Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Murilo Salini
Da membrana de podridão; ácida e pegajosa, que meu encéfalo envolve; brotam minhas palavras.
Mas como espinhos, não flores.
Só há nesse universo coisa única a desabrochar... O caos.
A semente cancerosa se aprova e se propaga, ignorando o fato de que o exame que acusa o seu fardo se dá diante do espelho.
Ponha os olhos nos meus nódulos malditos; nos meus filhos, “crianças subversivas”; no meu rastro fumegante absolvido pela eternidade; e logo se dará a incisão.
Com um estilhaço de espelho
Hei de sua mente explorar
E como num sopro de estrelas em morte
Amiga estranheza irei semear






Preston 73

-BEM-AVENTURADOS OS QUE ADENTRAM O BERÇO DO PROFANO!

O lobo gargalhou como uma multidão cega gargalha do indivíduo com a capacidade da visão. E da sua boca, junto com os gargalhos um enxame de moscas, baratas, gafanhotos e besouros dispararam na direção de Ana, cegando-a, adentrando seu corpo pelos orifícios já existentes, e comendo sua carne originando assim novos orifícios. A gargalhada ainda ressoava, mas Ana perdera os sentidos. Desmaiada no corredor da casa 73 na Rua Preston.

Helena massageava seu rosto com cremes para tratamento da pele afetada pela acne diante do espelho enquanto alguma coisa pop tocava no seu celular e a água potável do planeta era desperdiçada com o chuveiro que ela havia ligado para em breve banhar-se.

-Eu queria ter nascido loira.

Entrou no box do banheiro e iniciou o, para ela, sagrado momento do banho, quando ela podia odiar a sua imagem e provocar o vômito do seu ego para posteriormente fotografar a si mesma, postar em uma rede social e regozijar-se com os elogios direcionados ao seu corpo.

Ela tomou o sabonete em suas mãos e fechou os olhos enquanto massageava seu corpo com o objeto liso e de agradável odor, até que ao passar o sabonete em seu rosto Helena sentiu um odor repugnante. Abriu os olhos e ao olhar para suas mãos e corpo constatou que estava ensaboando-se com merda. No mesmo momento caiu de joelhos, escorou as mãos no chão e passou a vomitar no ralo.

Enquanto passava mal, Helena percebeu um brilho proveniente do ralo, olhou fixamente para o mesmo e percebeu que o objeto do qual o brilho provinha emergia em sua direção. Foi um choque ao perceber que o objeto consistia na cabeça em decomposição de um feto.

Helena levantou-se tremendo e delirante, ela tentava limpar toda a merda espalhada pelo seu corpo, mas conforme a água descia e entrava em contato com sua pele, mais merda surgia e escorria pelas suas costas, rosto e pernas. Helena chorava merda. Helena salivava e babava merda. E nesse ponto vomitava merda.

Tomada por desespero Helena avançou contra o box do banheiro em direção a porta, cortou-se dos pés à cabeça, correu em direção ao gramado, sangrando merda, e lá rolou no chão até que sangue real vertesse das superfícies do seu corpo.

Laura lavava suas roupas no tanque da dispensa. No fone de ouvido tocava um audiolivro de autoajuda, que a ensinava a se portar na sociedade contemporânea.

Laura se orgulhava por ser uma mulher bem decidida independente que trabalhava oito horas por dia, há seis meses, em uma loja de artigos de caça e pesca a qual o dono, um burguês descendente de italianos, não dirigia uma saudação a ninguém que possuísse capital inferior ao dele, mas massagearia a barriga peluda de qualquer bancário ou empresário do ramo imobiliário, que pintasse com uma possiblidade de negócios.

Ela admirava seu chefe, ela admirava sua conta bancária e dizia que ele sim era feliz e sabia se divertir, mesmo sabendo que o mesmo não faria o seu trabalho pelo salário que recebia. Mas a vida é justa assim como Deus, e a meritocracia havia de zelar pelo direito de todos os cidadãos.

Laura esfregava a camiseta do seu uniforme de trabalho na superfície saliente do tanque quando um flash de ideias desorientou sua visão por frações de segundo e as saliências do tanque viraram lâminas. O sangue de Laura assim como os dedos e pedaços de pele das suas mãos contrastavam com a espuma azul do sabão em pó.

Em estado de choque a garota abraçou seu tronco com os membros decepados. Ela não sentia dor, mas desespero pois no dia seguinte devia conferir o estoque de parafusos francês nº 8, e sem os dedos a tarefa seria impossível de ser realizada sozinha. Ao abaixar a cabeça constatou em torno de seu tornozelo direito, uma tranca de metal avermelhado ligado a uma corrente vigorosa que seguia pela porta em direção aos fundos.

Sem mesmo conseguir pensar em algo, a corrente moveu-se derrubando Laura e arrastando-a pela casa sem que ela pudesse agarrar-se a extremidade qualquer, já que seus dedos haviam ficado no tanque.

Ao chegar do lado de fora da casa, arrastada pelas correntes, Laura testemunhou que uma figura humanoide, mas constituída de músculos expostos sem pele tinha a corrente presa em seu pescoço. A figura não possuía olhos, não possuía língua, não possuía nariz, e possuía apenas um terço do cérebro, que era visível pelos orifícios dos olhos.

-PERCEBES AO QUE ESTÁ ATRELADA!? OBSERVE A ORIGEM DESTA CORRENTE!

