

A freira ficou sem ação, como sempre.

-Cria das trevas, me deixe em paz!

-Seu espírito diz isso. Seu corpo, no entanto, me deseja. Quero você. E a terei por toda a eternidade. – riu o vampiro.

A freira sabia que aquilo falava sério. E que se tentasse se matar durante o dia nunca alcançaria a graça para sua alma. Sempre ouvira de outras freiras que coisas horríveis ocorriam com as almas dos suicidas, e ela queria a redenção dos céus.

– Esta noite e em todas outras que o desejo me incendiar me servirás.

Irmã Carolina não sabia mais o que fazer, queimava de luxúria pela fria e invisível presença. Recuou um passo, mas o fantasma caminhou em sua direção. Ela sentiu-se acuada na parede, indefesa.

“Não me deixe cair em tentação…”

Ele se aproximou. Estava muito perto e ela virava o rosto para o lado, sem poder encarar aquela sombra.

-Olhe para o que sou.

Ela rezava em silêncio. O olhar de medo buscava forças em algum ponto invisível do céu.

O vampiro então a segurou nos braços. A mulher sentia o hálito fétido do morto vivo e seu estômago embrulhava. Uma lágrima de desespero escorreu de seus olhos. Suas mãos suavam…

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