Aquele beco - Rodrigo A. Leonardi
Rodrigo A. Leonardi
Rodrigo A. Leonardi, fanático por literatura maldita e contos góticos. Desenhista técnico, cinéfilo. Como Músico ja fui baixista/vocalista e principal compositor da banda death grind Abuso Verbal. Colecionador de tudo que é interessante. Comecei a pegar gosto em escrever, quando li "O Capitão saiu para o almoço e os marinheiros tomaram conta do navio", de Bukowski, em um sórdido verão de 2011. Tenho um canal no YT, onde faço entrevistas com bandas autorais e começaremos em breve a fazer documentários sobre diversos temas, sempre voltado a música pesada e a cultura alternativa.






Aquele beco

Apenas um sussurro, mas que depressa, olho em minha volta. Percebo que está tudo normal. Não tem delírio. Aquilo foi real.

Me apresso para chegar no beco, anda a passos largos, meio que aos tropeços devido há algumas doses do néctar. Acabo chegando no beco.

Cheiro horrível.

Nunca tinha entrado, apenas passado na frente e sempre tapando o nariz pelo forte cheiro.

Enfim, entro no beco. Desviando de lixos, restos de comidas, ratos, baratas e alguns insetos que não consigo identificar. Me aproximo.

Vejo uma perna dentre os sacos de lixo.

Me apavoro.

Aumento o passo, tiro os sacos de lixo e lá estava ela. A jovem moca que segui horas atrás. Seu corpo em decomposição, cheio de moscas em seus olhos, moscas que pareciam maior que o normal, grandes, verdes e bem alimentadas.

Paro um instante. Sim, é ela, a mesma moca. Tudo fez sentido, a boa tarde e o sussurro que ouvira no quase transe que estivera quando a perdi de vista.

Reparo bem, ela mesma, sem dúvida. Penso que estou enlouquecendo quando sua boca se mexe e diz algo

– Te atormentarei pelo resto da sua vida, seu escroto.

Entro em pânico, me lembro do assassinato, me lembro de tudo.

3,2, 1, ouço um estralar de dedos. Acordo ofegante e agitado. Os enfermeiros me aplicam algo, uma injeção gigante.

– Estamos progredindo, agora você se lembra o que fez com aquela jovem.- disse o médico psiquiatra.

Me levam para o quarto, sedado…

 

 

 

 

 

 

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Rodrigo A. Leonardi
Aquele beco

Apenas um sussurro, mas que depressa, olho em minha volta. Percebo que está tudo normal. Não tem delírio. Aquilo foi real.

Me apresso para chegar no beco, anda a passos largos, meio que aos tropeços devido há algumas doses do néctar. Acabo chegando no beco.

Cheiro horrível.

Nunca tinha entrado, apenas passado na frente e sempre tapando o nariz pelo forte cheiro.

Enfim, entro no beco. Desviando de lixos, restos de comidas, ratos, baratas e alguns insetos que não consigo identificar. Me aproximo.

Vejo uma perna dentre os sacos de lixo.

Me apavoro.

Aumento o passo, tiro os sacos de lixo e lá estava ela. A jovem moca que segui horas atrás. Seu corpo em decomposição, cheio de moscas em seus olhos, moscas que pareciam maior que o normal, grandes, verdes e bem alimentadas.

Paro um instante. Sim, é ela, a mesma moca. Tudo fez sentido, a boa tarde e o sussurro que ouvira no quase transe que estivera quando a perdi de vista.

Reparo bem, ela mesma, sem dúvida. Penso que estou enlouquecendo quando sua boca se mexe e diz algo

– Te atormentarei pelo resto da sua vida, seu escroto.

Entro em pânico, me lembro do assassinato, me lembro de tudo.

3,2, 1, ouço um estralar de dedos. Acordo ofegante e agitado. Os enfermeiros me aplicam algo, uma injeção gigante.

– Estamos progredindo, agora você se lembra o que fez com aquela jovem.- disse o médico psiquiatra.

Me levam para o quarto, sedado…

 

 

 

 

 

 

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