Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Wan Moura
Sou uma alma fragmentada que geralmente caminha beirando o precipício. Já acordei nas Montanhas da Loucura e já passei pelo Desfiladeiro do Medo. Peguei carona com o dono do Buick 8 e já fui mordido por um cão, Cujo dono era O Iluminado. Eu durmo em criptas e tento colaborar com O Corvo que, dia após dia, consome meu Coração Satânico. Enfim, esse sou eu! Canceriano, negro de cor e coração nefasto, viciado num bom e velho Rock, um tatuado nascido sob o segundo dia de um Julho de 1989, eletricista como ganha pão e que escreve com o nobre intuito de espalhar um amargo veneno cáustico no ar, apenas para admirar o caos de camarote. Um ser bizarro, praticante da Lei de Talião e apaixonado pelo que é macabro e obscuro. Wan Moura é uma centelha mefistofélica vivendo clandestinamente na capital maranhense. Sou tudo isso e nenhuma molécula a mais.
E-mail: wandersonwmoura@gmail.com
Wattpad: WanMoura






A casa parte 02

As paredes gritaram, o chão rugiu.

A criatura emitiu um grunhido doloroso e indicou a porta mais uma vez antes de dizer em alto e bom som:

“Eu disse pra não vir! Te pedi tanto pra não vir aqui…”

Breno entendeu e tentou fugir.

Tarde demais para lamentos.

A maçaneta não girou, a porta não cedeu.

O desespero se acumulou no peito do garoto.

Todos os espelhos trincaram.

A madeira rachou, os seres das trevas se libertaram e atacaram o menino médium.

O corpo dele levitou.

Os objetos ao redor também.

Breno gritava enquanto mãos invisíveis enlaçavam sombras sobre ele.

Os olhos do menino giraram dentro das órbitas, o maxilar se deslocou deixando a boca aberta num ângulo de dor.

Foi por lá que Eles entraram.

Quebraram os dentes do menino, deslizaram goela abaixo.

Avolumaram o esôfago e cavoucaram seu coração.

Mastigaram cada pedaço de sua alma e devoraram sua mediunidade, seu talento, o brilho de quem é Iluminado.

O vapor de enxofre poderia ser sentido a quilômetros de distância se houvesse alguma testemunha.

A pele do garoto fumegava, o cabelo caiu da raiz.

Os braços giraram para trás, o pulso fez um giro impossível e os dedos romperam nas falanges.

Breno parecia preso num triturador.

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Wan Moura
A casa parte 02

As paredes gritaram, o chão rugiu.

A criatura emitiu um grunhido doloroso e indicou a porta mais uma vez antes de dizer em alto e bom som:

“Eu disse pra não vir! Te pedi tanto pra não vir aqui…”

Breno entendeu e tentou fugir.

Tarde demais para lamentos.

A maçaneta não girou, a porta não cedeu.

O desespero se acumulou no peito do garoto.

Todos os espelhos trincaram.

A madeira rachou, os seres das trevas se libertaram e atacaram o menino médium.

O corpo dele levitou.

Os objetos ao redor também.

Breno gritava enquanto mãos invisíveis enlaçavam sombras sobre ele.

Os olhos do menino giraram dentro das órbitas, o maxilar se deslocou deixando a boca aberta num ângulo de dor.

Foi por lá que Eles entraram.

Quebraram os dentes do menino, deslizaram goela abaixo.

Avolumaram o esôfago e cavoucaram seu coração.

Mastigaram cada pedaço de sua alma e devoraram sua mediunidade, seu talento, o brilho de quem é Iluminado.

O vapor de enxofre poderia ser sentido a quilômetros de distância se houvesse alguma testemunha.

A pele do garoto fumegava, o cabelo caiu da raiz.

Os braços giraram para trás, o pulso fez um giro impossível e os dedos romperam nas falanges.

Breno parecia preso num triturador.

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