ALMA PENADA. - Rodrigo A. Leonardi
Rodrigo A. Leonardi
Rodrigo A. Leonardi, fanático por literatura maldita e contos góticos. Desenhista técnico, cinéfilo. Como Músico ja fui baixista/vocalista e principal compositor da banda death grind Abuso Verbal. Colecionador de tudo que é interessante. Comecei a pegar gosto em escrever, quando li "O Capitão saiu para o almoço e os marinheiros tomaram conta do navio", de Bukowski, em um sórdido verão de 2011. Tenho um canal no YT, onde faço entrevistas com bandas autorais e começaremos em breve a fazer documentários sobre diversos temas, sempre voltado a música pesada e a cultura alternativa.






ALMA PENADA.

 

Eu fui morto a tiros cerca de três anos atrás. Vítima de bala perdida.

Custei a acreditar que estava morto, pois não me sentia assim, ainda vagava nesse plano sempre a noite, com uma culpa dentro de mim que nunca ia embora. Ficava sempre na esquina perto de onde morava, encostado em um poste do lado onde não se pega luz. Não sei porque, mas sempre ficava ali. Todas as pessoas que passavam por ali, eu cumprimentava com um olá. Elas se assustavam e saiam correndo. Acredito que elas não me enxergavam, apenas escutavam meu cumprimento. Quando realmente soube que estava morto e o motivo que me levou a óbito, fiquei em fúria.

Não aceitava a morte, não gostava da ideia. A raiva tomou conta de mim por algum tempo, e assim realmente assustava as pessoas naquela esquina, me escondendo atrás do poste. Algumas passavam por lá dizendo que já tinha me visto, outras procuravam uma explicação lógica para o olá que eu dava. Percebi também, que meu olá apenas soava como cumprimento para mim, para as pessoas que ali passavam, soava como um ruído atormentador.

Minha alma estava ali, amenas ali. Naquela esquina, embaixo daquele poste. Talvez fora ali que tivesse morrido, não sei dizer ao certo pois, depois que se morre muitas coisas se perdem. Suas lembranças ficam rasas e você fica em estado letárgico, quase que em transe.

Me confortava com a solidão, na verdade eu gostava. Não tinha proposito algum, apenas me divertir fazendo assim com que meu ódio por ter morrido fosse embora, mesmo que momentaneamente.

Foram noites divertidas assustando casais de namorados e outras pessoas que por ali passavam.

Começo a perceber que ser uma alma penada é mais divertido que estar vivo, pego gosto e me entrego sem limites na arte de assustar. É isso que fazemos, é o nosso propósito. Assustar as pessoas

Como tudo, assustar começa a ficar chato. Muitas pessoas desviavam daquela esquina por medo de mim.

Fazia dias que não passava mais ninguém por ali, estava um tedio.

Depois de algum tempo sem pessoas para me divertir, comecei a pensar em como sair dali, em como ir embora. Sabia que almas penadas não eram pra estar nesse plano, sabia que algum dia ia ter que ir embora pra outros cantos.

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Rodrigo A. Leonardi
ALMA PENADA.

 

Eu fui morto a tiros cerca de três anos atrás. Vítima de bala perdida.

Custei a acreditar que estava morto, pois não me sentia assim, ainda vagava nesse plano sempre a noite, com uma culpa dentro de mim que nunca ia embora. Ficava sempre na esquina perto de onde morava, encostado em um poste do lado onde não se pega luz. Não sei porque, mas sempre ficava ali. Todas as pessoas que passavam por ali, eu cumprimentava com um olá. Elas se assustavam e saiam correndo. Acredito que elas não me enxergavam, apenas escutavam meu cumprimento. Quando realmente soube que estava morto e o motivo que me levou a óbito, fiquei em fúria.

Não aceitava a morte, não gostava da ideia. A raiva tomou conta de mim por algum tempo, e assim realmente assustava as pessoas naquela esquina, me escondendo atrás do poste. Algumas passavam por lá dizendo que já tinha me visto, outras procuravam uma explicação lógica para o olá que eu dava. Percebi também, que meu olá apenas soava como cumprimento para mim, para as pessoas que ali passavam, soava como um ruído atormentador.

Minha alma estava ali, amenas ali. Naquela esquina, embaixo daquele poste. Talvez fora ali que tivesse morrido, não sei dizer ao certo pois, depois que se morre muitas coisas se perdem. Suas lembranças ficam rasas e você fica em estado letárgico, quase que em transe.

Me confortava com a solidão, na verdade eu gostava. Não tinha proposito algum, apenas me divertir fazendo assim com que meu ódio por ter morrido fosse embora, mesmo que momentaneamente.

Foram noites divertidas assustando casais de namorados e outras pessoas que por ali passavam.

Começo a perceber que ser uma alma penada é mais divertido que estar vivo, pego gosto e me entrego sem limites na arte de assustar. É isso que fazemos, é o nosso propósito. Assustar as pessoas

Como tudo, assustar começa a ficar chato. Muitas pessoas desviavam daquela esquina por medo de mim.

Fazia dias que não passava mais ninguém por ali, estava um tedio.

Depois de algum tempo sem pessoas para me divertir, comecei a pensar em como sair dali, em como ir embora. Sabia que almas penadas não eram pra estar nesse plano, sabia que algum dia ia ter que ir embora pra outros cantos.

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