Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Maria da Paz Guerreiro
Maria da Paz Guerreiro ou Paz Guerreiro. Nascida no Ceará, Estado que teve em Rachel de Queiroz a primeira mulher a ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras em 1977.
Com vida conturbada, vieram períodos de depressão mas também o incentivo de um psiquiatra, notável ser humano, a escrever um livro. Começou a escrever em maio de 2016.
Crer que o nome já fala por si. Vve na corda bamba, entre a razão e a emoção, pendendo sempre para o lado da segunda opção. Freud não explica.
O que pulsa no cérebro sai nas pontas dos dedos... A escrita é a cura... Enfim...

E-mail: mariadapazguerreiro@yahoo.com.br
Facebook: facebook.com/mariadapaz.guerreiro
Wattpad: @Pazguerreiro
Twitter: @mana-paz





Eruptio

A massa de ar da Sibéria açoitava violentamente a pequena Sharakiwi e a aldeiazinha estava com suas montanhas cheias de neve. No fundo da paisagem branca e fria, destacava-se Monte Hikari, tão aparentemente inocente, que era difícil acreditar que há menos de um século ele causara a destruição de toda a aldeia. Era janeiro e a temperatura sempre se mantinha abaixo dos 8,5 graus negativos.

Akemi e Chiyeko Hishida estavam ansiosas para chegar em casa novamente. Aquele tinha sido o primeiro dia de aula e Kazuko, sua mãe, parecia bastante apreensiva quando elas saíram. Aos onze e doze anos de idade, elas não conseguiam entender a relação que sua mãe tinha com os sonhos. Apenas com elas acontecia isso… Frases como “Hoje vocês não podem sair de casa, é perigoso!”, quando na realidade não parecia haver perigo nenhum. E naquele dia, não poderia ter sido diferente. Sua mãe não queria que fossem para aula. Sonhara que uma criatura monstruosa desceria do monte e destruiria a todos. Não poderia ser verdade… pura bobagem de sonhos…

A manhã correra tranquila, apenas o frio cortante incomodara. Mas agora que estavam chegando, as camas de cobertores quentinhos seria o refúgio para amenizar a situação. Assim, começaram a percorrer a alameda que dava acesso à casa das duas. Aparentemente tudo estava bem. Nenhum monstro à vista. Somente um dia frio de uma segunda feira.

Chegaram assim, na cerca branca e baixa que circulava a casa. Alegremente, começaram a cantar músicas de um estilo que agradava aos jovens, porém Kazuko considerava as filhas jovens demais para gostar de tais letras musicais. Na verdade, como todo adolescente, elas queriam mesmo era chamar a atenção de sua mãe para seus atos. Estranhamente, sua mãe não apareceu para recebê-las, resmungando mal-humorada. Estranho também era o silêncio, que pareceu aumentar o frio que sentiam.

Apesar de ser meio dia, a casa estava escura, não sentiram o cheiro bom que sempre vinha da lareira, que aquecia dentro de casa. As lâmpadas deveriam estar acesas, mas apenas a escuridão e o silêncio reinavam. Assim, saíram às cegas, até que os pés pequenos de Akemi tropeçaram em algo que segurou em seu tornozelo. Akemi, soltando um grito caiu e se sentiu encharcada por algo viscoso e com cheiro oxidado.

Páginas: 1 2 3 4 5 6

A massa de ar da Sibéria açoitava violentamente a pequena Sharakiwi e a aldeiazinha estava com suas montanhas cheias de neve. No fundo da paisagem branca e fria, destacava-se Monte Hikari, tão aparentemente inocente, que era difícil acreditar que há menos de um século ele causara a destruição de toda a aldeia. Era janeiro e a temperatura sempre se mantinha abaixo dos 8,5 graus negativos.

Akemi e Chiyeko Hishida estavam ansiosas para chegar em casa novamente. Aquele tinha sido o primeiro dia de aula e Kazuko, sua mãe, parecia bastante apreensiva quando elas saíram. Aos onze e doze anos de idade, elas não conseguiam entender a relação que sua mãe tinha com os sonhos. Apenas com elas acontecia isso… Frases como “Hoje vocês não podem sair de casa, é perigoso!”, quando na realidade não parecia haver perigo nenhum. E naquele dia, não poderia ter sido diferente. Sua mãe não queria que fossem para aula. Sonhara que uma criatura monstruosa desceria do monte e destruiria a todos. Não poderia ser verdade… pura bobagem de sonhos…

A manhã correra tranquila, apenas o frio cortante incomodara. Mas agora que estavam chegando, as camas de cobertores quentinhos seria o refúgio para amenizar a situação. Assim, começaram a percorrer a alameda que dava acesso à casa das duas. Aparentemente tudo estava bem. Nenhum monstro à vista. Somente um dia frio de uma segunda feira.

Chegaram assim, na cerca branca e baixa que circulava a casa. Alegremente, começaram a cantar músicas de um estilo que agradava aos jovens, porém Kazuko considerava as filhas jovens demais para gostar de tais letras musicais. Na verdade, como todo adolescente, elas queriam mesmo era chamar a atenção de sua mãe para seus atos. Estranhamente, sua mãe não apareceu para recebê-las, resmungando mal-humorada. Estranho também era o silêncio, que pareceu aumentar o frio que sentiam.

Apesar de ser meio dia, a casa estava escura, não sentiram o cheiro bom que sempre vinha da lareira, que aquecia dentro de casa. As lâmpadas deveriam estar acesas, mas apenas a escuridão e o silêncio reinavam. Assim, saíram às cegas, até que os pés pequenos de Akemi tropeçaram em algo que segurou em seu tornozelo. Akemi, soltando um grito caiu e se sentiu encharcada por algo viscoso e com cheiro oxidado.

Páginas: 1 2 3 4 5 6