Eruptio - Maria da Paz Guerreiro
Maria da Paz Guerreiro
Maria da Paz Guerreiro ou Paz Guerreiro. Nascida no Ceará, Estado que teve em Rachel de Queiroz a primeira mulher a ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras em 1977.
Com vida conturbada, vieram períodos de depressão mas também o incentivo de um psiquiatra, notável ser humano, a escrever um livro. Começou a escrever em maio de 2016.
Crer que o nome já fala por si. Vve na corda bamba, entre a razão e a emoção, pendendo sempre para o lado da segunda opção. Freud não explica.
O que pulsa no cérebro sai nas pontas dos dedos... A escrita é a cura... Enfim...

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Eruptio

O terror deixou-a paralisada. Chiyeko lembrou-se então da lanterna do celular e dirigiu a luz na direção de sua irmã. E então viu, num lago de sangue, sua mãe e sua irmãzinha Shizaki, que tinha apenas dois anos. O foco de luz atingiu o rosto de Kazuko, horrivelmente deformado. Os olhos das duas meninas já haviam se acostumado com a escuridão e elas conseguiram chegar a um interruptor, acendendo as luzes.

Kazuko jazia no chão e apenas num estertor de morte havia segurado no pé de Akemi. Os olhos haviam sido arrancados, a pele do rosto e os cabelos estavam dentro de sua boca, horrivelmente escancarada, visto que o maxilar estava deslocado. Nua, os mamilos também pareciam ter sido arrancados e uma grande quantidade de um líquido esbranquiçado escorria por entre suas pernas e misturava-se com o sangue.

Sua barriga estava aberta e oca e ao lado dela, os restos de vísceras sujas com as fezes que saíam dos intestinos dilacerados.
Um pouco mais a frente, a pequena Shizaki, ou o que restou dela. Não havia cabeça, o corpinho havia sido rasgado totalmente e as duas partes dele estavam a metros de distância uma da outra.

As duas irmãs entraram em choque. Minutos depois viram algo esbranquiçado em meio às tripas de Kazuko. Chegando mais perto, viram que se tratava do celular de sua mãe, com uma última mensagem:

“SEU PAI PROMETEU A FAMÍLIA. ELE VOLTARÁ.”

A polícia era quase inoperante em Sharakiwi, onde jamais acontecera algo parecido… apenas vieram e viram a mensagem, sem ao menos saber quem voltaria, se o assassino ou o pai das meninas. Porém pela porta dos fundos, seguiram rastros estranhos, ensanguentados, que antes de sumirem na neve, denunciaram a direção tomada: o Monte Hikari. Não havia pista nenhuma, ninguém se aventuraria numa caçada. O pai das meninas havia desaparecido antes de Shizaki nascer. Restavam apenas Akemi e Chiyeko. Tão absortos em sua vontade de sair daquela casa, eles não perceberam que Chyieko os seguiu e que pegou algo que parecera ter sido deixado no caminho do assassino em fuga. Os restos dos corpos foram sepultados e o caso foi encerrado.

As meninas foram morar com uma tia em Gakayoma, aldeia vizinha. Talvez ela fosse o último membro de sua família. Pelo menos elas não conheciam outro. Akemi percebeu, porém, que sua irmã não se separava por um instante de um pequeno livro que parecia ter as páginas ensanguentadas. A casa foi isolada e todos pareceram ter esquecido a família Hishida. E se algum ancião já meio caduco comentasse algo, era seriamente repreendido pela família e se calava.

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O terror deixou-a paralisada. Chiyeko lembrou-se então da lanterna do celular e dirigiu a luz na direção de sua irmã. E então viu, num lago de sangue, sua mãe e sua irmãzinha Shizaki, que tinha apenas dois anos. O foco de luz atingiu o rosto de Kazuko, horrivelmente deformado. Os olhos das duas meninas já haviam se acostumado com a escuridão e elas conseguiram chegar a um interruptor, acendendo as luzes.

Kazuko jazia no chão e apenas num estertor de morte havia segurado no pé de Akemi. Os olhos haviam sido arrancados, a pele do rosto e os cabelos estavam dentro de sua boca, horrivelmente escancarada, visto que o maxilar estava deslocado. Nua, os mamilos também pareciam ter sido arrancados e uma grande quantidade de um líquido esbranquiçado escorria por entre suas pernas e misturava-se com o sangue.

Sua barriga estava aberta e oca e ao lado dela, os restos de vísceras sujas com as fezes que saíam dos intestinos dilacerados.
Um pouco mais a frente, a pequena Shizaki, ou o que restou dela. Não havia cabeça, o corpinho havia sido rasgado totalmente e as duas partes dele estavam a metros de distância uma da outra.

As duas irmãs entraram em choque. Minutos depois viram algo esbranquiçado em meio às tripas de Kazuko. Chegando mais perto, viram que se tratava do celular de sua mãe, com uma última mensagem:

“SEU PAI PROMETEU A FAMÍLIA. ELE VOLTARÁ.”

A polícia era quase inoperante em Sharakiwi, onde jamais acontecera algo parecido… apenas vieram e viram a mensagem, sem ao menos saber quem voltaria, se o assassino ou o pai das meninas. Porém pela porta dos fundos, seguiram rastros estranhos, ensanguentados, que antes de sumirem na neve, denunciaram a direção tomada: o Monte Hikari. Não havia pista nenhuma, ninguém se aventuraria numa caçada. O pai das meninas havia desaparecido antes de Shizaki nascer. Restavam apenas Akemi e Chiyeko. Tão absortos em sua vontade de sair daquela casa, eles não perceberam que Chyieko os seguiu e que pegou algo que parecera ter sido deixado no caminho do assassino em fuga. Os restos dos corpos foram sepultados e o caso foi encerrado.

As meninas foram morar com uma tia em Gakayoma, aldeia vizinha. Talvez ela fosse o último membro de sua família. Pelo menos elas não conheciam outro. Akemi percebeu, porém, que sua irmã não se separava por um instante de um pequeno livro que parecia ter as páginas ensanguentadas. A casa foi isolada e todos pareceram ter esquecido a família Hishida. E se algum ancião já meio caduco comentasse algo, era seriamente repreendido pela família e se calava.

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