Pedido de ajuda - Tatianie Kiosia
Tatianie Kiosia
Tatianie Kiosia reside em Campinas no interior de São Paulo, tem 35 anos e é artesã e escritora, autora de contos de horror, caracterizada por um mórbido e culto refinamento singular apenas aos indivíduos cuja ironia cáustica somada à criativa imaginação culminam em textos de profundo horror. Por anos foi mantenedora e coeditora do fanzine Vampyrum Spectrum, publicação dedicada á música extrema e ocultismo que circulou ativamente pelo necrounderground brasileiro e que deverá ressurgir numa obscura aurora. É idealizadora do blog Escritos do Inferno, insano depositário de muitos de seus contos de horror e de histórias causadoras de forte repulsa, não recomendado aos indivíduos mais frágeis. Escritos do Inferno é também o título de seu primeiro livro, obra publicada de forma independente pelo Clube de Autores durante o ano de 2017 que reúne vários de seus trabalhos, alguns escritos no início da adolescência.
Hoje vive literalmente de sua arte, e nas poucas horas vagas escreve contos inspirados em sonhos estranhos, lembranças bizarras e fatos insólitos do dia a dia.
E-mail: tatianie_kiosia@hotmail.com
Facebook: facebook.com/tatianie.kiosia
Site: escritosdoinferno.wordpress.com






Pedido de ajuda

– Foi isso que aconteceu, dona Lúcia… eu morro de medo de ficar lá, todo mundo vai embora, uns dão um jeito de ficar em casa de parente, outros até pagam um quartinho de pensão pra passar a noite… mas ninguém fica lá não! – contava a garota ruiva, com forte sotaque caipira. Recém casada naquele ano de 1992, estava grávida do primeiro filho.

– Isso é lenda, não existe fantasma não! – Lúcia tentava convencer a moça caipira, sua ajudante de lar, que não havia o que temer na fazenda próxima dali.

– Ah dona Lúcia, eu que não quero ficar pra conferir não! Amanhã eu e meu marido vamos pra cidade, passar a noite na casa da minha tia!

Gabriela, filha de Lúcia, ouvira impressionada toda a conversa. Um fantasma horrendo na fazenda que era vizinha dali! Era um tanto assustador. Naquela noite, a menina foi dormir, tentando convencer a si mesma daquilo que sua mãe dissera: era apenas lenda, essas coisas não existiam. Conto de gente caipira, que morre de medo de fantasma.

Qual não foi sua surpresa ao ser acordada no meio da madrugada, por um grito! Era um grito distante, indistinto. Assustada, Gabriela sentou-se na cama, beliscando-se para se certificar que aquilo não era um sonho. Então, enquanto sentia a dor do beliscão que dera a si mesma, ouviu outro grito “aaajuuudaaaaaaaaa”, e arrepiou-se ao perceber que o grito parecia vir da direção da fazenda… a qual dava justamente para a janela de seu quarto! Apavorada, a menina, de formação católica, pôs se a rezar um pai nosso, e assim que terminou, ouviu o tenebroso grito duas vezes seguidas. Rapidamente, Gabriela correu para o quarto de seus pais:

– Mãe… posso dormir aí com vocês?
– O que houve, Gabi? Teve pesadelo?
– Não mãe… ouvi um grito horrível… tô com medo de voltar pro meu quarto!

Gabriela se enfiou no meio de seus pais, mas não conseguiu dormir novamente. Como eles não tinham ouvido aquele grito, que lhe pareceu tão alto?

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Tatianie Kiosia
Pedido de ajuda

– Foi isso que aconteceu, dona Lúcia… eu morro de medo de ficar lá, todo mundo vai embora, uns dão um jeito de ficar em casa de parente, outros até pagam um quartinho de pensão pra passar a noite… mas ninguém fica lá não! – contava a garota ruiva, com forte sotaque caipira. Recém casada naquele ano de 1992, estava grávida do primeiro filho.

– Isso é lenda, não existe fantasma não! – Lúcia tentava convencer a moça caipira, sua ajudante de lar, que não havia o que temer na fazenda próxima dali.

– Ah dona Lúcia, eu que não quero ficar pra conferir não! Amanhã eu e meu marido vamos pra cidade, passar a noite na casa da minha tia!

Gabriela, filha de Lúcia, ouvira impressionada toda a conversa. Um fantasma horrendo na fazenda que era vizinha dali! Era um tanto assustador. Naquela noite, a menina foi dormir, tentando convencer a si mesma daquilo que sua mãe dissera: era apenas lenda, essas coisas não existiam. Conto de gente caipira, que morre de medo de fantasma.

Qual não foi sua surpresa ao ser acordada no meio da madrugada, por um grito! Era um grito distante, indistinto. Assustada, Gabriela sentou-se na cama, beliscando-se para se certificar que aquilo não era um sonho. Então, enquanto sentia a dor do beliscão que dera a si mesma, ouviu outro grito “aaajuuudaaaaaaaaa”, e arrepiou-se ao perceber que o grito parecia vir da direção da fazenda… a qual dava justamente para a janela de seu quarto! Apavorada, a menina, de formação católica, pôs se a rezar um pai nosso, e assim que terminou, ouviu o tenebroso grito duas vezes seguidas. Rapidamente, Gabriela correu para o quarto de seus pais:

– Mãe… posso dormir aí com vocês?
– O que houve, Gabi? Teve pesadelo?
– Não mãe… ouvi um grito horrível… tô com medo de voltar pro meu quarto!

Gabriela se enfiou no meio de seus pais, mas não conseguiu dormir novamente. Como eles não tinham ouvido aquele grito, que lhe pareceu tão alto?

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