Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Wan Moura
Sou uma alma fragmentada que geralmente caminha beirando o precipício. Já acordei nas Montanhas da Loucura e já passei pelo Desfiladeiro do Medo. Peguei carona com o dono do Buick 8 e já fui mordido por um cão, Cujo dono era O Iluminado. Eu durmo em criptas e tento colaborar com O Corvo que, dia após dia, consome meu Coração Satânico. Enfim, esse sou eu! Canceriano, negro de cor e coração nefasto, viciado num bom e velho Rock, um tatuado nascido sob o segundo dia de um Julho de 1989, eletricista como ganha pão e que escreve com o nobre intuito de espalhar um amargo veneno cáustico no ar, apenas para admirar o caos de camarote. Um ser bizarro, praticante da Lei de Talião e apaixonado pelo que é macabro e obscuro. Wan Moura é uma centelha mefistofélica vivendo clandestinamente na capital maranhense. Sou tudo isso e nenhuma molécula a mais.
E-mail: wandersonwmoura@gmail.com
Wattpad: WanMoura






A casa parte 02

(Leia a primeira parte aqui: http://maldohorror.com.br/wan-moura/a-casa/)

A Casa dos Albuquerque era um portal para O Outro Lado.

Um lugar sujo.

Morto… e, ao mesmo tempo vivo… Transpirava ódio.

Foi lá que, na época com seis anos, Breno viu as trevas pela primeira vez.

O jovem médium cresceu assistindo rostos pálidos de pessoas que já não pertenciam ao lado de cá passeando pelas janelas que mais pareciam olhos astutos.

Breno os via, sentia e o pior de tudo: ele os escutava.

Sabia que estavam lá chamando, maldizendo… Sempre famintos. Justo naquela casa onde poltergeists eram os menores problemas possíveis.

A construção condenada pela Defesa Civil foi abandonada pelos antigos moradores há mais tempo do que a vizinhança podia lembrar.

As paredes de madeira pareciam pulsar sob o céu estrelado da capital maranhense e o vai e vem que a brisa lançava à grama sempre verde e aparada — apesar de ninguém zelar por ela — concedia à casa um aspecto sobrenatural. Mórbido.

Apenas a Rua Labirinto e o temor do que viu da janela do quarto separavam Breno da Casa.

O desejo de voltar pra cama e esquecer tudo aquilo era imperativo. Mas…

Hipnotizado pela curiosidade, Breno só se deu conta do que fazia quando já alcançava a rua.

O menino deslizou até a varanda da casa após atravessar o mar de grama que lhe feriu os pés. Arrancou parte do gramado e podia jurar ter visto dentes se ocultando por entre as lâminas cor de esmeralda.

Ainda assim ele continuou.

A madeira rangeu e a maçaneta deslizou para a direita.

As dobradiças gemeram devagar enquanto a porta recuava para dentro, rompendo com o pacto de silêncio no interior da casa.

O cheiro bolorento que veio de lá era perturbador.

Assim que entrou Breno sentiu o corpo flutuar como nas experiências que teve fora do corpo.

Sentiu um incômodo no estômago e um frio agoniante na base do pescoço que o fez estremecer.

E então elas começaram.

As vozes.

Elas vinham e voltavam, como num rádio mal sintonizado.

Páginas: 1 2 3 4

Wan Moura
A casa parte 02

(Leia a primeira parte aqui: http://maldohorror.com.br/wan-moura/a-casa/)

A Casa dos Albuquerque era um portal para O Outro Lado.

Um lugar sujo.

Morto… e, ao mesmo tempo vivo… Transpirava ódio.

Foi lá que, na época com seis anos, Breno viu as trevas pela primeira vez.

O jovem médium cresceu assistindo rostos pálidos de pessoas que já não pertenciam ao lado de cá passeando pelas janelas que mais pareciam olhos astutos.

Breno os via, sentia e o pior de tudo: ele os escutava.

Sabia que estavam lá chamando, maldizendo… Sempre famintos. Justo naquela casa onde poltergeists eram os menores problemas possíveis.

A construção condenada pela Defesa Civil foi abandonada pelos antigos moradores há mais tempo do que a vizinhança podia lembrar.

As paredes de madeira pareciam pulsar sob o céu estrelado da capital maranhense e o vai e vem que a brisa lançava à grama sempre verde e aparada — apesar de ninguém zelar por ela — concedia à casa um aspecto sobrenatural. Mórbido.

Apenas a Rua Labirinto e o temor do que viu da janela do quarto separavam Breno da Casa.

O desejo de voltar pra cama e esquecer tudo aquilo era imperativo. Mas…

Hipnotizado pela curiosidade, Breno só se deu conta do que fazia quando já alcançava a rua.

O menino deslizou até a varanda da casa após atravessar o mar de grama que lhe feriu os pés. Arrancou parte do gramado e podia jurar ter visto dentes se ocultando por entre as lâminas cor de esmeralda.

Ainda assim ele continuou.

A madeira rangeu e a maçaneta deslizou para a direita.

As dobradiças gemeram devagar enquanto a porta recuava para dentro, rompendo com o pacto de silêncio no interior da casa.

O cheiro bolorento que veio de lá era perturbador.

Assim que entrou Breno sentiu o corpo flutuar como nas experiências que teve fora do corpo.

Sentiu um incômodo no estômago e um frio agoniante na base do pescoço que o fez estremecer.

E então elas começaram.

As vozes.

Elas vinham e voltavam, como num rádio mal sintonizado.

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