Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Tatianie Kiosia
Tatianie Kiosia reside em Campinas no interior de São Paulo, tem 35 anos e é artesã e escritora, autora de contos de horror, caracterizada por um mórbido e culto refinamento singular apenas aos indivíduos cuja ironia cáustica somada à criativa imaginação culminam em textos de profundo horror. Por anos foi mantenedora e coeditora do fanzine Vampyrum Spectrum, publicação dedicada á música extrema e ocultismo que circulou ativamente pelo necrounderground brasileiro e que deverá ressurgir numa obscura aurora. É idealizadora do blog Escritos do Inferno, insano depositário de muitos de seus contos de horror e de histórias causadoras de forte repulsa, não recomendado aos indivíduos mais frágeis. Escritos do Inferno é também o título de seu primeiro livro, obra publicada de forma independente pelo Clube de Autores durante o ano de 2017 que reúne vários de seus trabalhos, alguns escritos no início da adolescência.
Hoje vive literalmente de sua arte, e nas poucas horas vagas escreve contos inspirados em sonhos estranhos, lembranças bizarras e fatos insólitos do dia a dia.
E-mail: tatianie_kiosia@hotmail.com
Facebook: facebook.com/tatianie.kiosia
Site: escritosdoinferno.wordpress.com






A Estrada dos Deuses Esquecidos

Começaram a chamar, era um velho senhor. Os amigos sentiram certo alívio ao avistá-lo, contando com que ele pudesse ajudar em alguma coisa. Correram para mais perto e o alcançaram, mas o velho demonstrava claramente uma ansiedade e nervosismo fora do comum. Aquilo era estranho, pois ao pedirem ajuda, o velho lhes disse que precisava ir embora dali rápido, e que como eles estavam ali, não daria tempo. Ele tremia e falava muito rápido.

– Não dá mais tempo agora, a noite caiu e eles estão vindo. Não conseguirei sair daqui e nem vocês.

– Eles quem?

O velho baixou o tom de voz num sussurro trêmulo:

– Eles! Os deuses esquecidos! Esta é a estrada deles. É aqui que eles passam, em certas noites do ano, noites escuras e sem lua!

Os amigos acharam que o velho estava pirado, mas algo no ar estava estranho, e era algo que eles não sabiam explicar. Então resolveram escutar o velho.

– Eles passam por aqui e vão se reunir em algum lugar, fora desse tempo e espaço, mas essa estrada faz parte do caminho deles, e eles jamais podem nos ver. Na verdade, nós é que não devemos vê-los. Eles não gostam que os vejamos!

Eles acharam que o velho estava louco e estavam prestes a deixá-lo ali, quando a noite pareceu a mais negra de todas, e uma brisa estranha soprou. De repente, a sinfonia noturna dos animais silenciou. Um outro som estranho vinha de longe, mas se aproximando.

– São eles! Não dá mais tempo! Venham e se escondam!

Sem saber bem o porque estavam fazendo aquilo, seguiram o velho. Talvez para ver até onde iria aquela aparente insanidade, talvez porque assim o velho se sentiria mais confortável em ter um pouco de atenção e companhia, ainda que em circunstâncias bem estranhas. Há poucos metros dali havia as ruínas de uma antiga colônia. Apenas poucos pedaços de paredes estavam em pé. Se enfiaram lá e ficaram de cócoras, de maneira que permanecessem atrás daqueles restos de muros.

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Tatianie Kiosia
A Estrada dos Deuses Esquecidos

Começaram a chamar, era um velho senhor. Os amigos sentiram certo alívio ao avistá-lo, contando com que ele pudesse ajudar em alguma coisa. Correram para mais perto e o alcançaram, mas o velho demonstrava claramente uma ansiedade e nervosismo fora do comum. Aquilo era estranho, pois ao pedirem ajuda, o velho lhes disse que precisava ir embora dali rápido, e que como eles estavam ali, não daria tempo. Ele tremia e falava muito rápido.

– Não dá mais tempo agora, a noite caiu e eles estão vindo. Não conseguirei sair daqui e nem vocês.

– Eles quem?

O velho baixou o tom de voz num sussurro trêmulo:

– Eles! Os deuses esquecidos! Esta é a estrada deles. É aqui que eles passam, em certas noites do ano, noites escuras e sem lua!

Os amigos acharam que o velho estava pirado, mas algo no ar estava estranho, e era algo que eles não sabiam explicar. Então resolveram escutar o velho.

– Eles passam por aqui e vão se reunir em algum lugar, fora desse tempo e espaço, mas essa estrada faz parte do caminho deles, e eles jamais podem nos ver. Na verdade, nós é que não devemos vê-los. Eles não gostam que os vejamos!

Eles acharam que o velho estava louco e estavam prestes a deixá-lo ali, quando a noite pareceu a mais negra de todas, e uma brisa estranha soprou. De repente, a sinfonia noturna dos animais silenciou. Um outro som estranho vinha de longe, mas se aproximando.

– São eles! Não dá mais tempo! Venham e se escondam!

Sem saber bem o porque estavam fazendo aquilo, seguiram o velho. Talvez para ver até onde iria aquela aparente insanidade, talvez porque assim o velho se sentiria mais confortável em ter um pouco de atenção e companhia, ainda que em circunstâncias bem estranhas. Há poucos metros dali havia as ruínas de uma antiga colônia. Apenas poucos pedaços de paredes estavam em pé. Se enfiaram lá e ficaram de cócoras, de maneira que permanecessem atrás daqueles restos de muros.

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