A casa parte 02 - Wan Moura
Wan Moura
Sou uma alma fragmentada que geralmente caminha beirando o precipício. Já acordei nas Montanhas da Loucura e já passei pelo Desfiladeiro do Medo. Peguei carona com o dono do Buick 8 e já fui mordido por um cão, Cujo dono era O Iluminado. Eu durmo em criptas e tento colaborar com O Corvo que, dia após dia, consome meu Coração Satânico. Enfim, esse sou eu! Canceriano, negro de cor e coração nefasto, viciado num bom e velho Rock, um tatuado nascido sob o segundo dia de um Julho de 1989, eletricista como ganha pão e que escreve com o nobre intuito de espalhar um amargo veneno cáustico no ar, apenas para admirar o caos de camarote. Um ser bizarro, praticante da Lei de Talião e apaixonado pelo que é macabro e obscuro. Wan Moura é uma centelha mefistofélica vivendo clandestinamente na capital maranhense. Sou tudo isso e nenhuma molécula a mais.
E-mail: wandersonwmoura@gmail.com
Wattpad: WanMoura






A casa parte 02

O alarido ensurdecedor se espalhou numa bagunça como na Torre de Babel e Breno tentou refazer o caminho para fugir dali.

No entanto, a porta, talvez única válvula de escape daquela situação medonha, emitiu um baque surdo quando trancou a passagem de Breno.

A escuridão dentro da casa era ameaçada apenas por alguns feixes de luz que nasciam por entre as frestas do telhado.

Haviam espelhos por todos os lados, os únicos objetos que permaneciam a salvo da poeira e ação do tempo. E foi num deles que

Breno viu um par de olhos em brasa o observando.

“Osssbrigado por virrrsss aquiss pequenosss médiummm… Ou ssssseria você um Videeenteeees?”

A voz que veio por trás, pelos lados, por cima… era onipresente. Se cobras falassem teriam o mesmo tom.

“Aposto como ele é um Iluminado! Quem mais ouviria nosso chamado?”, constatou outra voz.

“Ele deve ser saboroso…”, disse alguém na escuridão.

“Sim… sim… ele é apenas carne… o que estamos esperando?!”, rosnou a quarta voz, esta mais agressiva do que as anteriores.

E assim o vozerio ficou insuportável.

Todos falavam ao mesmo tempo.

Vozes sem rostos e em tons que iam da malícia ao ódio.

“Ei, garoto! Vamos pular pro abismo que nem porcos. Se tivermos sorte, o pescoço quebra no primeiro rochedo que…”

“Nada disso, ele veio para morrer comigo! Vai puxar o gatilho e verá o buraco na minha cabeça quando a bala rasgar meu cérebro!”

“Em veiizzzzz disssoss… vamosss habitáaaloo… usá-lo para sairrr… daquii…”

Breno caiu de joelhos; os olhos arregalados, as mãos tapando os ouvidos. O desespero descendo pela garganta e entalando os pulmões de medo.

Ficou difícil respirar, as mãos retesadas e doloridas imploravam para que tudo aquilo passasse…

… e passou.

Breno se viu no centro da sala sozinho. O silêncio sepulcral habitava o lugar.

Correu o olhar em volta e o medo voltou a ser companheiro fiel quando diante dele a aparição que visitou seu quarto surgiu com o braço estendido para a porta da rua.

Breno levantou e um ruído rasgou o silêncio.

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Wan Moura
A casa parte 02

O alarido ensurdecedor se espalhou numa bagunça como na Torre de Babel e Breno tentou refazer o caminho para fugir dali.

No entanto, a porta, talvez única válvula de escape daquela situação medonha, emitiu um baque surdo quando trancou a passagem de Breno.

A escuridão dentro da casa era ameaçada apenas por alguns feixes de luz que nasciam por entre as frestas do telhado.

Haviam espelhos por todos os lados, os únicos objetos que permaneciam a salvo da poeira e ação do tempo. E foi num deles que

Breno viu um par de olhos em brasa o observando.

“Osssbrigado por virrrsss aquiss pequenosss médiummm… Ou ssssseria você um Videeenteeees?”

A voz que veio por trás, pelos lados, por cima… era onipresente. Se cobras falassem teriam o mesmo tom.

“Aposto como ele é um Iluminado! Quem mais ouviria nosso chamado?”, constatou outra voz.

“Ele deve ser saboroso…”, disse alguém na escuridão.

“Sim… sim… ele é apenas carne… o que estamos esperando?!”, rosnou a quarta voz, esta mais agressiva do que as anteriores.

E assim o vozerio ficou insuportável.

Todos falavam ao mesmo tempo.

Vozes sem rostos e em tons que iam da malícia ao ódio.

“Ei, garoto! Vamos pular pro abismo que nem porcos. Se tivermos sorte, o pescoço quebra no primeiro rochedo que…”

“Nada disso, ele veio para morrer comigo! Vai puxar o gatilho e verá o buraco na minha cabeça quando a bala rasgar meu cérebro!”

“Em veiizzzzz disssoss… vamosss habitáaaloo… usá-lo para sairrr… daquii…”

Breno caiu de joelhos; os olhos arregalados, as mãos tapando os ouvidos. O desespero descendo pela garganta e entalando os pulmões de medo.

Ficou difícil respirar, as mãos retesadas e doloridas imploravam para que tudo aquilo passasse…

… e passou.

Breno se viu no centro da sala sozinho. O silêncio sepulcral habitava o lugar.

Correu o olhar em volta e o medo voltou a ser companheiro fiel quando diante dele a aparição que visitou seu quarto surgiu com o braço estendido para a porta da rua.

Breno levantou e um ruído rasgou o silêncio.

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