Um sonho estranho - Poebos Abel
Poebos Abel
Poebos Abel é um leitor voraz de Literatura, Filosofia e Ciência. Cultiva o gosto pela poesia desde tenra idade, sendo um leitor ávido e entusiasta dos grandes poetas da língua portuguesa. Quando não está às voltas com a ciência e a filosofia, lê e faz poemas. Não cultiva gosto e estima pela métrica, pois pensa que ela limita e suprime o pensar e o dizer do poeta, mas nutre intensa devoção e carinho pela graciosa rima, por isso sua poesia é rimada e desmedida.
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Um sonho estranho

         

          Essa noite eu tive um sonho muito estranho contigo.

         Sonhei que meus sentidos te percebiam envolvido por uma atmosfera de sangue. Te via, te respirava, te sorvia, te ouvia, te sentia e te pensava como que imerso em uma esfera de sangue. E aquela visão me enojava e me apavorava e me cismava. Eu queria vomitar, mas minha garganta jazia vedada; eu queria gritar, mas meus lábios jaziam selados; eu queria correr e fugir dali, mas meu corpo jazia petrificado. Mas meus olhos continuavam abertos e eu continuava a ver a macabra cena. E ainda que eu teimasse em fechá-los, não conseguia. Era como se minhas pálpebras houvessem sido costuradas rente à pele. Era como se meus olhos estivessem sendo controlados por alguém que quisesse que eu continuasse a ver aquela imagem sinistra.

          De repente, toda aquela substância sanguinolenta, que outrora te envolvia, começou a minguar, sendo tragada pelo chão, pelo teto e pelas paredes. E eu te via despertar-se daquele esquisito transe como se nada houvesse acontecido. E sua roupa jazia limpa, sem nenhuma mácula de sangue. Mas quando tu te aproximaste de mim, vi que havia sangue em seus olhos, vi que suas mãos jaziam ensanguentadas, senti que sua pele exalava um forte odor de sangue e ouvi que sua língua sussurrava em silêncio palavras assassinas, como se seu pensamento estivesse a escrevê-las em minha mente com uma pena banhada em sangue. Depois disso, acordei-me assustado, molhado e cismado. E depois de um tempo, adormeci e sonhei com campos floridos e borboletas coloridas.

Poebos Abel
Um sonho estranho

         

          Essa noite eu tive um sonho muito estranho contigo.

         Sonhei que meus sentidos te percebiam envolvido por uma atmosfera de sangue. Te via, te respirava, te sorvia, te ouvia, te sentia e te pensava como que imerso em uma esfera de sangue. E aquela visão me enojava e me apavorava e me cismava. Eu queria vomitar, mas minha garganta jazia vedada; eu queria gritar, mas meus lábios jaziam selados; eu queria correr e fugir dali, mas meu corpo jazia petrificado. Mas meus olhos continuavam abertos e eu continuava a ver a macabra cena. E ainda que eu teimasse em fechá-los, não conseguia. Era como se minhas pálpebras houvessem sido costuradas rente à pele. Era como se meus olhos estivessem sendo controlados por alguém que quisesse que eu continuasse a ver aquela imagem sinistra.

          De repente, toda aquela substância sanguinolenta, que outrora te envolvia, começou a minguar, sendo tragada pelo chão, pelo teto e pelas paredes. E eu te via despertar-se daquele esquisito transe como se nada houvesse acontecido. E sua roupa jazia limpa, sem nenhuma mácula de sangue. Mas quando tu te aproximaste de mim, vi que havia sangue em seus olhos, vi que suas mãos jaziam ensanguentadas, senti que sua pele exalava um forte odor de sangue e ouvi que sua língua sussurrava em silêncio palavras assassinas, como se seu pensamento estivesse a escrevê-las em minha mente com uma pena banhada em sangue. Depois disso, acordei-me assustado, molhado e cismado. E depois de um tempo, adormeci e sonhei com campos floridos e borboletas coloridas.