Mundo em Fúria - Parte 02 - Petter Baiestorf
Petter Baiestorf
Teve um dia em que os espermatozóides festeiros de meu pai partiram em direção ao barzinho óvulo de minha mãe e lá começaram um sambinha esperto do criolo doido e eu ali nasci. Era 1974 e o clima de família tradicional/milico no poder/igreja vomitando regras me fez bem pra cabeça e virei, nada mais lógico, ateu anarquista debochado avesso a qualquer tipo de regras. Lá por 1988, um pouco antes talvez, comecei a escrever contos no caderno da escola. Tentei virar poeta, mas aí descobri os fanzines e comecei a colaborar e, na sequência, editar meus próprios títulos. Foi com fanzines que consegui conciliar minhas paixões por literatura, quadrinhos, música e, a maior de todas, cinema. Em 1992, com meu amigo de escola E.B. Toniolli, fundei a Canibal Filmes e comecei a filmar em VHS amador mesmo. Em 1995 um filme meu chamado "O Monstro Legume do Espaço" apresentou meu grupo pro underground brasileiro e, de lá pra cá, só tô tentando aproveitar o máximo essa festinha que é a vida.




Mundo em Fúria – Parte 02

VI

       11 de março de 2011.

       Um tsunami, provocado por um maremoto de magnitude 9.0, atinge a costa do Japão e de outros países da Ásia. Ainda no dia 11, três dos seis reatores nucleares da Usina de Fukushima são danificados e derretem por completo. Com as estruturas da usina comprometidas, nos dias seguintes, grandes proporções de material radioativo vazam para o mar, contaminando primeiro o Mar do Japão e, em seguida, o Oceano Pacífico.

       As autoridades do mundo falam que está tudo bem.

       Lentamente, a contaminação nuclear viaja junto com as correntes marítimas e contamina todo o Oceano Pacífico. Em agosto de 2013, acontece um novo vazamento de água contaminada de tanques da Usina de Fukushima. O Oceano Pacífico recebe nova carga de material radioativo, que logo se espalha, unindo-se ao resto dos resíduos tóxicos descarregados nos oceanos todos os dias, pelos homens de todas as nações.

       As autoridades do mundo falam que está tudo bem.

       Em 2014, o Oceano Pacífico começa sua metamorfose. Aos poucos, graças às generosas doses de material radioativo, sua mutação está concluída até o final do ano seguinte. O Oceano Pacífico se torna o cérebro, com consciência, do planeta Terra.
Nenhuma autoridade percebe essa mutação.

       O molhado e pulsante Oceano Pacífico se transforma numa gigante rede de neurônios pensantes. Num cérebro consciente do planeta Terra. Agora, o planeta percebe que precisa se livrar de seu inquilino mais abusado e inconsequente.

       Assim, aprimorando suas faculdades mentais, o Oceano-Cérebro começa a testar, bem aos poucos, seus poderes telepáticos. Primeiro consegue dominar crianças. Logo em seguida, consegue comandar adultos de baixo QI. Daí para o comando de fanáticos religiosos e militares foi fácil, já que estes são treinados para obedecer às mais absurdas ordens. E, assim, o planeta Terra passa os próximos anos testando e experimentando seus poderes telepáticos.

       Em março de 2018, o planeta Terra está com seu Oceano-Cérebro poderoso o suficiente para colocar em prática seu plano de extermínio da praga-homem. E assim o faz.

       Breve, muito em breve, o último humano, mesmo que tenha um super QI de gênio, tombará sem vida. Todas as carcaças humanas irão apodrecer e adubar o planeta Terra, que continuará sua órbita ao redor do Sol, feliz e consciente de que se livrou do pior parasita de todos os tempos.

 

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Petter Baiestorf
Mundo em Fúria – Parte 02

VI

       11 de março de 2011.

       Um tsunami, provocado por um maremoto de magnitude 9.0, atinge a costa do Japão e de outros países da Ásia. Ainda no dia 11, três dos seis reatores nucleares da Usina de Fukushima são danificados e derretem por completo. Com as estruturas da usina comprometidas, nos dias seguintes, grandes proporções de material radioativo vazam para o mar, contaminando primeiro o Mar do Japão e, em seguida, o Oceano Pacífico.

       As autoridades do mundo falam que está tudo bem.

       Lentamente, a contaminação nuclear viaja junto com as correntes marítimas e contamina todo o Oceano Pacífico. Em agosto de 2013, acontece um novo vazamento de água contaminada de tanques da Usina de Fukushima. O Oceano Pacífico recebe nova carga de material radioativo, que logo se espalha, unindo-se ao resto dos resíduos tóxicos descarregados nos oceanos todos os dias, pelos homens de todas as nações.

       As autoridades do mundo falam que está tudo bem.

       Em 2014, o Oceano Pacífico começa sua metamorfose. Aos poucos, graças às generosas doses de material radioativo, sua mutação está concluída até o final do ano seguinte. O Oceano Pacífico se torna o cérebro, com consciência, do planeta Terra.
Nenhuma autoridade percebe essa mutação.

       O molhado e pulsante Oceano Pacífico se transforma numa gigante rede de neurônios pensantes. Num cérebro consciente do planeta Terra. Agora, o planeta percebe que precisa se livrar de seu inquilino mais abusado e inconsequente.

       Assim, aprimorando suas faculdades mentais, o Oceano-Cérebro começa a testar, bem aos poucos, seus poderes telepáticos. Primeiro consegue dominar crianças. Logo em seguida, consegue comandar adultos de baixo QI. Daí para o comando de fanáticos religiosos e militares foi fácil, já que estes são treinados para obedecer às mais absurdas ordens. E, assim, o planeta Terra passa os próximos anos testando e experimentando seus poderes telepáticos.

       Em março de 2018, o planeta Terra está com seu Oceano-Cérebro poderoso o suficiente para colocar em prática seu plano de extermínio da praga-homem. E assim o faz.

       Breve, muito em breve, o último humano, mesmo que tenha um super QI de gênio, tombará sem vida. Todas as carcaças humanas irão apodrecer e adubar o planeta Terra, que continuará sua órbita ao redor do Sol, feliz e consciente de que se livrou do pior parasita de todos os tempos.

 

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