Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Murilo Salini
Da membrana de podridão; ácida e pegajosa, que meu encéfalo envolve; brotam minhas palavras.
Mas como espinhos, não flores.
Só há nesse universo coisa única a desabrochar... O caos.
A semente cancerosa se aprova e se propaga, ignorando o fato de que o exame que acusa o seu fardo se dá diante do espelho.
Ponha os olhos nos meus nódulos malditos; nos meus filhos, “crianças subversivas”; no meu rastro fumegante absolvido pela eternidade; e logo se dará a incisão.
Com um estilhaço de espelho
Hei de sua mente explorar
E como num sopro de estrelas em morte
Amiga estranheza irei semear






Mnêmico Onírico

“Buscou o mundo nos seus semelhantes

Encontrou-se com o ácido de um abraço saliente

Desejou curar com ódio as feridas fumegantes

Mas com vida aqui adentras, e se põem a nossa frente”

A voz suave falava, o olho me fitava, mas nenhuma das bocas se movia.

– Perdoem-me… Eu não sei como vim parar aqui… – Foram minhas primeiras palavras.

– Veio pelo corredor, parasita!

– Sim, o corredor… mas antes dele não havia nada, pelo menos em minha mente.

“A nós mente, pois de ti oculta

Antes dele havia tudo, não quiseste acreditar

Tua presença íntegra, atormenta como insulta

Tua feição em senil estado desejo, para a casa adornar”

– Pois matem-me! E emparedem-me! És Deus. Para todo seu poder, toda a minha fragilidade.

– HAHAHA! Deus!? Ouviu? Me passe o olho, quero enxergar os olhos da blasfêmia.

“Nosso corpo te intimida, como intimidas nossa morada

Transcendemos o tempo de fato, mas divindade não restou

Nos chamamos Caim e Abel, da história mal contada

Do criador herdamos ruína, e o ofício que abandonou”

– Quer dizer que estou agora em um “plano de vida eterna”? O purgatório? O inferno?

– Siga-me!

A criatura se levantou. Possuía ao menos dois metros e meio de altura. Foi em direção ao corredor e eu o segui. A voz grave falava.

– Estamos em um plano paralelo ao mundo mortal e suas imundícies, mas paralelo também à vida eterna, a qual desconfiamos já que não a conhecemos de fato. Inferno e Céu são conceitos criados pelos humanos para renomear Desconforto e Júbilo.

Produto de uma moral nojenta imposta através de violência, que tem por finalidade tornar profano o que provinha da natureza.

– Mas não é verdade que surgiu de vocês a violência e vários outros conceitos atribuídos ao mal? Caim não matou Abel?

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Murilo Salini
Mnêmico Onírico

“Buscou o mundo nos seus semelhantes

Encontrou-se com o ácido de um abraço saliente

Desejou curar com ódio as feridas fumegantes

Mas com vida aqui adentras, e se põem a nossa frente”

A voz suave falava, o olho me fitava, mas nenhuma das bocas se movia.

– Perdoem-me… Eu não sei como vim parar aqui… – Foram minhas primeiras palavras.

– Veio pelo corredor, parasita!

– Sim, o corredor… mas antes dele não havia nada, pelo menos em minha mente.

“A nós mente, pois de ti oculta

Antes dele havia tudo, não quiseste acreditar

Tua presença íntegra, atormenta como insulta

Tua feição em senil estado desejo, para a casa adornar”

– Pois matem-me! E emparedem-me! És Deus. Para todo seu poder, toda a minha fragilidade.

– HAHAHA! Deus!? Ouviu? Me passe o olho, quero enxergar os olhos da blasfêmia.

“Nosso corpo te intimida, como intimidas nossa morada

Transcendemos o tempo de fato, mas divindade não restou

Nos chamamos Caim e Abel, da história mal contada

Do criador herdamos ruína, e o ofício que abandonou”

– Quer dizer que estou agora em um “plano de vida eterna”? O purgatório? O inferno?

– Siga-me!

A criatura se levantou. Possuía ao menos dois metros e meio de altura. Foi em direção ao corredor e eu o segui. A voz grave falava.

– Estamos em um plano paralelo ao mundo mortal e suas imundícies, mas paralelo também à vida eterna, a qual desconfiamos já que não a conhecemos de fato. Inferno e Céu são conceitos criados pelos humanos para renomear Desconforto e Júbilo.

Produto de uma moral nojenta imposta através de violência, que tem por finalidade tornar profano o que provinha da natureza.

– Mas não é verdade que surgiu de vocês a violência e vários outros conceitos atribuídos ao mal? Caim não matou Abel?

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