Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Murilo Salini
Da membrana de podridão; ácida e pegajosa, que meu encéfalo envolve; brotam minhas palavras.
Mas como espinhos, não flores.
Só há nesse universo coisa única a desabrochar... O caos.
A semente cancerosa se aprova e se propaga, ignorando o fato de que o exame que acusa o seu fardo se dá diante do espelho.
Ponha os olhos nos meus nódulos malditos; nos meus filhos, “crianças subversivas”; no meu rastro fumegante absolvido pela eternidade; e logo se dará a incisão.
Com um estilhaço de espelho
Hei de sua mente explorar
E como num sopro de estrelas em morte
Amiga estranheza irei semear






Preston 73

Passados cinco meses de assíduo estudo e memorável convivência entre elas vieram as férias de inverno. As famílias aguardavam ansiosas o regresso das jovens, mas sendo elas indivíduos urbanos com necessidade pelo caos automotivo, alta carga de propaganda, consumo, e ímpeto de inserir-se em determinado grupo ou subgrupo social, decidiram passar o tão esperado descanso ali mesmo, na casa 73 da Rua Preston.

Tudo ocorria como a gestão que as quatro haviam composto. Revezamento para fazer o almoço, revezamento para lavar as louças, e todo o tempo restante para dormir, ir para festas com músicas montadas por computadores em ambiente rural para equilibrar suas energias, e comprar roupas no shopping.

Em uma manhã de terça-feira, Ana saiu para comprar pão, a padaria ficava a três quadras da residência e as outras meninas estavam ainda confortadas no mundo onírico.

Quando Ana retornou, ao inserir a chave na fenda da fechadura, a palma branca fúnebre de uma mão chocou-se no vidro da porta e deslizou vagarosamente para baixo, saindo do campo de visão que se dava pela superfície de vidro inserida na porta de madeira que dava acesso pela garagem.

Ana após tombar para trás e cair sentada, com frio na espinha, creditou o ato a Marcela, menina levada que diversas vezes realizava travessuras com as demais meninas.

Abriu a porta, e avistou nessa hora o vulto de cabelos negros dono da mão na porta correndo da entrada da dispensa para o corredor que dava acesso a cozinha, sala de estar e quartos.

-Marcela sua filha da puta!

Foi respondida com risos baixos e agudos provenientes do corredor.

A menina largou o pão e as demais compras em cima de mesa da cozinha e foi em direção aos quartos. Entrou no quarto de Marcela e constatou que a mesma estava dormindo profundamente e que vestia ainda um pijama bordô.

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Murilo Salini
Preston 73

Passados cinco meses de assíduo estudo e memorável convivência entre elas vieram as férias de inverno. As famílias aguardavam ansiosas o regresso das jovens, mas sendo elas indivíduos urbanos com necessidade pelo caos automotivo, alta carga de propaganda, consumo, e ímpeto de inserir-se em determinado grupo ou subgrupo social, decidiram passar o tão esperado descanso ali mesmo, na casa 73 da Rua Preston.

Tudo ocorria como a gestão que as quatro haviam composto. Revezamento para fazer o almoço, revezamento para lavar as louças, e todo o tempo restante para dormir, ir para festas com músicas montadas por computadores em ambiente rural para equilibrar suas energias, e comprar roupas no shopping.

Em uma manhã de terça-feira, Ana saiu para comprar pão, a padaria ficava a três quadras da residência e as outras meninas estavam ainda confortadas no mundo onírico.

Quando Ana retornou, ao inserir a chave na fenda da fechadura, a palma branca fúnebre de uma mão chocou-se no vidro da porta e deslizou vagarosamente para baixo, saindo do campo de visão que se dava pela superfície de vidro inserida na porta de madeira que dava acesso pela garagem.

Ana após tombar para trás e cair sentada, com frio na espinha, creditou o ato a Marcela, menina levada que diversas vezes realizava travessuras com as demais meninas.

Abriu a porta, e avistou nessa hora o vulto de cabelos negros dono da mão na porta correndo da entrada da dispensa para o corredor que dava acesso a cozinha, sala de estar e quartos.

-Marcela sua filha da puta!

Foi respondida com risos baixos e agudos provenientes do corredor.

A menina largou o pão e as demais compras em cima de mesa da cozinha e foi em direção aos quartos. Entrou no quarto de Marcela e constatou que a mesma estava dormindo profundamente e que vestia ainda um pijama bordô.

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