Coproapocalipse – Parte 03 - Wagner Nyhyhwh
Wagner Nyhyhwh
Pedreiro das palavras
Contador de sandices
Criador de nadas
Wagner Nyhyhwh já nasceu e morreu incontáveis vezes. Em vidas passadas foi Wagner Nyhyw, Reverendo W. Van Baco, Fenilisipropilamina Man, WTD, etc. Sua última ressuscitação se deu em um experimento genético no planeta K da Aglomeração 20.9. A intenção dos kasianos era clonar um ser humano dentro do Programa de Estudos de Raças Inferiores, para posteriormente criar um exército de escravos. Este objetivo foi abandonado quando os cientistas concluíram que os humanos são limitados demais para servir como escravos. Assim, Nyhyhwh foi doado para famílias que procuravam bichos de estimação para adotar. Já na infância gostava de criar, imaginação muito fértil e pulsante. Constantemente confundia ficção com realidade, o que o levava rotineiramente para tratamentos em aldeias psiquiátricas. Adulto, decidiu se tornar escritor e viver pulando de uma aldeia psiquiátrica para outra. Apesar de nenhum de seus livros ser lido por ninguém, sua escrita passou a ser considerada criminosa e herege porque como escritor se proclamava Deus. Sua situação se agravou quando passou a ser rastreado pela polícia quântica, pois gostava de viajar no tempo e em universos paralelos, sem autorização, para colher inspirações para seus textos. Foi preso quando, numa dessas viagens, acabou, por acidente, destruindo por completo toda uma realidade alternativa. Julgado e condenado a ser um degredado. Banido para sempre da Aglomeração 20.9. Não apenas isso, sofreu a mais cruel das punições previstas no Tratado Penal Interdimensional: Viver no planeta Terra! Enviado para junto de seus iguais, a raça falida.
Desde então, perambula pelo submundo humano esperando a realização da Grande Profecia, o dia em que os Fudidos varrerão a Terra e a Sarjeta engolirá os salões de festas.
Enquanto isso, continua criando.
Vez ou outra ainda confunde ficção com realidade.

E-mail: wnyhyw@gmail.com
Facebook: https://www.facebook.com/Nyhyhwh
Blog: partesforadotodo.blogspot.com.br






Coproapocalipse – Parte 03

            Solto um último verso tão grande e pesado que senti meus órgãos voltando pro lugar após ele ter saído. Levanto num susto. A pilha de fezes chegou quase até o topo da privada. Hoje está demais. De onde veio tanta merda? Será que estou enxergando direito? Devo tá delirando de bêbado. Não me lembro de ter feito numa cagada quantidade tão grande. O que comi ontem? Merda, não lembro. Sei que bebi um caminhão, mas comida não foi pra tanto. E o almoço hoje também foi normal, nada diferente. E não é diarreia. Todas sólidas, lisas, bonitas, cor e tamanho adequados. Nada de anormal. Puxando pela memória, de fato nas últimas semanas tenho a impressão de que a quantidade de cada cagada está maior. Mas minha alimentação não mudou. Não que eu me lembre, pelo menos. A bebedeira também continua no mesmo nível de sempre. Melhor marcar um médico amanhã.

            Odeio ir ao médico, quando vamos sempre descobrimos que estamos todo fudidos. Da última vez, o doutor me recomendou melhorar os hábitos alimentares, evitar comer industrializados. Ora, se essas porras fazem tão mal, por que são permitidas? Você vai no mercado, só tem essas porcarias industrializadas. Se tiver algum alimento saudável, o preço é tão exorbitante que só deixando um rim no caixa pra conseguir pagar. Vida saudável… hipocrisia do caralho.

Bem, trabalho cumprido por hoje. E como! Bati recordes de produtividade de merda. Já cumpri com louvor a meta do ano. Hora de ir pra casa. Finalmente. Quase desmaiando de sono.

Na rua, uma cena atípica. Um rolo compressor passando. Nunca havia visto um. Que maneiro. Como nos desenhos e comédias. Como gostaria de ser atropelado por um desses. Totalmente esmagado. Todos os ossos destroçados. Virar apenas um amontoado de pele flácida. Um fim honesto.

Zumbiandando, de forma autômata, só pensando na minha cama, cambaleio pelo metrô, vinte estações. Depois ainda pego um ônibus, mais meia hora de tortura pra finalmente chegar em casa. Acho que vomitei pelo caminho.

Enfim, o recanto do sobrevivente. Já sonambulando, direto pro banho pra me limpar do repugnante mundo exterior e então cama. Ah, não tem nada como dormir. Nada é tão bom. Nem cagar. Gostaria de dormir vinte horas por dia.

 

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Wagner Nyhyhwh
Coproapocalipse – Parte 03

            Solto um último verso tão grande e pesado que senti meus órgãos voltando pro lugar após ele ter saído. Levanto num susto. A pilha de fezes chegou quase até o topo da privada. Hoje está demais. De onde veio tanta merda? Será que estou enxergando direito? Devo tá delirando de bêbado. Não me lembro de ter feito numa cagada quantidade tão grande. O que comi ontem? Merda, não lembro. Sei que bebi um caminhão, mas comida não foi pra tanto. E o almoço hoje também foi normal, nada diferente. E não é diarreia. Todas sólidas, lisas, bonitas, cor e tamanho adequados. Nada de anormal. Puxando pela memória, de fato nas últimas semanas tenho a impressão de que a quantidade de cada cagada está maior. Mas minha alimentação não mudou. Não que eu me lembre, pelo menos. A bebedeira também continua no mesmo nível de sempre. Melhor marcar um médico amanhã.

            Odeio ir ao médico, quando vamos sempre descobrimos que estamos todo fudidos. Da última vez, o doutor me recomendou melhorar os hábitos alimentares, evitar comer industrializados. Ora, se essas porras fazem tão mal, por que são permitidas? Você vai no mercado, só tem essas porcarias industrializadas. Se tiver algum alimento saudável, o preço é tão exorbitante que só deixando um rim no caixa pra conseguir pagar. Vida saudável… hipocrisia do caralho.

Bem, trabalho cumprido por hoje. E como! Bati recordes de produtividade de merda. Já cumpri com louvor a meta do ano. Hora de ir pra casa. Finalmente. Quase desmaiando de sono.

Na rua, uma cena atípica. Um rolo compressor passando. Nunca havia visto um. Que maneiro. Como nos desenhos e comédias. Como gostaria de ser atropelado por um desses. Totalmente esmagado. Todos os ossos destroçados. Virar apenas um amontoado de pele flácida. Um fim honesto.

Zumbiandando, de forma autômata, só pensando na minha cama, cambaleio pelo metrô, vinte estações. Depois ainda pego um ônibus, mais meia hora de tortura pra finalmente chegar em casa. Acho que vomitei pelo caminho.

Enfim, o recanto do sobrevivente. Já sonambulando, direto pro banho pra me limpar do repugnante mundo exterior e então cama. Ah, não tem nada como dormir. Nada é tão bom. Nem cagar. Gostaria de dormir vinte horas por dia.

 

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