O Demonio de Tourette- Parte 02 - Matheus Freitas
Matheus Freitas
Matheus Freitas nasceu em 1990, é jornalista, escritor e roteirista. Tenta povoar todos os gêneros e formatos possíveis para poder dar andamento em seu projeto de Universo Compartilhado de Narrativa Transmídia, que é extenso demais para explicar neste espaço.
Por ora, escreve romances, contos e roteiros de HQs, audiovisual e tudo mais que puder inventar para criar o universo compartilhado mais diversificado possível. Gosta de trabalhar com basicamente todos os gêneros: terror, horror, suspense, humor, romance, ação, aventura etc.
Gosta de escrever aquilo que gostaria de ler ou ver, por isso, às vezes, tem algumas ideias absurdas, outras interessantes e algumas, sob entendimento de outros, ruins (porque seu gosto nem sempre é compreendido pelos demais), mas, no fim das contas, só quer contar algumas histórias.






O Demonio de Tourette- Parte 02

Zequeu

Após uma cansativa viagem até o vilarejo indicado pela jornalista, Elba e Pietro, enfim, chegam ao local. De cara não foram bem recepcionados. Por ser um lugar pequeno, com poucos moradores, todos se conhecem. E não gostam de ter pessoas estranhas circulando em seu lar.

Ao perceber a pouca receptividade, Pietro e Elba decidem não falar com ninguém, apenas vão até o lugar em que irão pernoitar (segundo informações da jornalista, há uma pequena pousada no vilarejo para receber turistas – não muitos, porque o lugar não está em uma rota turística – que aparecem para conhecer trilhas, riachos e cascatas nas redondezas). Apesar da perseguição de olhares dos moradores, eles conseguem passar a impressão de que são apenas turistas.

– Dois quartos, por favor – pede Pietro.

– Só temos dois quartos no estabelecimento e um já foi alugado – responde o atendente da pousada.

– Tudo bem, ficaremos em apenas um quarto – diz Elba.

Ao adentrar o quarto, constituído apenas por uma cama de casal, é possível enxergar, através da janela do cômodo, a movimentação dos moradores do vilarejo. Eles circulam aos arredores da pousada com o intuito de “observar” os turistas.

Sentados na cama, a dupla começa a deduzir algumas coisas.

– Ele já está aqui – diz Elba.

– Sim. E não está no hotel. Já deve estar realizando o exorcismo ou, no mínimo, está junto ao menino e sua família. Precisamos descobrir onde.

– Como? Eles não param de nos observar, como se fosse uma ordem…

– Talvez seja. Dois “turistas” chegam coincidentemente logo após o padre estar aqui para realizar o exorcismo. Lógico que desconfiam de alguma coisa. Nossa ideia de passar despercebido não deu certo. Já fomos notados.

– É, tens razão. E agora, vamos nos disfarçar para andar entre eles?

– Não! Saberão que somos nós. Não sei que filme você viu sobre detetives, mas uma grande parte do trabalho é apenas esperar.

– Esperar? Vamos esperar o quê?

– Um exorcismo pode durar dias. Não podemos deduzir ao certo se a sessão do padre já iniciou, mas ela ainda não terminou. Levando em consideração o método de Zequeu, se o exorcismo já tivesse chegado ao fim, a população estaria em festa com a salvação ou em luto com a morte da criança.

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Matheus Freitas
O Demonio de Tourette- Parte 02

Zequeu

Após uma cansativa viagem até o vilarejo indicado pela jornalista, Elba e Pietro, enfim, chegam ao local. De cara não foram bem recepcionados. Por ser um lugar pequeno, com poucos moradores, todos se conhecem. E não gostam de ter pessoas estranhas circulando em seu lar.

Ao perceber a pouca receptividade, Pietro e Elba decidem não falar com ninguém, apenas vão até o lugar em que irão pernoitar (segundo informações da jornalista, há uma pequena pousada no vilarejo para receber turistas – não muitos, porque o lugar não está em uma rota turística – que aparecem para conhecer trilhas, riachos e cascatas nas redondezas). Apesar da perseguição de olhares dos moradores, eles conseguem passar a impressão de que são apenas turistas.

– Dois quartos, por favor – pede Pietro.

– Só temos dois quartos no estabelecimento e um já foi alugado – responde o atendente da pousada.

– Tudo bem, ficaremos em apenas um quarto – diz Elba.

Ao adentrar o quarto, constituído apenas por uma cama de casal, é possível enxergar, através da janela do cômodo, a movimentação dos moradores do vilarejo. Eles circulam aos arredores da pousada com o intuito de “observar” os turistas.

Sentados na cama, a dupla começa a deduzir algumas coisas.

– Ele já está aqui – diz Elba.

– Sim. E não está no hotel. Já deve estar realizando o exorcismo ou, no mínimo, está junto ao menino e sua família. Precisamos descobrir onde.

– Como? Eles não param de nos observar, como se fosse uma ordem…

– Talvez seja. Dois “turistas” chegam coincidentemente logo após o padre estar aqui para realizar o exorcismo. Lógico que desconfiam de alguma coisa. Nossa ideia de passar despercebido não deu certo. Já fomos notados.

– É, tens razão. E agora, vamos nos disfarçar para andar entre eles?

– Não! Saberão que somos nós. Não sei que filme você viu sobre detetives, mas uma grande parte do trabalho é apenas esperar.

– Esperar? Vamos esperar o quê?

– Um exorcismo pode durar dias. Não podemos deduzir ao certo se a sessão do padre já iniciou, mas ela ainda não terminou. Levando em consideração o método de Zequeu, se o exorcismo já tivesse chegado ao fim, a população estaria em festa com a salvação ou em luto com a morte da criança.

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