A Estrada dos Deuses Esquecidos - Tatianie Kiosia
Tatianie Kiosia
Tatianie Kiosia reside em Campinas no interior de São Paulo, tem 35 anos e é artesã e escritora, autora de contos de horror, caracterizada por um mórbido e culto refinamento singular apenas aos indivíduos cuja ironia cáustica somada à criativa imaginação culminam em textos de profundo horror. Por anos foi mantenedora e coeditora do fanzine Vampyrum Spectrum, publicação dedicada á música extrema e ocultismo que circulou ativamente pelo necrounderground brasileiro e que deverá ressurgir numa obscura aurora. É idealizadora do blog Escritos do Inferno, insano depositário de muitos de seus contos de horror e de histórias causadoras de forte repulsa, não recomendado aos indivíduos mais frágeis. Escritos do Inferno é também o título de seu primeiro livro, obra publicada de forma independente pelo Clube de Autores durante o ano de 2017 que reúne vários de seus trabalhos, alguns escritos no início da adolescência.
Hoje vive literalmente de sua arte, e nas poucas horas vagas escreve contos inspirados em sonhos estranhos, lembranças bizarras e fatos insólitos do dia a dia.
E-mail: tatianie_kiosia@hotmail.com
Facebook: facebook.com/tatianie.kiosia
Site: escritosdoinferno.wordpress.com






A Estrada dos Deuses Esquecidos

O dia havia sido agradável, a cachoeira era belíssima, apesar da água gelada. Valeu a pena ter se arriscado num carro velho tantos quilômetros numa estrada de terra. Os quatro amigos haviam planejado a ida àquele lugar há semanas, e finalmente, naquele dia ensolarado e quente de verão, havia dado tudo certo. O local era bastante afastado, e pouquíssimas pessoas conheciam o oásis naquela região. Não era uma cachoeira muito extensa, mas o conjunto de árvores, morros e água cristalina, aliado ao fato de estarem sem a companhia de outras pessoas ali, já tornava o lugar um pequeno paraíso.

O dia passou maravilhosamente bem, e então o sol já estava se pondo e era hora de ir embora. A cerveja já havia acabado quase toda, restando apenas uma ou duas latas no isopor com seu gelo transformado em água. O caminho era longo e deveria ser percorrido ainda com a luz do dia, ou o que restasse dela, pois não havia iluminação alguma naquele fim de mundo. Recolheram tudo, a fim de não deixar nenhum rastro de lixo humano naquele lugar, se ajeitaram ainda com os bermudões molhados no estofado encardido do velho carro, e puseram-se a caminho da cidade.

Porém, o que foi bem na ida, na volta já não deu tão certo: o carro pifou no meio da estrada desolada. Sem outra alternativa, os rapazes empurraram o carro até a beirada do mato como se fosse um tipo de acostamento improvisado, e tiveram que seguir o restante do caminho a pé. A noite caía rapidamente, e corujas e outros animais noturnos começavam sua sinfonia.

Era tarde demais quando perceberam que aquela era uma noite sem lua. Obviamente ninguém tinha uma lanterna por ali, e talvez a fonte de luz mais viável que tivessem em mãos, fosse um isqueiro barato. Caminhar ali no breu total seria um risco, então se apressaram o máximo que puderam.

Ao longe, viram uma pequena luz tremeluzindo e se movimentando rapidamente. Na penumbra, puderam ver um vulto escuro. Era uma pessoa, sem dúvidas, provavelmente algum morador da região, carregando um pequeno lampião para iluminar seu caminho naquela estrada.

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Tatianie Kiosia
A Estrada dos Deuses Esquecidos

O dia havia sido agradável, a cachoeira era belíssima, apesar da água gelada. Valeu a pena ter se arriscado num carro velho tantos quilômetros numa estrada de terra. Os quatro amigos haviam planejado a ida àquele lugar há semanas, e finalmente, naquele dia ensolarado e quente de verão, havia dado tudo certo. O local era bastante afastado, e pouquíssimas pessoas conheciam o oásis naquela região. Não era uma cachoeira muito extensa, mas o conjunto de árvores, morros e água cristalina, aliado ao fato de estarem sem a companhia de outras pessoas ali, já tornava o lugar um pequeno paraíso.

O dia passou maravilhosamente bem, e então o sol já estava se pondo e era hora de ir embora. A cerveja já havia acabado quase toda, restando apenas uma ou duas latas no isopor com seu gelo transformado em água. O caminho era longo e deveria ser percorrido ainda com a luz do dia, ou o que restasse dela, pois não havia iluminação alguma naquele fim de mundo. Recolheram tudo, a fim de não deixar nenhum rastro de lixo humano naquele lugar, se ajeitaram ainda com os bermudões molhados no estofado encardido do velho carro, e puseram-se a caminho da cidade.

Porém, o que foi bem na ida, na volta já não deu tão certo: o carro pifou no meio da estrada desolada. Sem outra alternativa, os rapazes empurraram o carro até a beirada do mato como se fosse um tipo de acostamento improvisado, e tiveram que seguir o restante do caminho a pé. A noite caía rapidamente, e corujas e outros animais noturnos começavam sua sinfonia.

Era tarde demais quando perceberam que aquela era uma noite sem lua. Obviamente ninguém tinha uma lanterna por ali, e talvez a fonte de luz mais viável que tivessem em mãos, fosse um isqueiro barato. Caminhar ali no breu total seria um risco, então se apressaram o máximo que puderam.

Ao longe, viram uma pequena luz tremeluzindo e se movimentando rapidamente. Na penumbra, puderam ver um vulto escuro. Era uma pessoa, sem dúvidas, provavelmente algum morador da região, carregando um pequeno lampião para iluminar seu caminho naquela estrada.

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