O Demônio da Tourette- Parte 1 - Matheus Freitas
Matheus Freitas
Matheus Freitas nasceu em 1990, é jornalista, escritor e roteirista. Tenta povoar todos os gêneros e formatos possíveis para poder dar andamento em seu projeto de Universo Compartilhado de Narrativa Transmídia, que é extenso demais para explicar neste espaço.
Por ora, escreve romances, contos e roteiros de HQs, audiovisual e tudo mais que puder inventar para criar o universo compartilhado mais diversificado possível. Gosta de trabalhar com basicamente todos os gêneros: terror, horror, suspense, humor, romance, ação, aventura etc.
Gosta de escrever aquilo que gostaria de ler ou ver, por isso, às vezes, tem algumas ideias absurdas, outras interessantes e algumas, sob entendimento de outros, ruins (porque seu gosto nem sempre é compreendido pelos demais), mas, no fim das contas, só quer contar algumas histórias.






O Demônio da Tourette- Parte 1

“A família foi convencida a ir viver na comunidade onde a menina foi salva. Depois de um tempo, fui visitá-la. Lá, descobri que basicamente todos na comunidade tinham sofrido uma espécie de lavagem cerebral. Idolatravam o padre como se fosse o próprio Deus. Passei a investigar algumas coisas, interroguei alguns moradores mais antigos e tudo mais.”

“Há anos, Zequeu perambula entre alguns estados do Norte e Nordeste realizando pequenos milagres. Em troca, vive nestes locais. Recebe água, comida, casa etc. Algumas famílias também dão dinheiro a ele.”

“Até aí, parecia apenas mais um caso de falso milagreiro. Porém, um dos moradores deixou escapar que Zequeu nunca falha. Se os seus rituais e exorcismos não dão certo, ele dá ‘um fim na pessoa’ para o demônio não se alastrar pelo lugar.”

“Tentei investigar mais, mas minhas perguntas aos moradores levantaram algumas suspeitas e não passaram despercebidas pelo Padre. Ele tinha olhos e ouvidos em todos os lugares.”

– Acabei sendo meio que expulsa. Depois, Zequeu foi embora e o vilarejo se sentiu desamparado sem o seu protetor. Minha amiga e sua família me culpam por isso.

– Então tu não tem nada também. Apenas uma suspeita de que ele possa ter matado alguém – disse Pietro.

– Era apenas uma suspeita até você aparecer e me confirmar essa hipótese. Se ele tem seguidores, isso significa que Zequeu tem passado os seus ensinamentos. Só vamos, de fato, descobrir, se o encontrarmos, o que é muito difícil…

– Tu disse que sabia onde ele estava…

– Sim. Foi difícil achá-lo, mas encontrei. Mudei o foco. Ao invés de procurar por ele, passei a frequentar igrejas e ir atrás de pessoas em busca de milagres. Tive acesso a alguns grupos de mensagens no celular e entrei em vários, com diferentes números e nomes.

“Em um deles, havia uma mãe pedindo ajuda pelo filho, disposta a qualquer coisa. Segundo ela, a criança sofre com uma ‘doença interminável’ desde que nasceu. Alguém do grupo disse que conhecia um padre exorcista capaz de curar todos os problemas. A conversa entre as duas aconteceu no privado.”

“Sabia que era ele. Também chamei a moça e inventei um problema qualquer. Depois de muita insistência, ela me disse quando o padre iria visitar a criança. Então, eu sei onde ele vai estar.”

 

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Matheus Freitas
O Demônio da Tourette- Parte 1

“A família foi convencida a ir viver na comunidade onde a menina foi salva. Depois de um tempo, fui visitá-la. Lá, descobri que basicamente todos na comunidade tinham sofrido uma espécie de lavagem cerebral. Idolatravam o padre como se fosse o próprio Deus. Passei a investigar algumas coisas, interroguei alguns moradores mais antigos e tudo mais.”

“Há anos, Zequeu perambula entre alguns estados do Norte e Nordeste realizando pequenos milagres. Em troca, vive nestes locais. Recebe água, comida, casa etc. Algumas famílias também dão dinheiro a ele.”

“Até aí, parecia apenas mais um caso de falso milagreiro. Porém, um dos moradores deixou escapar que Zequeu nunca falha. Se os seus rituais e exorcismos não dão certo, ele dá ‘um fim na pessoa’ para o demônio não se alastrar pelo lugar.”

“Tentei investigar mais, mas minhas perguntas aos moradores levantaram algumas suspeitas e não passaram despercebidas pelo Padre. Ele tinha olhos e ouvidos em todos os lugares.”

– Acabei sendo meio que expulsa. Depois, Zequeu foi embora e o vilarejo se sentiu desamparado sem o seu protetor. Minha amiga e sua família me culpam por isso.

– Então tu não tem nada também. Apenas uma suspeita de que ele possa ter matado alguém – disse Pietro.

– Era apenas uma suspeita até você aparecer e me confirmar essa hipótese. Se ele tem seguidores, isso significa que Zequeu tem passado os seus ensinamentos. Só vamos, de fato, descobrir, se o encontrarmos, o que é muito difícil…

– Tu disse que sabia onde ele estava…

– Sim. Foi difícil achá-lo, mas encontrei. Mudei o foco. Ao invés de procurar por ele, passei a frequentar igrejas e ir atrás de pessoas em busca de milagres. Tive acesso a alguns grupos de mensagens no celular e entrei em vários, com diferentes números e nomes.

“Em um deles, havia uma mãe pedindo ajuda pelo filho, disposta a qualquer coisa. Segundo ela, a criança sofre com uma ‘doença interminável’ desde que nasceu. Alguém do grupo disse que conhecia um padre exorcista capaz de curar todos os problemas. A conversa entre as duas aconteceu no privado.”

“Sabia que era ele. Também chamei a moça e inventei um problema qualquer. Depois de muita insistência, ela me disse quando o padre iria visitar a criança. Então, eu sei onde ele vai estar.”

 

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