Bate Papo - Matheus Freitas
Matheus Freitas
Matheus Freitas nasceu em 1990, é jornalista, escritor e roteirista. Tenta povoar todos os gêneros e formatos possíveis para poder dar andamento em seu projeto de Universo Compartilhado de Narrativa Transmídia, que é extenso demais para explicar neste espaço.
Por ora, escreve romances, contos e roteiros de HQs, audiovisual e tudo mais que puder inventar para criar o universo compartilhado mais diversificado possível. Gosta de trabalhar com basicamente todos os gêneros: terror, horror, suspense, humor, romance, ação, aventura etc.
Gosta de escrever aquilo que gostaria de ler ou ver, por isso, às vezes, tem algumas ideias absurdas, outras interessantes e algumas, sob entendimento de outros, ruins (porque seu gosto nem sempre é compreendido pelos demais), mas, no fim das contas, só quer contar algumas histórias.






Bate Papo

– Quer um cigarro?

– Não? Tudo bem, você nunca fuma mesmo. Não sei porque insisto.

“Sabe, estive pensando esses dias. Será que esses nossos encontros não são errados? Imorais? Essa cidade é tão pequena. E as pessoas que vivem em Babaquara parecem ser mais limitadas do que o próprio município, poucas se escapam da mediocridade. E mesmo esses poucos, acho que jamais aceitariam nossas conversas. Por mais que tenhamos uma relação de amizade, acho que eles não te enxergam como eu a enxergo.”

“Esses dias vi que em alguma cidade houve vândalos que abriram túmulos e saquearam os corpos. Aí eu te pergunto, onde, onde vamos parar? Não há mais o respeito de nada! Não sou uma pessoa religiosa, então não acredito no pós-vida. Para mim, existe apenas a terra e as larvas. Viemos do pó. Ao pó voltaremos.”

“Mas isso não quer dizer que não respeitarei os corpos que ainda estão aqui! Os corpos deste e de qualquer outro cemitério merecem respeito. Se levarmos para o lado religioso, do pós-vida, é um crime ainda mais desrespeitoso. Sinceramente, duvido muito que esses criminosos sejam pessoas com certo intelecto mental, sem preconceitos, é claro.”

“O que quero dizer é que a grande maioria é católico ou evangélico e deve pregar o ‘bem’ a toda hora, mas, ao mesmo tempo, não acreditam, de fato, em sua religião. Se acreditassem, não fariam esse tipo de coisa. Sabe por quê?”

“Porque teriam medo de ser assombrados. Mas eles não têm esse medo. Talvez estejam sob efeito de drogas. Algo que eu acredite que possa ocorrer em algumas circunstâncias, mas em outras, quando há, descaradamente, o objetivo de arrombar para roubar, ah, vá me desculpar, mas é pura bandidagem. Tudo feito com extrema clareza.”

“Por isso eu acho que não são tão convictos em suas religiões, apenas propagam a religião como senso comum porque tem medo de serem reprovados por não acreditar. Imagina se são presos e na cadeia, que muitos estão ligados a igrejas evangélicas, descobrem que ele é um cara que não acredita em Deus? É morte na certa!”

“Desculpa…não era disso que eu queria falar. Mas quando penso nisso, já me vem logo essa questão da hipocrisia. Bom, mas o que quero expressar com esse exemplo dos vândalos é o seguinte, será que nós não somos vândalos? Quer dizer, eu, eu não sou um vândalo?”

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Matheus Freitas
Bate Papo

– Quer um cigarro?

– Não? Tudo bem, você nunca fuma mesmo. Não sei porque insisto.

“Sabe, estive pensando esses dias. Será que esses nossos encontros não são errados? Imorais? Essa cidade é tão pequena. E as pessoas que vivem em Babaquara parecem ser mais limitadas do que o próprio município, poucas se escapam da mediocridade. E mesmo esses poucos, acho que jamais aceitariam nossas conversas. Por mais que tenhamos uma relação de amizade, acho que eles não te enxergam como eu a enxergo.”

“Esses dias vi que em alguma cidade houve vândalos que abriram túmulos e saquearam os corpos. Aí eu te pergunto, onde, onde vamos parar? Não há mais o respeito de nada! Não sou uma pessoa religiosa, então não acredito no pós-vida. Para mim, existe apenas a terra e as larvas. Viemos do pó. Ao pó voltaremos.”

“Mas isso não quer dizer que não respeitarei os corpos que ainda estão aqui! Os corpos deste e de qualquer outro cemitério merecem respeito. Se levarmos para o lado religioso, do pós-vida, é um crime ainda mais desrespeitoso. Sinceramente, duvido muito que esses criminosos sejam pessoas com certo intelecto mental, sem preconceitos, é claro.”

“O que quero dizer é que a grande maioria é católico ou evangélico e deve pregar o ‘bem’ a toda hora, mas, ao mesmo tempo, não acreditam, de fato, em sua religião. Se acreditassem, não fariam esse tipo de coisa. Sabe por quê?”

“Porque teriam medo de ser assombrados. Mas eles não têm esse medo. Talvez estejam sob efeito de drogas. Algo que eu acredite que possa ocorrer em algumas circunstâncias, mas em outras, quando há, descaradamente, o objetivo de arrombar para roubar, ah, vá me desculpar, mas é pura bandidagem. Tudo feito com extrema clareza.”

“Por isso eu acho que não são tão convictos em suas religiões, apenas propagam a religião como senso comum porque tem medo de serem reprovados por não acreditar. Imagina se são presos e na cadeia, que muitos estão ligados a igrejas evangélicas, descobrem que ele é um cara que não acredita em Deus? É morte na certa!”

“Desculpa…não era disso que eu queria falar. Mas quando penso nisso, já me vem logo essa questão da hipocrisia. Bom, mas o que quero expressar com esse exemplo dos vândalos é o seguinte, será que nós não somos vândalos? Quer dizer, eu, eu não sou um vândalo?”

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