Foram estas as palavras manifestadas na mente de Laura. Antes de ser puxada para um velho poço nos fundos quando a criatura se jogou, na casa 73 da rua Preston.

Quem repudia o horror fictício, desconhece o horror diário.

Os fatos descritos são Fictícios

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Murilo Salini
Preston 73

-BEM-AVENTURADOS OS QUE ADENTRAM O BERÇO DO PROFANO!

O lobo gargalhou como uma multidão cega gargalha do indivíduo com a capacidade da visão. E da sua boca, junto com os gargalhos um enxame de moscas, baratas, gafanhotos e besouros dispararam na direção de Ana, cegando-a, adentrando seu corpo pelos orifícios já existentes, e comendo sua carne originando assim novos orifícios. A gargalhada ainda ressoava, mas Ana perdera os sentidos. Desmaiada no corredor da casa 73 na Rua Preston.

Helena massageava seu rosto com cremes para tratamento da pele afetada pela acne diante do espelho enquanto alguma coisa pop tocava no seu celular e a água potável do planeta era desperdiçada com o chuveiro que ela havia ligado para em breve banhar-se.

-Eu queria ter nascido loira.

Entrou no box do banheiro e iniciou o, para ela, sagrado momento do banho, quando ela podia odiar a sua imagem e provocar o vômito do seu ego para posteriormente fotografar a si mesma, postar em uma rede social e regozijar-se com os elogios direcionados ao seu corpo.

Ela tomou o sabonete em suas mãos e fechou os olhos enquanto massageava seu corpo com o objeto liso e de agradável odor, até que ao passar o sabonete em seu rosto Helena sentiu um odor repugnante. Abriu os olhos e ao olhar para suas mãos e corpo constatou que estava ensaboando-se com merda. No mesmo momento caiu de joelhos, escorou as mãos no chão e passou a vomitar no ralo.

Enquanto passava mal, Helena percebeu um brilho proveniente do ralo, olhou fixamente para o mesmo e percebeu que o objeto do qual o brilho provinha emergia em sua direção. Foi um choque ao perceber que o objeto consistia na cabeça em decomposição de um feto.

Helena levantou-se tremendo e delirante, ela tentava limpar toda a merda espalhada pelo seu corpo, mas conforme a água descia e entrava em contato com sua pele, mais merda surgia e escorria pelas suas costas, rosto e pernas. Helena chorava merda. Helena salivava e babava merda. E nesse ponto vomitava merda.

Tomada por desespero Helena avançou contra o box do banheiro em direção a porta, cortou-se dos pés à cabeça, correu em direção ao gramado, sangrando merda, e lá rolou no chão até que sangue real vertesse das superfícies do seu corpo.

Laura lavava suas roupas no tanque da dispensa. No fone de ouvido tocava um audiolivro de autoajuda, que a ensinava a se portar na sociedade contemporânea.

Laura se orgulhava por ser uma mulher bem decidida independente que trabalhava oito horas por dia, há seis meses, em uma loja de artigos de caça e pesca a qual o dono, um burguês descendente de italianos, não dirigia uma saudação a ninguém que possuísse capital inferior ao dele, mas massagearia a barriga peluda de qualquer bancário ou empresário do ramo imobiliário, que pintasse com uma possiblidade de negócios.

Ela admirava seu chefe, ela admirava sua conta bancária e dizia que ele sim era feliz e sabia se divertir, mesmo sabendo que o mesmo não faria o seu trabalho pelo salário que recebia. Mas a vida é justa assim como Deus, e a meritocracia havia de zelar pelo direito de todos os cidadãos.

Laura esfregava a camiseta do seu uniforme de trabalho na superfície saliente do tanque quando um flash de ideias desorientou sua visão por frações de segundo e as saliências do tanque viraram lâminas. O sangue de Laura assim como os dedos e pedaços de pele das suas mãos contrastavam com a espuma azul do sabão em pó.

Em estado de choque a garota abraçou seu tronco com os membros decepados. Ela não sentia dor, mas desespero pois no dia seguinte devia conferir o estoque de parafusos francês nº 8, e sem os dedos a tarefa seria impossível de ser realizada sozinha. Ao abaixar a cabeça constatou em torno de seu tornozelo direito, uma tranca de metal avermelhado ligado a uma corrente vigorosa que seguia pela porta em direção aos fundos.

Sem mesmo conseguir pensar em algo, a corrente moveu-se derrubando Laura e arrastando-a pela casa sem que ela pudesse agarrar-se a extremidade qualquer, já que seus dedos haviam ficado no tanque.

Ao chegar do lado de fora da casa, arrastada pelas correntes, Laura testemunhou que uma figura humanoide, mas constituída de músculos expostos sem pele tinha a corrente presa em seu pescoço. A figura não possuía olhos, não possuía língua, não possuía nariz, e possuía apenas um terço do cérebro, que era visível pelos orifícios dos olhos.

-PERCEBES AO QUE ESTÁ ATRELADA!? OBSERVE A ORIGEM DESTA CORRENTE!

Foram estas as palavras manifestadas na mente de Laura. Antes de ser puxada para um velho poço nos fundos quando a criatura se jogou, na casa 73 da rua Preston.

Quem repudia o horror fictício, desconhece o horror diário.

Os fatos descritos são Fictícios

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