Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Wan Moura
Sou uma alma fragmentada que geralmente caminha beirando o precipício. Já acordei nas Montanhas da Loucura e já passei pelo Desfiladeiro do Medo. Peguei carona com o dono do Buick 8 e já fui mordido por um cão, Cujo dono era O Iluminado. Eu durmo em criptas e tento colaborar com O Corvo que, dia após dia, consome meu Coração Satânico. Enfim, esse sou eu! Canceriano, negro de cor e coração nefasto, viciado num bom e velho Rock, um tatuado nascido sob o segundo dia de um Julho de 1989, eletricista como ganha pão e que escreve com o nobre intuito de espalhar um amargo veneno cáustico no ar, apenas para admirar o caos de camarote. Um ser bizarro, praticante da Lei de Talião e apaixonado pelo que é macabro e obscuro. Wan Moura é uma centelha mefistofélica vivendo clandestinamente na capital maranhense. Sou tudo isso e nenhuma molécula a mais.
E-mail: wandersonwmoura@gmail.com
Wattpad: WanMoura






A roda do destino

[***]

Ele olhou no relógio recheado de números romanos e viu que passava das dez da noite de uma sexta feira 13. Talvez por isso ainda não houvesse encontrado quem procurou por quase toda a noite.

Desistiu.

 Rodou quase toda a capital maranhense sem sucesso em sua busca. Ou seria “caçada”? Virou mais uma esquina e já voltava para casa onde morava sozinho quando os faróis de seu velho fusca iluminaram um par de belas pernas, seguidas do restante do corpo da deusa que ocupava a esquina de uma loja. Parou próximo à calçada e aguardou a mulher se aproximar. Ela sorriu e o caçador solitário viu que seus dentes eram lindos. Ele sempre adorou dentes. Na verdade obcecado por eles. O casal conversou, entrou em comum acordo, ela abriu a porta e sentou no banco do carona. Luscius girou a chave na ignição, ela fechou a porta e ambos seguiram adiante. Ele sabia que nenhuma mulher resistiria aos seus olhos cor do mar, ainda mais acompanhados por seu corpo atlético. Mas estava no auge de seus 25 anos, não queria ser visto por testemunhas e pôr seu esquema a perder. Aquela garota seria a décima sexta? Décima nona? Já não importava. Vagabundas sempre foram e sempre serão invisíveis, é isso o que faz delas vítimas perfeitas. Seu amigo fiel trabalharia a madrugada toda e isso é o que sempre importou. A herança que recebeu do avô era uma aliada vantajosa; não precisava ter que trabalhar e assim podia se ocupar com sua arte por tempo indeterminado.

A pobre mulher o beijou. Ela sentiu as línguas se tocarem e se enroscarem sedentas pela troca de saliva e também sentiu os solavancos do carro. O maldito fusca era desconfortável, pequeno demais para a mulher com quase 1,70m de pura beleza envolta numa linda pele morena. Luscius adorava peles naquele tom. Eram mais fáceis de manipular e quando eram extraídas, não manchavam como as das caucasianas. Era grato ao pai por não ter nascido racista.

Luscius dirigia e a beijava, olhava para a estrada e para o banco de trás, sem perder a sincronia. E com a habilidade que desenvolveu durante anos, soltou brevemente o volante e esticou o braço direito. Alcançou o martelo que jazia oculto apenas por uma toalha de banho próximo ao banco do passageiro. A mulher viu apenas um vulto chegar e lhe atingir a testa.

Uma…

Duas…

Três vezes! Até que a escuridão devorou sua visão.

O assassino voltou ao domínio do volante já no acostamento da estrada. Voltou para o negrume do asfalto e seguiu para seu lar, onde seu amigo fiel o aguardava ansioso por carne humana.

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Wan Moura
A roda do destino

[***]

Ele olhou no relógio recheado de números romanos e viu que passava das dez da noite de uma sexta feira 13. Talvez por isso ainda não houvesse encontrado quem procurou por quase toda a noite.

Desistiu.

 Rodou quase toda a capital maranhense sem sucesso em sua busca. Ou seria “caçada”? Virou mais uma esquina e já voltava para casa onde morava sozinho quando os faróis de seu velho fusca iluminaram um par de belas pernas, seguidas do restante do corpo da deusa que ocupava a esquina de uma loja. Parou próximo à calçada e aguardou a mulher se aproximar. Ela sorriu e o caçador solitário viu que seus dentes eram lindos. Ele sempre adorou dentes. Na verdade obcecado por eles. O casal conversou, entrou em comum acordo, ela abriu a porta e sentou no banco do carona. Luscius girou a chave na ignição, ela fechou a porta e ambos seguiram adiante. Ele sabia que nenhuma mulher resistiria aos seus olhos cor do mar, ainda mais acompanhados por seu corpo atlético. Mas estava no auge de seus 25 anos, não queria ser visto por testemunhas e pôr seu esquema a perder. Aquela garota seria a décima sexta? Décima nona? Já não importava. Vagabundas sempre foram e sempre serão invisíveis, é isso o que faz delas vítimas perfeitas. Seu amigo fiel trabalharia a madrugada toda e isso é o que sempre importou. A herança que recebeu do avô era uma aliada vantajosa; não precisava ter que trabalhar e assim podia se ocupar com sua arte por tempo indeterminado.

A pobre mulher o beijou. Ela sentiu as línguas se tocarem e se enroscarem sedentas pela troca de saliva e também sentiu os solavancos do carro. O maldito fusca era desconfortável, pequeno demais para a mulher com quase 1,70m de pura beleza envolta numa linda pele morena. Luscius adorava peles naquele tom. Eram mais fáceis de manipular e quando eram extraídas, não manchavam como as das caucasianas. Era grato ao pai por não ter nascido racista.

Luscius dirigia e a beijava, olhava para a estrada e para o banco de trás, sem perder a sincronia. E com a habilidade que desenvolveu durante anos, soltou brevemente o volante e esticou o braço direito. Alcançou o martelo que jazia oculto apenas por uma toalha de banho próximo ao banco do passageiro. A mulher viu apenas um vulto chegar e lhe atingir a testa.

Uma…

Duas…

Três vezes! Até que a escuridão devorou sua visão.

O assassino voltou ao domínio do volante já no acostamento da estrada. Voltou para o negrume do asfalto e seguiu para seu lar, onde seu amigo fiel o aguardava ansioso por carne humana.

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