Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Tatianie Kiosia
Tatianie Kiosia reside em Campinas no interior de São Paulo, tem 35 anos e é artesã e escritora, autora de contos de horror, caracterizada por um mórbido e culto refinamento singular apenas aos indivíduos cuja ironia cáustica somada à criativa imaginação culminam em textos de profundo horror. Por anos foi mantenedora e coeditora do fanzine Vampyrum Spectrum, publicação dedicada á música extrema e ocultismo que circulou ativamente pelo necrounderground brasileiro e que deverá ressurgir numa obscura aurora. É idealizadora do blog Escritos do Inferno, insano depositário de muitos de seus contos de horror e de histórias causadoras de forte repulsa, não recomendado aos indivíduos mais frágeis. Escritos do Inferno é também o título de seu primeiro livro, obra publicada de forma independente pelo Clube de Autores durante o ano de 2017 que reúne vários de seus trabalhos, alguns escritos no início da adolescência.
Hoje vive literalmente de sua arte, e nas poucas horas vagas escreve contos inspirados em sonhos estranhos, lembranças bizarras e fatos insólitos do dia a dia.
E-mail: tatianie_kiosia@hotmail.com
Facebook: facebook.com/tatianie.kiosia
Site: escritosdoinferno.wordpress.com






A Porta Oculta

Lílian tentava manter uma aparência de normalidade. Imaginava estar ficando esquizofrênica.
Até que, numa noite silenciosa, no meio de um desses estados paralisantes e atemorizantes, em que Lílian esforçava-se para voltar a ter domínio sobre seus movimentos, de súbito ela conseguiu levantar-se. Com cuidado e agilidade, pegou Catarina que dormia no berço ao lado de sua cama, embrulhou-a na manta, e furtivamente, pôs-se a descer, em direção ao porão. Com uma força que normalmente ela não teria, arrastou a prateleira que ocultava a porta maldita. Tirou a chave do bolso do roupão, que pegara escondido de Cláudio poucos dias antes de Catarina nascer, já que anteriormente ela pretendia explorar por si própria aquela parte de sua casa. Mas jamais imaginaria que isso seria feito em tais condições desesperadoras.
Segurando Catarina firme num braço, e a lanterna no outro, Lílian adentrou descendo pelas fétidas e escuras escadarias. Seu olhar era alucinado, sua determinação e agilidade impensadas, como se estivesse sendo guiada pelas sombras infernais. Os pés pisando firmes nos íngremes degraus, como se já estivessem acostumados com eles.
***
Cláudio acordou e rapidamente foi ver se estava tudo bem com as duas no quarto ao lado. Ao se deparar com o berço e cama vazios, pôs-se em desespero. As luzes estavam todas apagadas, com exceção de um pequeno abajur rosa de Catarina.
– Lílian… – gritava ele, obtendo o silêncio aterrador como resposta.
Apavorado, Cláudio seguiu seu instinto e dirigiu-se ao porão. Ao deparar-se com a sinistra porta aberta, gritou pela esposa. Procurou pela luz de emergência, e desesperado, desceu em busca de Lílian e Catarina. À medida que descia rumo ao tenebroso poço, um choro de bebê atestava sua aterradora suspeita.
Na beirada do sinistro poço, Lílian permanecia em pé, segurando Catarina nos braços. Seus olhos vítreos perscrutavam a escuridão abissal. Seu rosto suado e lívido demonstrava claramente que Lílian estava francamente perturbada. A pequena menina choramingava, acordando lentamente.
A potente luz que Cláudio trouxera fez com que Lílian apertasse os olhos. Lágrimas escorreram daquele rosto transtornado pela loucura.

Páginas: 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12

Tatianie Kiosia
A Porta Oculta

Lílian tentava manter uma aparência de normalidade. Imaginava estar ficando esquizofrênica.
Até que, numa noite silenciosa, no meio de um desses estados paralisantes e atemorizantes, em que Lílian esforçava-se para voltar a ter domínio sobre seus movimentos, de súbito ela conseguiu levantar-se. Com cuidado e agilidade, pegou Catarina que dormia no berço ao lado de sua cama, embrulhou-a na manta, e furtivamente, pôs-se a descer, em direção ao porão. Com uma força que normalmente ela não teria, arrastou a prateleira que ocultava a porta maldita. Tirou a chave do bolso do roupão, que pegara escondido de Cláudio poucos dias antes de Catarina nascer, já que anteriormente ela pretendia explorar por si própria aquela parte de sua casa. Mas jamais imaginaria que isso seria feito em tais condições desesperadoras.
Segurando Catarina firme num braço, e a lanterna no outro, Lílian adentrou descendo pelas fétidas e escuras escadarias. Seu olhar era alucinado, sua determinação e agilidade impensadas, como se estivesse sendo guiada pelas sombras infernais. Os pés pisando firmes nos íngremes degraus, como se já estivessem acostumados com eles.
***
Cláudio acordou e rapidamente foi ver se estava tudo bem com as duas no quarto ao lado. Ao se deparar com o berço e cama vazios, pôs-se em desespero. As luzes estavam todas apagadas, com exceção de um pequeno abajur rosa de Catarina.
– Lílian… – gritava ele, obtendo o silêncio aterrador como resposta.
Apavorado, Cláudio seguiu seu instinto e dirigiu-se ao porão. Ao deparar-se com a sinistra porta aberta, gritou pela esposa. Procurou pela luz de emergência, e desesperado, desceu em busca de Lílian e Catarina. À medida que descia rumo ao tenebroso poço, um choro de bebê atestava sua aterradora suspeita.
Na beirada do sinistro poço, Lílian permanecia em pé, segurando Catarina nos braços. Seus olhos vítreos perscrutavam a escuridão abissal. Seu rosto suado e lívido demonstrava claramente que Lílian estava francamente perturbada. A pequena menina choramingava, acordando lentamente.
A potente luz que Cláudio trouxera fez com que Lílian apertasse os olhos. Lágrimas escorreram daquele rosto transtornado pela loucura.

Páginas: 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12