Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Tatianie Kiosia
Tatianie Kiosia reside em Campinas no interior de São Paulo, tem 35 anos e é artesã e escritora, autora de contos de horror, caracterizada por um mórbido e culto refinamento singular apenas aos indivíduos cuja ironia cáustica somada à criativa imaginação culminam em textos de profundo horror. Por anos foi mantenedora e coeditora do fanzine Vampyrum Spectrum, publicação dedicada á música extrema e ocultismo que circulou ativamente pelo necrounderground brasileiro e que deverá ressurgir numa obscura aurora. É idealizadora do blog Escritos do Inferno, insano depositário de muitos de seus contos de horror e de histórias causadoras de forte repulsa, não recomendado aos indivíduos mais frágeis. Escritos do Inferno é também o título de seu primeiro livro, obra publicada de forma independente pelo Clube de Autores durante o ano de 2017 que reúne vários de seus trabalhos, alguns escritos no início da adolescência.
Hoje vive literalmente de sua arte, e nas poucas horas vagas escreve contos inspirados em sonhos estranhos, lembranças bizarras e fatos insólitos do dia a dia.
E-mail: tatianie_kiosia@hotmail.com
Facebook: facebook.com/tatianie.kiosia
Site: escritosdoinferno.wordpress.com






A Porta Oculta

Os dois perceberam que ali havia outra porta, que dava acesso a uma outra escada muito mais íngreme do que as outras, cujos degraus eram praticamente verticais. Lá embaixo, a escuridão parecia palpável. O cheiro ia ficando quase insuportável.
Nas paredes, mais símbolos obscuros. Ali deve ter sido iluminado por archotes em tempos antigos, pois as marcas enegrecidas nas paredes eram evidentes. Marcos sentia-se como se estivesse fazendo uma grande descoberta, estava até empolgado à sua maneira, mas Cláudio não gostava nem um pouco daquilo, e sentia-se arrependido de ter comprado aquele chalé junto com sua mulher. Mas quem saberia quais segredos mórbidos se escondiam abaixo da superfície?
Com dificuldade Cláudio e Marcos iam descendo as tenebrosas escadarias. Os degraus eram curtos demais, e os pés poderiam tropeçar e escorregar ali com facilidade. Cláudio lamentou-se de não ter levado uma máscara ou pano para cobrir o nariz, pois o ar ali estava impregnado de uma pestilência infernal.
Por fim, chegaram ao fim da descida, e uma abertura na pedra maciça indicava nova passagem. A luz de emergência dava sinais de falha.
– Qualquer coisa, trouxe uma lanterna no bolso. – comentou Cláudio.
Abaixaram-se para passar na estreita fenda, e se depararam com uma espécie de salão escavado na rocha, e símbolos demoníacos esculpidos ali, sabe-se lá como. Era ao mesmo tempo impressionante e aterrador. E no centro desse salão, estava o poço, o mesmo que viram em uma das fotos. Um buraco circular exatamente no meio, cuja circunferência perfeita deveria ter uns dois metros. O cheiro nauseante vinha todo dali, um bafo morno, úmido e fétido. Puderam ouvir água correndo lá embaixo.
– Um local de culto ctônico – murmurou Marcos, impressionado com tudo aquilo.
Tentaram iluminar o poço, mas não conseguiram ver o fundo. Havia água corrente ali com toda a certeza. Não chegaram muito perto, pois as bordas do poço eram inclinadas para baixo e escorregadias demais.

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Tatianie Kiosia
A Porta Oculta

Os dois perceberam que ali havia outra porta, que dava acesso a uma outra escada muito mais íngreme do que as outras, cujos degraus eram praticamente verticais. Lá embaixo, a escuridão parecia palpável. O cheiro ia ficando quase insuportável.
Nas paredes, mais símbolos obscuros. Ali deve ter sido iluminado por archotes em tempos antigos, pois as marcas enegrecidas nas paredes eram evidentes. Marcos sentia-se como se estivesse fazendo uma grande descoberta, estava até empolgado à sua maneira, mas Cláudio não gostava nem um pouco daquilo, e sentia-se arrependido de ter comprado aquele chalé junto com sua mulher. Mas quem saberia quais segredos mórbidos se escondiam abaixo da superfície?
Com dificuldade Cláudio e Marcos iam descendo as tenebrosas escadarias. Os degraus eram curtos demais, e os pés poderiam tropeçar e escorregar ali com facilidade. Cláudio lamentou-se de não ter levado uma máscara ou pano para cobrir o nariz, pois o ar ali estava impregnado de uma pestilência infernal.
Por fim, chegaram ao fim da descida, e uma abertura na pedra maciça indicava nova passagem. A luz de emergência dava sinais de falha.
– Qualquer coisa, trouxe uma lanterna no bolso. – comentou Cláudio.
Abaixaram-se para passar na estreita fenda, e se depararam com uma espécie de salão escavado na rocha, e símbolos demoníacos esculpidos ali, sabe-se lá como. Era ao mesmo tempo impressionante e aterrador. E no centro desse salão, estava o poço, o mesmo que viram em uma das fotos. Um buraco circular exatamente no meio, cuja circunferência perfeita deveria ter uns dois metros. O cheiro nauseante vinha todo dali, um bafo morno, úmido e fétido. Puderam ouvir água correndo lá embaixo.
– Um local de culto ctônico – murmurou Marcos, impressionado com tudo aquilo.
Tentaram iluminar o poço, mas não conseguiram ver o fundo. Havia água corrente ali com toda a certeza. Não chegaram muito perto, pois as bordas do poço eram inclinadas para baixo e escorregadias demais.

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