Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Murilo Salini
Da membrana de podridão; ácida e pegajosa, que meu encéfalo envolve; brotam minhas palavras.
Mas como espinhos, não flores.
Só há nesse universo coisa única a desabrochar... O caos.
A semente cancerosa se aprova e se propaga, ignorando o fato de que o exame que acusa o seu fardo se dá diante do espelho.
Ponha os olhos nos meus nódulos malditos; nos meus filhos, “crianças subversivas”; no meu rastro fumegante absolvido pela eternidade; e logo se dará a incisão.
Com um estilhaço de espelho
Hei de sua mente explorar
E como num sopro de estrelas em morte
Amiga estranheza irei semear






Preston 73

A voz tornava-se grave e cavernosa à medida que insistia na mesma pergunta, e Marcela se retorcia em direção à parede. A sombra avançava enquanto Marcela recuava, e quando a menina chegou no limite do quarto encurralada entre a criatura e a parede, derramando lágrimas de desespero, uma mão agarrou sua perna e a puxou violentamente para baixo da cama.

A criatura agora era uma gargalhada que ocupava tudo, mas sem ultrapassar o limite da porta do quarto da garota.

Amanheceu e as garotas reuniram-se na cozinha para o desjejum, menos Marcela. A princípio as meninas acharam que ela ainda estava descansando, posteriormente Ana dirigiu-se ao seu quarto e encontrou Marcela catatônica abraçando seus joelhos no canto posterior ao que ficava a sua cama.

Ao tentar se aproximar, Marcela gritou violentamente e balançou os braços em direção a Ana como numa tentativa de agarrá-la. Ana recuou e fechou a porta.

Ao virar-se em direção à cozinha novamente, deparou-se com um cenário nada habitual. Ela estava em um corredor de carne pútrida e sangue. Chamou pelas amigas, não obteve resposta, jogada num cenário de horror, abandonada até mesmo pelo eco de seus gritos de desespero.

Caminhou cambaleando em vísceras e sangue pelo corredor que realizava uma curva, seguida por um declive para uma abertura maior, com as mesmas características nas superfícies. Ao adentrar a abertura escorregando pelo muco visceral, deparou-se com uma enorme caverna que abrigava no seu centro uma mesa de pedra em forma de cubo.

As estalactites da caverna eram presas titânicas, amareladas por onde sangue escorria nutrindo aquela imensa poça. No fundo daquele covil havia um trono de pedra e crânios, e nele um lobo negro de chifres, asas de morcego e olhos amarelados assistia sentado ao desespero de Ana.

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Murilo Salini
Preston 73

A voz tornava-se grave e cavernosa à medida que insistia na mesma pergunta, e Marcela se retorcia em direção à parede. A sombra avançava enquanto Marcela recuava, e quando a menina chegou no limite do quarto encurralada entre a criatura e a parede, derramando lágrimas de desespero, uma mão agarrou sua perna e a puxou violentamente para baixo da cama.

A criatura agora era uma gargalhada que ocupava tudo, mas sem ultrapassar o limite da porta do quarto da garota.

Amanheceu e as garotas reuniram-se na cozinha para o desjejum, menos Marcela. A princípio as meninas acharam que ela ainda estava descansando, posteriormente Ana dirigiu-se ao seu quarto e encontrou Marcela catatônica abraçando seus joelhos no canto posterior ao que ficava a sua cama.

Ao tentar se aproximar, Marcela gritou violentamente e balançou os braços em direção a Ana como numa tentativa de agarrá-la. Ana recuou e fechou a porta.

Ao virar-se em direção à cozinha novamente, deparou-se com um cenário nada habitual. Ela estava em um corredor de carne pútrida e sangue. Chamou pelas amigas, não obteve resposta, jogada num cenário de horror, abandonada até mesmo pelo eco de seus gritos de desespero.

Caminhou cambaleando em vísceras e sangue pelo corredor que realizava uma curva, seguida por um declive para uma abertura maior, com as mesmas características nas superfícies. Ao adentrar a abertura escorregando pelo muco visceral, deparou-se com uma enorme caverna que abrigava no seu centro uma mesa de pedra em forma de cubo.

As estalactites da caverna eram presas titânicas, amareladas por onde sangue escorria nutrindo aquela imensa poça. No fundo daquele covil havia um trono de pedra e crânios, e nele um lobo negro de chifres, asas de morcego e olhos amarelados assistia sentado ao desespero de Ana.

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