Carne fresca - Parte 1 - Tatianie Kiosia
Tatianie Kiosia
Tatianie Kiosia reside em Campinas no interior de São Paulo, tem 35 anos e é artesã e escritora, autora de contos de horror, caracterizada por um mórbido e culto refinamento singular apenas aos indivíduos cuja ironia cáustica somada à criativa imaginação culminam em textos de profundo horror. Por anos foi mantenedora e coeditora do fanzine Vampyrum Spectrum, publicação dedicada á música extrema e ocultismo que circulou ativamente pelo necrounderground brasileiro e que deverá ressurgir numa obscura aurora. É idealizadora do blog Escritos do Inferno, insano depositário de muitos de seus contos de horror e de histórias causadoras de forte repulsa, não recomendado aos indivíduos mais frágeis. Escritos do Inferno é também o título de seu primeiro livro, obra publicada de forma independente pelo Clube de Autores durante o ano de 2017 que reúne vários de seus trabalhos, alguns escritos no início da adolescência.
Hoje vive literalmente de sua arte, e nas poucas horas vagas escreve contos inspirados em sonhos estranhos, lembranças bizarras e fatos insólitos do dia a dia.
E-mail: tatianie_kiosia@hotmail.com
Facebook: facebook.com/tatianie.kiosia
Site: escritosdoinferno.wordpress.com






Carne fresca – Parte 1

***

Ela acordou algemada a um cano no banheiro. Eram aquelas algemas de sex shop, tinha até uma pluma rosa, mas prendiam como uma de verdade. Não que Marcela soubesse como seria estar presa a algemas de verdade, pois nunca foi presa; seu único delito na vida foi roubar bombons em lojas de departamentos na infância. Nem sabia que essas algemas eróticas prendiam tão bem, pois não era apreciadora de tais fetiches.

O banheiro era muito organizado. A toalha de rosto combinava com o tapete, um pequeno vaso de orquídea enfeitava uma pia cor de creme. Um frasco de sabonete líquido, desses que Marcela sabia ser dos caros, ficava do lado oposto ao vaso. Que tipo de louco era esse cara? O que será que acontecera na noite anterior? Suas amigas sempre lhe alertaram que essa coisa de tinder era roubada, mas ela não sabia que seria neste nível de roubada estilo risco de vida, ou de morte como é dito atualmente. Ela não se lembrava de nada, até o momento de entrar por um portão de madeira com o rapaz, após ter bebido várias no barzinho com ele. Só podia ter sido um “boa noite cinderela”. Ela sacudiu as algemas, para ver se soltaria. Os braços já estavam dormentes.

Não tardou a ele aparecer. A porta nem estava trancada e ele se deparou com a garota gordinha, de cabelos levemente ondulados castanho escuros, boca carnuda e olhar desesperado. Marcela disse com uma voz estridente pelo nervosismo e pelo medo:

– Cara, você está maluco? Me solta, pelo amor de Deus!

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Tatianie Kiosia
Carne fresca – Parte 1

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Ela acordou algemada a um cano no banheiro. Eram aquelas algemas de sex shop, tinha até uma pluma rosa, mas prendiam como uma de verdade. Não que Marcela soubesse como seria estar presa a algemas de verdade, pois nunca foi presa; seu único delito na vida foi roubar bombons em lojas de departamentos na infância. Nem sabia que essas algemas eróticas prendiam tão bem, pois não era apreciadora de tais fetiches.

O banheiro era muito organizado. A toalha de rosto combinava com o tapete, um pequeno vaso de orquídea enfeitava uma pia cor de creme. Um frasco de sabonete líquido, desses que Marcela sabia ser dos caros, ficava do lado oposto ao vaso. Que tipo de louco era esse cara? O que será que acontecera na noite anterior? Suas amigas sempre lhe alertaram que essa coisa de tinder era roubada, mas ela não sabia que seria neste nível de roubada estilo risco de vida, ou de morte como é dito atualmente. Ela não se lembrava de nada, até o momento de entrar por um portão de madeira com o rapaz, após ter bebido várias no barzinho com ele. Só podia ter sido um “boa noite cinderela”. Ela sacudiu as algemas, para ver se soltaria. Os braços já estavam dormentes.

Não tardou a ele aparecer. A porta nem estava trancada e ele se deparou com a garota gordinha, de cabelos levemente ondulados castanho escuros, boca carnuda e olhar desesperado. Marcela disse com uma voz estridente pelo nervosismo e pelo medo:

– Cara, você está maluco? Me solta, pelo amor de Deus!

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