O BREVE MONÓLOGO DO VAMPIRO - Murilo Salini
Murilo Salini
Da membrana de podridão; ácida e pegajosa, que meu encéfalo envolve; brotam minhas palavras.
Mas como espinhos, não flores.
Só há nesse universo coisa única a desabrochar... O caos.
A semente cancerosa se aprova e se propaga, ignorando o fato de que o exame que acusa o seu fardo se dá diante do espelho.
Ponha os olhos nos meus nódulos malditos; nos meus filhos, “crianças subversivas”; no meu rastro fumegante absolvido pela eternidade; e logo se dará a incisão.
Com um estilhaço de espelho
Hei de sua mente explorar
E como num sopro de estrelas em morte
Amiga estranheza irei semear






O BREVE MONÓLOGO DO VAMPIRO

Não nutro dúvidas quanto minha completude.

Diversas vezes flagro-me contemplando a mim mesmo, travestido nos mais diversos egos. Estandartes nos cabideiros de meu íntimo.

Expectador de minhas ações, abstraio minha consciência e deixo que os atos ocorram por si só, sem deter, ou se quer desejar o controle.

Um outro dia eu vestia em mim o preto e adornava-me com as causas e aflições de meus companheiros de raça. A empatia era tão promissora… “Derrubaremos os poderes! Extinguiremos as moedas!”

Pow!

Morro.

A fé coletiva direcionada a uma consciência que se ausenta, fez-se necromancia.

Retorno.

Não tenho ante mim barreira alguma, mas vejo claro e cintilante um caminho íngreme sinuoso, com direções e pontos a se chegar. E tudo o que devo fazer para alcançar os diversos pontos é deixar que a astúcia felídea de meu guia desperte, e regar com profanidades meu jardim de ambições.

O horizonte a mim pertence.                                               

A mim pertence quem eu amo, e a mim pertence quem desprezo.

A mim pertence quem e o que ilustra o plano que resido. Pois estou sentado em meu trono, na esclera de Satã.

E em minha cúpula de júbilo, regozijo da eternidade.

Murilo Salini
O BREVE MONÓLOGO DO VAMPIRO

Não nutro dúvidas quanto minha completude.

Diversas vezes flagro-me contemplando a mim mesmo, travestido nos mais diversos egos. Estandartes nos cabideiros de meu íntimo.

Expectador de minhas ações, abstraio minha consciência e deixo que os atos ocorram por si só, sem deter, ou se quer desejar o controle.

Um outro dia eu vestia em mim o preto e adornava-me com as causas e aflições de meus companheiros de raça. A empatia era tão promissora… “Derrubaremos os poderes! Extinguiremos as moedas!”

Pow!

Morro.

A fé coletiva direcionada a uma consciência que se ausenta, fez-se necromancia.

Retorno.

Não tenho ante mim barreira alguma, mas vejo claro e cintilante um caminho íngreme sinuoso, com direções e pontos a se chegar. E tudo o que devo fazer para alcançar os diversos pontos é deixar que a astúcia felídea de meu guia desperte, e regar com profanidades meu jardim de ambições.

O horizonte a mim pertence.                                               

A mim pertence quem eu amo, e a mim pertence quem desprezo.

A mim pertence quem e o que ilustra o plano que resido. Pois estou sentado em meu trono, na esclera de Satã.

E em minha cúpula de júbilo, regozijo da eternidade.