Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Murilo Salini
Da membrana de podridão; ácida e pegajosa, que meu encéfalo envolve; brotam minhas palavras.
Mas como espinhos, não flores.
Só há nesse universo coisa única a desabrochar... O caos.
A semente cancerosa se aprova e se propaga, ignorando o fato de que o exame que acusa o seu fardo se dá diante do espelho.
Ponha os olhos nos meus nódulos malditos; nos meus filhos, “crianças subversivas”; no meu rastro fumegante absolvido pela eternidade; e logo se dará a incisão.
Com um estilhaço de espelho
Hei de sua mente explorar
E como num sopro de estrelas em morte
Amiga estranheza irei semear






Parasita

Parasita Parasita Parasita
Ocupa onde quer que meu corpo pise
Indivíduo qual ações, pesam como de matilha
Carrego a vergonha das cicatrizes que em minha alma aflige
O calor brota das rupturas como as garras da harpia

Parasita Parasita Parasita
O sangue em meu escarro, tu mesmo manufaturaste
Violência é natureza, origem ancestral
Embrenha-se em minha epiderme, saboreia o magro traste
Goza ante a bomba, de líquido vital

Parasita Parasita Parasita
Imortal tal qual o tempo
Reduz minha existência ao estado de zumbi
Fidelidade, bem sei, é teu alento
Entranhas a granel e fatias de cérebro, destino a ti

Parasita Parasita Parasita
Corta-me ao meio e enforca-me com as vísceras
Adormece em meu peito a ansiada estaca onírica
Faz-se aranha e introduz mortais que líceras
Rasga o véu mundano, manuseia a adaga lírica

Parasita Parasita Parasita
A inconstância de meus nervos, anunciam minha ruína
Expectas alegre meu desencontro com o sossego
Não nego admiração por tua forma arlequina
Mas teu cruel pensar sagaz reduz a cinzas meu apego

Páginas: 1 2

Murilo Salini
Parasita

Parasita Parasita Parasita
Ocupa onde quer que meu corpo pise
Indivíduo qual ações, pesam como de matilha
Carrego a vergonha das cicatrizes que em minha alma aflige
O calor brota das rupturas como as garras da harpia

Parasita Parasita Parasita
O sangue em meu escarro, tu mesmo manufaturaste
Violência é natureza, origem ancestral
Embrenha-se em minha epiderme, saboreia o magro traste
Goza ante a bomba, de líquido vital

Parasita Parasita Parasita
Imortal tal qual o tempo
Reduz minha existência ao estado de zumbi
Fidelidade, bem sei, é teu alento
Entranhas a granel e fatias de cérebro, destino a ti

Parasita Parasita Parasita
Corta-me ao meio e enforca-me com as vísceras
Adormece em meu peito a ansiada estaca onírica
Faz-se aranha e introduz mortais que líceras
Rasga o véu mundano, manuseia a adaga lírica

Parasita Parasita Parasita
A inconstância de meus nervos, anunciam minha ruína
Expectas alegre meu desencontro com o sossego
Não nego admiração por tua forma arlequina
Mas teu cruel pensar sagaz reduz a cinzas meu apego

Páginas: 1 2