Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Maria da Paz Guerreiro
Maria da Paz Guerreiro ou Paz Guerreiro. Nascida no Ceará, Estado que teve em Rachel de Queiroz a primeira mulher a ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras em 1977.
Com vida conturbada, vieram períodos de depressão mas também o incentivo de um psiquiatra, notável ser humano, a escrever um livro. Começou a escrever em maio de 2016.
Crer que o nome já fala por si. Vve na corda bamba, entre a razão e a emoção, pendendo sempre para o lado da segunda opção. Freud não explica.
O que pulsa no cérebro sai nas pontas dos dedos... A escrita é a cura... Enfim...

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Gullveig

       Gullveig vivia na Aquilânia, uma pequena ilha do Mar Mediterrâneo. O ano era 1453. Uma mistura de superstição e fervor religioso combinado com motivações políticas e paranoia provocara a caça às bruxas e esta varria o sul da Europa. Uma psicose se instalara. Comunidades acusavam seus membros de feitiçarias. Uma epidemia provocou muitas mortes que foram atribuídas às mulheres da região, de preferência as muito magras e feias.

       As bruxas eram retratadas como mulheres feias, que nuas, voavam em vassouras, adoravam ao diabo e sacrificavam crianças para conseguir realizar os desejos mais sórdidos. A Santa Inquisição, instituída para combater a heresia, agravou situação. Presas, submetidas a interrogatórios e torturadas, algumas acabavam por confessar seus crimes contra as crianças e eram condenadas à fogueira pelo conselheiro municipal. As que não confessavam eram, muitas vezes, linchadas e queimadas pela multidão, irritada com a falta de condenação. Os bruxos existiam, mas eram as mulheres, sobretudo, que eram queimadas nas fogueiras medievais.

       E em sua cabana, escondida do mundo, Gullveig esperava. Era uma bela mulher que aparentava não mais que vinte anos. Vestia-se com simplicidade, mas assim mesmo quem a visse certamente ficaria encantado. Seu corpo era cheio de curvas ressaltadas pelo negro de suas vestes, que também contrastavam com seus longos cabelos vermelhos, realçando um rosto de pele branca, com lindos olhos verdes e uma boca vermelha e carnuda que às vezes deixava escapar um sorriso, talvez fruto de algum pensamento , já que ela sempre estava sozinha.

       Camponeses e nobres procuraram por causas sobrenaturais para as tempestades e doenças. A atmosfera neurótica da Europa ao longo deste período de tempo levou a mais execuções do que absolvições. Diziam que as mulheres que eram ruivas se tratavam de bruxas que roubaram o fogo do inferno. As que possuíam domínio de ervas medicinais para a cura de enfermidades eram julgadas como hereges e pecadoras, pois, na concepção católica, elas tentavam enganar as leis divinas com rituais que iam contra os preceitos da Igreja Católica. Por isso, várias mulheres foram perseguidas e acusadas de feitiçaria ou bruxaria e, conseqüentemente, foram assassinadas pela prática de suas crendices e cultura. Os cabelos vermelhos e as ervas que ela cultivava no quintal poderiam ser acusadoras para Gullveig.

       Jennet e Jakob corriam desesperadamente pela mata densa e desconhecida. No horizonte, o sol tecia paisagens vermelhas, despejando os últimos raios que já se confundiam com o brilho pálido da lua. No céu, ainda não havia uma estrela sequer. Os olhos arregalados e as pupilas dilatadas de ambos denotavam o medo que fazia o sangue correr muito mais rapidamente em suas veias. Haviam enfim, chegado ao seu destino. Isso eles pensaram, quando avistaram uma casinha de palha.

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       Gullveig vivia na Aquilânia, uma pequena ilha do Mar Mediterrâneo. O ano era 1453. Uma mistura de superstição e fervor religioso combinado com motivações políticas e paranoia provocara a caça às bruxas e esta varria o sul da Europa. Uma psicose se instalara. Comunidades acusavam seus membros de feitiçarias. Uma epidemia provocou muitas mortes que foram atribuídas às mulheres da região, de preferência as muito magras e feias.

       As bruxas eram retratadas como mulheres feias, que nuas, voavam em vassouras, adoravam ao diabo e sacrificavam crianças para conseguir realizar os desejos mais sórdidos. A Santa Inquisição, instituída para combater a heresia, agravou situação. Presas, submetidas a interrogatórios e torturadas, algumas acabavam por confessar seus crimes contra as crianças e eram condenadas à fogueira pelo conselheiro municipal. As que não confessavam eram, muitas vezes, linchadas e queimadas pela multidão, irritada com a falta de condenação. Os bruxos existiam, mas eram as mulheres, sobretudo, que eram queimadas nas fogueiras medievais.

       E em sua cabana, escondida do mundo, Gullveig esperava. Era uma bela mulher que aparentava não mais que vinte anos. Vestia-se com simplicidade, mas assim mesmo quem a visse certamente ficaria encantado. Seu corpo era cheio de curvas ressaltadas pelo negro de suas vestes, que também contrastavam com seus longos cabelos vermelhos, realçando um rosto de pele branca, com lindos olhos verdes e uma boca vermelha e carnuda que às vezes deixava escapar um sorriso, talvez fruto de algum pensamento , já que ela sempre estava sozinha.

       Camponeses e nobres procuraram por causas sobrenaturais para as tempestades e doenças. A atmosfera neurótica da Europa ao longo deste período de tempo levou a mais execuções do que absolvições. Diziam que as mulheres que eram ruivas se tratavam de bruxas que roubaram o fogo do inferno. As que possuíam domínio de ervas medicinais para a cura de enfermidades eram julgadas como hereges e pecadoras, pois, na concepção católica, elas tentavam enganar as leis divinas com rituais que iam contra os preceitos da Igreja Católica. Por isso, várias mulheres foram perseguidas e acusadas de feitiçaria ou bruxaria e, conseqüentemente, foram assassinadas pela prática de suas crendices e cultura. Os cabelos vermelhos e as ervas que ela cultivava no quintal poderiam ser acusadoras para Gullveig.

       Jennet e Jakob corriam desesperadamente pela mata densa e desconhecida. No horizonte, o sol tecia paisagens vermelhas, despejando os últimos raios que já se confundiam com o brilho pálido da lua. No céu, ainda não havia uma estrela sequer. Os olhos arregalados e as pupilas dilatadas de ambos denotavam o medo que fazia o sangue correr muito mais rapidamente em suas veias. Haviam enfim, chegado ao seu destino. Isso eles pensaram, quando avistaram uma casinha de palha.

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