Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Murilo Salini
Da membrana de podridão; ácida e pegajosa, que meu encéfalo envolve; brotam minhas palavras.
Mas como espinhos, não flores.
Só há nesse universo coisa única a desabrochar... O caos.
A semente cancerosa se aprova e se propaga, ignorando o fato de que o exame que acusa o seu fardo se dá diante do espelho.
Ponha os olhos nos meus nódulos malditos; nos meus filhos, “crianças subversivas”; no meu rastro fumegante absolvido pela eternidade; e logo se dará a incisão.
Com um estilhaço de espelho
Hei de sua mente explorar
E como num sopro de estrelas em morte
Amiga estranheza irei semear






Preston 73

Posteriormente, quando Marcela e Ana que haviam ido caminhar pelas ruas do bairro chegaram, as quatro amigas entraram na casa receosas, e foram até o quarto de Laura para avaliar o ocorrido. O ato de fechar uma janela nunca havia gerado tanto medo e ansiedade. Ajuntaram os pedaços de crânio, puseram junto no lixeiro do banheiro, selaram o saco de lixo cheio e o abandonaram no meio da encruzilhada na qual situava-se a casa 73 da Rua Preston.

Naquela noite as meninas foram dormir tarde, todas partilhavam o medo pelo desconhecido e por isso mantiveram as luzes acesas.

Marcela sonhava estar deitada em uma pastagem amarelada seca pela incidência solar, olhando para o azul do céu. “Acho que estou em casa agora” pensou ela diante do ambiente familiar que ocupava agora a sua mente.

“Posso me deitar? ” Uma voz ressoou do limite do campo de visão de Marcela. Na expectativa de encontrar um membro de sua família em sonho ela respondeu “É claro”.

Acontece que sua resposta ultrapassou os limites do sonho e materializou-se em ondas sonoras na realidade, provocando um princípio de despertar na menina que até então havia recuperado sua serenidade enquanto descansava.

Ao abrir discretamente o olho direito Marcela deparou-se com uma sombra de olhos amarelos e sorriso dilacerante a quinze ou talvez dez centímetros de distância do seu rosto.

-Posso deitar?

A voz era de uma criança. Os olhos de um crocodilo. Os dentes de um leopardo assassino.

-Me deixa deitar Marcela. Eu quero deitar. Eu quero você. Marcela. Marcela! MARCELA!

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Murilo Salini
Preston 73

Posteriormente, quando Marcela e Ana que haviam ido caminhar pelas ruas do bairro chegaram, as quatro amigas entraram na casa receosas, e foram até o quarto de Laura para avaliar o ocorrido. O ato de fechar uma janela nunca havia gerado tanto medo e ansiedade. Ajuntaram os pedaços de crânio, puseram junto no lixeiro do banheiro, selaram o saco de lixo cheio e o abandonaram no meio da encruzilhada na qual situava-se a casa 73 da Rua Preston.

Naquela noite as meninas foram dormir tarde, todas partilhavam o medo pelo desconhecido e por isso mantiveram as luzes acesas.

Marcela sonhava estar deitada em uma pastagem amarelada seca pela incidência solar, olhando para o azul do céu. “Acho que estou em casa agora” pensou ela diante do ambiente familiar que ocupava agora a sua mente.

“Posso me deitar? ” Uma voz ressoou do limite do campo de visão de Marcela. Na expectativa de encontrar um membro de sua família em sonho ela respondeu “É claro”.

Acontece que sua resposta ultrapassou os limites do sonho e materializou-se em ondas sonoras na realidade, provocando um princípio de despertar na menina que até então havia recuperado sua serenidade enquanto descansava.

Ao abrir discretamente o olho direito Marcela deparou-se com uma sombra de olhos amarelos e sorriso dilacerante a quinze ou talvez dez centímetros de distância do seu rosto.

-Posso deitar?

A voz era de uma criança. Os olhos de um crocodilo. Os dentes de um leopardo assassino.

-Me deixa deitar Marcela. Eu quero deitar. Eu quero você. Marcela. Marcela! MARCELA!

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