Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Tatianie Kiosia
Tatianie Kiosia reside em Campinas no interior de São Paulo, tem 35 anos e é artesã e escritora, autora de contos de horror, caracterizada por um mórbido e culto refinamento singular apenas aos indivíduos cuja ironia cáustica somada à criativa imaginação culminam em textos de profundo horror. Por anos foi mantenedora e coeditora do fanzine Vampyrum Spectrum, publicação dedicada á música extrema e ocultismo que circulou ativamente pelo necrounderground brasileiro e que deverá ressurgir numa obscura aurora. É idealizadora do blog Escritos do Inferno, insano depositário de muitos de seus contos de horror e de histórias causadoras de forte repulsa, não recomendado aos indivíduos mais frágeis. Escritos do Inferno é também o título de seu primeiro livro, obra publicada de forma independente pelo Clube de Autores durante o ano de 2017 que reúne vários de seus trabalhos, alguns escritos no início da adolescência.
Hoje vive literalmente de sua arte, e nas poucas horas vagas escreve contos inspirados em sonhos estranhos, lembranças bizarras e fatos insólitos do dia a dia.
E-mail: tatianie_kiosia@hotmail.com
Facebook: facebook.com/tatianie.kiosia
Site: escritosdoinferno.wordpress.com






A Porta Oculta

Em outras fotos, cenas parecidas. Em uma delas, talvez a mais chocante, um corpo sobre uma espécie de altar, com manchas negras nas regiões do pescoço. Talvez fossem manchas de sangue, não teria como ter tanta certeza, pois era tudo em preto e branco. Justamente nesta foto, uma mocinha tinha os traços de dona Solange. Seria ela que, na sua juventude, teria participado de tais cultos infernais?
Cláudio olhava para Lílian, que dormia um sono agitado. Na pequena escrivaninha do quarto, rodeado daqueles materiais sombrios e antigos, com o semblante sério e a barba por fazer, ele lembrava um ermitão ou um monge.
– Meu bebê não… não… – gemia Lílian durante seus últimos meses de gravidez.
Ela acordava, mas nunca se lembrava desses pesadelos. Apenas ia ao banheiro a cada meia hora na madrugada, como toda mulher que carrega um bebê formado dentro de si.

4 – Labirintos Abissais
– Vou chamar meu primo Marcos pra vir aqui. Vou levá-lo lá embaixo, quem sabe ele possa me esclarecer alguma coisa. E certamente ele vai adorar lá né? Ele é todo esquisito.
Lílian achava melhor entrar em contato diretamente com dona Solange e pedir explicações a ela. Questioná-la do motivo de ter vendido um imóvel sem tê-lo mostrado todo. Mas Cláudio achava que era melhor não, ele não queria incomodar a velha senhora com assuntos que talvez ela mesma não gostaria de ter que recordar. Além do que, vários meses haviam transcorrido desde a compra do imóvel, e talvez não fosse mais possível entrar em contato.
Marcos chegou uns dias depois. Rapaz alto e magro, vestido todo de preto, como um desses góticos, porém com certa elegância. Trouxera consigo alguns livros que, segundo ele, poderiam ser úteis para alguma coisa.
– E aí, como vai esse bebezão? – saudou ele.
– É ela, seu bobo! Minha princesinha.
– Lá embaixo é tão escuro, que providenciei uma luz de emergência. – disse Cláudio, – Não desci tudo… cara, aquilo deve ser um labirinto!
– Ah, pode me falar… você ficou com medinho – brincou Marcos, rindo.

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Tatianie Kiosia
A Porta Oculta

Em outras fotos, cenas parecidas. Em uma delas, talvez a mais chocante, um corpo sobre uma espécie de altar, com manchas negras nas regiões do pescoço. Talvez fossem manchas de sangue, não teria como ter tanta certeza, pois era tudo em preto e branco. Justamente nesta foto, uma mocinha tinha os traços de dona Solange. Seria ela que, na sua juventude, teria participado de tais cultos infernais?
Cláudio olhava para Lílian, que dormia um sono agitado. Na pequena escrivaninha do quarto, rodeado daqueles materiais sombrios e antigos, com o semblante sério e a barba por fazer, ele lembrava um ermitão ou um monge.
– Meu bebê não… não… – gemia Lílian durante seus últimos meses de gravidez.
Ela acordava, mas nunca se lembrava desses pesadelos. Apenas ia ao banheiro a cada meia hora na madrugada, como toda mulher que carrega um bebê formado dentro de si.

4 – Labirintos Abissais
– Vou chamar meu primo Marcos pra vir aqui. Vou levá-lo lá embaixo, quem sabe ele possa me esclarecer alguma coisa. E certamente ele vai adorar lá né? Ele é todo esquisito.
Lílian achava melhor entrar em contato diretamente com dona Solange e pedir explicações a ela. Questioná-la do motivo de ter vendido um imóvel sem tê-lo mostrado todo. Mas Cláudio achava que era melhor não, ele não queria incomodar a velha senhora com assuntos que talvez ela mesma não gostaria de ter que recordar. Além do que, vários meses haviam transcorrido desde a compra do imóvel, e talvez não fosse mais possível entrar em contato.
Marcos chegou uns dias depois. Rapaz alto e magro, vestido todo de preto, como um desses góticos, porém com certa elegância. Trouxera consigo alguns livros que, segundo ele, poderiam ser úteis para alguma coisa.
– E aí, como vai esse bebezão? – saudou ele.
– É ela, seu bobo! Minha princesinha.
– Lá embaixo é tão escuro, que providenciei uma luz de emergência. – disse Cláudio, – Não desci tudo… cara, aquilo deve ser um labirinto!
– Ah, pode me falar… você ficou com medinho – brincou Marcos, rindo.

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