A Carta de Howdy - Rodrigo A. Leonardi
Rodrigo A. Leonardi
Rodrigo A. Leonardi, fanático por literatura maldita e contos góticos. Desenhista técnico, cinéfilo. Como Músico ja fui baixista/vocalista e principal compositor da banda death grind Abuso Verbal. Colecionador de tudo que é interessante. Comecei a pegar gosto em escrever, quando li "O Capitão saiu para o almoço e os marinheiros tomaram conta do navio", de Bukowski, em um sórdido verão de 2011. Tenho um canal no YT, onde faço entrevistas com bandas autorais e começaremos em breve a fazer documentários sobre diversos temas, sempre voltado a música pesada e a cultura alternativa.






A Carta de Howdy

As cartas eram entregues toda semana, nas primeiras horas do dia da terça feira.

Estava ansioso para que chegasse logo, mas não queria cartas de propagandas ou de boletos bancários, queria mesmo uma carta em especial. A carta de Howdy.

Já se passara duas semanas sem respostas e estava ansioso para poder recebe-la. Entre um trago e outro nas madrugadas solitárias pensava que aquela carta me daria a resposta que estava precisando, pois, a vida estava sem sentido e o sabor da noite não era mais o mesmo. Estava amargo e entrando em um mundo imaginário onde era uma pessoa terrível. Já estava se misturando com os meus próprios contos e poemas sem saber ao certo o que era realidade e ficção. Precisava disso.

Encontrei Howdy em uma dessas redes sociais, no qual ele era uma espécie de líder e formador de opinião. O modo com distorcia as realidades e se safava facilmente de perguntas retoricas, me fez chegar até ele.

Fascinante.

O olhar que eu tinha naquele momento de tristeza, era o mesmo olhar que eu tinha em um certo momento de ódio que passara. Gostaria de ler logo essa carta e me desfazer de todo esse mal que minha cabeça suporta.

Terça feira chegou, conferi a caixa do correio e não tinha nada. Pensei que tivesse mais uma semana de sofrimento e dor até a próxima vez em que passara.

Pensei que poderia aguentar, era só me convencer que aguentaria, afinal todo esse problema na verdade não exista. Nunca existiu e nunca existirá. Mas precisava que outra pessoa me falasse isso, precisava escutar isso de alguém que tinha uma importância para mim.

Sempre perambulando pela noite, em lugares vagabundos e se metendo com maltrapilhos sujos e endividados, não era diferente minha vida na internet.

Procurava lugares obscuros e profundos, onde só os que tem estômago conseguem alcançar, fazendo disso um conforto ímpar, reservado a poucos.

Pensei em caminhar pela manhã, pois era um período em que ficava calmo e consciente. Sim, as manhas sempre foram muito importantes para mim. Era a hora mais esplendida da minha rotina.

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Rodrigo A. Leonardi
A Carta de Howdy

As cartas eram entregues toda semana, nas primeiras horas do dia da terça feira.

Estava ansioso para que chegasse logo, mas não queria cartas de propagandas ou de boletos bancários, queria mesmo uma carta em especial. A carta de Howdy.

Já se passara duas semanas sem respostas e estava ansioso para poder recebe-la. Entre um trago e outro nas madrugadas solitárias pensava que aquela carta me daria a resposta que estava precisando, pois, a vida estava sem sentido e o sabor da noite não era mais o mesmo. Estava amargo e entrando em um mundo imaginário onde era uma pessoa terrível. Já estava se misturando com os meus próprios contos e poemas sem saber ao certo o que era realidade e ficção. Precisava disso.

Encontrei Howdy em uma dessas redes sociais, no qual ele era uma espécie de líder e formador de opinião. O modo com distorcia as realidades e se safava facilmente de perguntas retoricas, me fez chegar até ele.

Fascinante.

O olhar que eu tinha naquele momento de tristeza, era o mesmo olhar que eu tinha em um certo momento de ódio que passara. Gostaria de ler logo essa carta e me desfazer de todo esse mal que minha cabeça suporta.

Terça feira chegou, conferi a caixa do correio e não tinha nada. Pensei que tivesse mais uma semana de sofrimento e dor até a próxima vez em que passara.

Pensei que poderia aguentar, era só me convencer que aguentaria, afinal todo esse problema na verdade não exista. Nunca existiu e nunca existirá. Mas precisava que outra pessoa me falasse isso, precisava escutar isso de alguém que tinha uma importância para mim.

Sempre perambulando pela noite, em lugares vagabundos e se metendo com maltrapilhos sujos e endividados, não era diferente minha vida na internet.

Procurava lugares obscuros e profundos, onde só os que tem estômago conseguem alcançar, fazendo disso um conforto ímpar, reservado a poucos.

Pensei em caminhar pela manhã, pois era um período em que ficava calmo e consciente. Sim, as manhas sempre foram muito importantes para mim. Era a hora mais esplendida da minha rotina.

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