Bate Papo - Matheus Freitas
Matheus Freitas
Matheus Freitas nasceu em 1990, é jornalista, escritor e roteirista. Tenta povoar todos os gêneros e formatos possíveis para poder dar andamento em seu projeto de Universo Compartilhado de Narrativa Transmídia, que é extenso demais para explicar neste espaço.
Por ora, escreve romances, contos e roteiros de HQs, audiovisual e tudo mais que puder inventar para criar o universo compartilhado mais diversificado possível. Gosta de trabalhar com basicamente todos os gêneros: terror, horror, suspense, humor, romance, ação, aventura etc.
Gosta de escrever aquilo que gostaria de ler ou ver, por isso, às vezes, tem algumas ideias absurdas, outras interessantes e algumas, sob entendimento de outros, ruins (porque seu gosto nem sempre é compreendido pelos demais), mas, no fim das contas, só quer contar algumas histórias.






Bate Papo

“Eu não me acho um vândalo, mas se descobrirem nossos encontros, é provavelmente isso que vão pensar. Com certeza, a primeira coisa que as pessoas vão fazer é associar nossos encontros com essa bandidagem. Esses marginais não respeitam nada! Nem religião, nem os bens que as famílias colocam lá, nada!”

“Desculpa, de novo, voltei a falar disso. Para mim, não há nada mais lindo do que estar deitado aqui contigo observando essa lua estrelada. Uma das coisas positivas que Babaquara tem. Ou melhor, não tem. Não temos os arranha-céus e a poluição costumeira das grandes metrópoles. Por isso, esse céu parece tão puro e lindo.”

“Estar contigo faz até esse cigarro vagabundo ser bom. O meu maior medo é ser taxado como um desses bandidos. Eu sei o caminho exato para chegar até aqui. Conheço esse cemitério como a palma da minha mão. Já te falei, que quando era adolescente, início dos anos 2000, por aí, vinha para cá com meus amigos para beber e fumar escondido.”

“Coisa idiota. Por que fazíamos isso? Éramos menores de idade e queríamos experimentar essas drogas lícitas. Tinha que ser feito em um lugar escondido, ok, mas por que em um cemitério? Se parar para perceber, nem é tão escondido assim. É um lugar aberto, qualquer um poderia ver e nos entregar para nossos pais. Era muito mais fácil fumar e beber em um lugar, de fato, escondido.”

“Talvez a adrenalina de estarmos fazendo algo errado em meio aos mortos, algo tão sagrado. Naquela época ainda era devoto. Coroinha, diga-se de passagem. Um duplo medo percorria em meu corpo: poderia ser descoberto por meus pais e, também, pelo padre. Além disso, ainda havia as lendas do cemitério e os supostos fantasmas. Tudo idiotice de gurizada nova.”

“Mas se existe algo bom desse período é o fato de ter aprendido os caminhos desse cemitério. Então, quando soube que você estaria aqui, te encontrei rápido. Percorro este caminho algumas noites por semana para estar contigo. Não esbarro em nada, apesar da escuridão. Trago apenas meu celular para me auxiliar com uma luz.”

“Sei que quase ninguém, com exceção de alguns nos dias dos finados, e eu, óbvio, vem lhe visitar. E esse lugar do cemitério também é uma área pouco visitada, por isso, quase ninguém percebe que o bloco de cimento do teu túmulo é, na verdade, uma tampa removível. Só assim posso retirar o seu caixão, libertar o seu corpo, nem que seja por alguns minutos ou horas, e te dar essa vista maravilhosa.”

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Matheus Freitas
Bate Papo

“Eu não me acho um vândalo, mas se descobrirem nossos encontros, é provavelmente isso que vão pensar. Com certeza, a primeira coisa que as pessoas vão fazer é associar nossos encontros com essa bandidagem. Esses marginais não respeitam nada! Nem religião, nem os bens que as famílias colocam lá, nada!”

“Desculpa, de novo, voltei a falar disso. Para mim, não há nada mais lindo do que estar deitado aqui contigo observando essa lua estrelada. Uma das coisas positivas que Babaquara tem. Ou melhor, não tem. Não temos os arranha-céus e a poluição costumeira das grandes metrópoles. Por isso, esse céu parece tão puro e lindo.”

“Estar contigo faz até esse cigarro vagabundo ser bom. O meu maior medo é ser taxado como um desses bandidos. Eu sei o caminho exato para chegar até aqui. Conheço esse cemitério como a palma da minha mão. Já te falei, que quando era adolescente, início dos anos 2000, por aí, vinha para cá com meus amigos para beber e fumar escondido.”

“Coisa idiota. Por que fazíamos isso? Éramos menores de idade e queríamos experimentar essas drogas lícitas. Tinha que ser feito em um lugar escondido, ok, mas por que em um cemitério? Se parar para perceber, nem é tão escondido assim. É um lugar aberto, qualquer um poderia ver e nos entregar para nossos pais. Era muito mais fácil fumar e beber em um lugar, de fato, escondido.”

“Talvez a adrenalina de estarmos fazendo algo errado em meio aos mortos, algo tão sagrado. Naquela época ainda era devoto. Coroinha, diga-se de passagem. Um duplo medo percorria em meu corpo: poderia ser descoberto por meus pais e, também, pelo padre. Além disso, ainda havia as lendas do cemitério e os supostos fantasmas. Tudo idiotice de gurizada nova.”

“Mas se existe algo bom desse período é o fato de ter aprendido os caminhos desse cemitério. Então, quando soube que você estaria aqui, te encontrei rápido. Percorro este caminho algumas noites por semana para estar contigo. Não esbarro em nada, apesar da escuridão. Trago apenas meu celular para me auxiliar com uma luz.”

“Sei que quase ninguém, com exceção de alguns nos dias dos finados, e eu, óbvio, vem lhe visitar. E esse lugar do cemitério também é uma área pouco visitada, por isso, quase ninguém percebe que o bloco de cimento do teu túmulo é, na verdade, uma tampa removível. Só assim posso retirar o seu caixão, libertar o seu corpo, nem que seja por alguns minutos ou horas, e te dar essa vista maravilhosa.”

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