Carne fresca - parte final - Tatianie Kiosia
Tatianie Kiosia
Tatianie Kiosia reside em Campinas no interior de São Paulo, tem 35 anos e é artesã e escritora, autora de contos de horror, caracterizada por um mórbido e culto refinamento singular apenas aos indivíduos cuja ironia cáustica somada à criativa imaginação culminam em textos de profundo horror. Por anos foi mantenedora e coeditora do fanzine Vampyrum Spectrum, publicação dedicada á música extrema e ocultismo que circulou ativamente pelo necrounderground brasileiro e que deverá ressurgir numa obscura aurora. É idealizadora do blog Escritos do Inferno, insano depositário de muitos de seus contos de horror e de histórias causadoras de forte repulsa, não recomendado aos indivíduos mais frágeis. Escritos do Inferno é também o título de seu primeiro livro, obra publicada de forma independente pelo Clube de Autores durante o ano de 2017 que reúne vários de seus trabalhos, alguns escritos no início da adolescência.
Hoje vive literalmente de sua arte, e nas poucas horas vagas escreve contos inspirados em sonhos estranhos, lembranças bizarras e fatos insólitos do dia a dia.
E-mail: tatianie_kiosia@hotmail.com
Facebook: facebook.com/tatianie.kiosia
Site: escritosdoinferno.wordpress.com






Carne fresca – parte final

Cada batida no portão era uma mordida, uma lambida no sangue que escorria. Agora era ele quem tremia e ofegava, numa orgia alimentar sangrenta e canibalesca A carne dos seios era tenra e macia, a carne do pescoço, mais dura, porém cheia de sangue que escorria como molho. A barriga era gordurosa demais, e os nacos amarelados dessa parte foram mordidos e sugados, mas não engolidos. Para quê comer gordura se ainda tinha todas as partes frescas que deveriam ser devoradas o mais rápido possível?

As bochechas dela eras apetitosas, mas não lembravam a consistência daquela que ele mordeu ainda na adolescência. O pedaço arrancado fez um buraco na face, revelando os dentes molares: uma segunda boca, escancarada num grito silencioso da morte. Sem raciocinar muito, transformado em algo meio animal, meio demônio com a fome de mil matilhas de lobos infernais, arrancou com as unhas os globos oculares dela, lambendo seu líquido levemente salgado, talvez resquícios de lágrimas de desespero e finalmente, colocando inteiro na boca um de cada vez, mordeu sentindo uma explosão líquida dentro de sua boca. Que sabor e consistência peculiares, com o adicional que, no que ainda restava de sua mente racional, quem sabe comer aqueles lindos olhos não lhe proporcionaria uma visão melhor, o livrando dos óculos.

Nariz e orelhas foram dispensados, muita cartilagem. Os lábios eram levemente borrachudos, mas lembravam a consistência de uma linguiça. Daniel teve a impressão de que a polícia já havia adentrado pelo portão e em questão de minutos ou mesmo segundos, entrariam na casa, mas mesmo assim ele não parou, ainda faltava o melhor, que ele havia deixado para o final.

Quando os policiais entraram naquele quarto forrado de espuma e sangue e permeado por um mau cheiro nauseante, se depararam com uma cena absolutamente terrível. Um cadáver com membros amputados, irreconhecível, metade devorado, sem olhos, sem um lado da bochecha, no qual um homem, ou o que restava dele, pois mais se assemelhava a um animal, estava aparentemente fazendo sexo oral no que restava do corpo de Marcela, com a cabeça enfiada entre as pernas dela. Ele não se virou para ver os policiais, sequer parou o que estava fazendo. Ele ia aproveitar cada milésimo de segundo que lhe restava, até que fosse parado á força.

Páginas: 1 2 3 4 5 6

Tatianie Kiosia
Carne fresca – parte final

Cada batida no portão era uma mordida, uma lambida no sangue que escorria. Agora era ele quem tremia e ofegava, numa orgia alimentar sangrenta e canibalesca A carne dos seios era tenra e macia, a carne do pescoço, mais dura, porém cheia de sangue que escorria como molho. A barriga era gordurosa demais, e os nacos amarelados dessa parte foram mordidos e sugados, mas não engolidos. Para quê comer gordura se ainda tinha todas as partes frescas que deveriam ser devoradas o mais rápido possível?

As bochechas dela eras apetitosas, mas não lembravam a consistência daquela que ele mordeu ainda na adolescência. O pedaço arrancado fez um buraco na face, revelando os dentes molares: uma segunda boca, escancarada num grito silencioso da morte. Sem raciocinar muito, transformado em algo meio animal, meio demônio com a fome de mil matilhas de lobos infernais, arrancou com as unhas os globos oculares dela, lambendo seu líquido levemente salgado, talvez resquícios de lágrimas de desespero e finalmente, colocando inteiro na boca um de cada vez, mordeu sentindo uma explosão líquida dentro de sua boca. Que sabor e consistência peculiares, com o adicional que, no que ainda restava de sua mente racional, quem sabe comer aqueles lindos olhos não lhe proporcionaria uma visão melhor, o livrando dos óculos.

Nariz e orelhas foram dispensados, muita cartilagem. Os lábios eram levemente borrachudos, mas lembravam a consistência de uma linguiça. Daniel teve a impressão de que a polícia já havia adentrado pelo portão e em questão de minutos ou mesmo segundos, entrariam na casa, mas mesmo assim ele não parou, ainda faltava o melhor, que ele havia deixado para o final.

Quando os policiais entraram naquele quarto forrado de espuma e sangue e permeado por um mau cheiro nauseante, se depararam com uma cena absolutamente terrível. Um cadáver com membros amputados, irreconhecível, metade devorado, sem olhos, sem um lado da bochecha, no qual um homem, ou o que restava dele, pois mais se assemelhava a um animal, estava aparentemente fazendo sexo oral no que restava do corpo de Marcela, com a cabeça enfiada entre as pernas dela. Ele não se virou para ver os policiais, sequer parou o que estava fazendo. Ele ia aproveitar cada milésimo de segundo que lhe restava, até que fosse parado á força.

Páginas: 1 2 3 4 5 6